02/10/2026
Falta de produtos faz varejo e indústria perderem vendas para concorrentes, aponta pesquisa
POR Reportagem SA+ Conteúdo
Publicado em:

A falta de produtos nas gôndolas pode representar mais do que uma falha operacional para o varejo alimentar. A indisponibilidade de itens no momento da compra faz com que consumidores procurem outros estabelecimentos, optem por marcas concorrentes ou até desistam da aquisição, comprometendo as vendas do setor. É o que aponta a pesquisa "O Novo Carrinho do Brasileiro", realizada pela Neogrid em parceria com a Opinion Box.
De acordo com o levantamento, 72% dos consumidores brasileiros não encontram a marca que pretendiam comprar pelo menos às vezes. Diante dessa situação, 43,4% procuram o produto em outro estabelecimento ou canal, enquanto 34% optam imediatamente por outra marca disponível.
O comportamento também pode gerar impactos de longo prazo para a indústria. Entre os consumidores que substituem uma marca por outra, 56,6% recorrem a alternativas que já conhecem e com as quais tiveram uma experiência positiva. Além disso, 21,6% afirmam que passam a considerar outras marcas com mais frequência quando não encontram aquela que costumam comprar.
“Durante muito tempo, a ruptura foi tratada principalmente como um problema operacional. Mas, em um ambiente em que o consumidor tem cada vez mais canais, marcas e formatos disponíveis, ela se transforma em uma questão direta de captura de demanda. A necessidade de compra continua existindo. O que muda é quem consegue atendê-la”, afirma Leandro Murta, diretor executivo da Neogrid.
Indisponibilidade também compromete ações promocionais
A ruptura também pode reduzir os resultados de investimentos comerciais realizados pela indústria e pelo varejo. Segundo a pesquisa, 80,4% dos consumidores já se interessaram por uma promoção anunciada, mas não encontraram o produto disponível quando foram procurá-lo.
Quando isso acontece, 24,1% buscam o item em outra loja ou canal, 19,5% compram uma marca concorrente e 21,1% desistem da aquisição. Os dados indicam que, mesmo quando uma campanha consegue despertar o interesse do público, a falta de mercadorias pode impedir que a intenção de compra se transforme em venda.
“Uma promoção pode funcionar, a comunicação pode chamar a atenção e o consumidor pode chegar ao ponto de decisão disposto a comprar. Mas, se o produto não estiver disponível naquele momento, todo esse esforço pode acabar beneficiando outro canal ou outra marca”, destaca Murta.
Esse cenário é acompanhado por mudanças na jornada de compra. O estudo mostra que 77,7% dos brasileiros já combinam lojas físicas e canais digitais em sua rotina de abastecimento. Outros 42,2% afirmam comprar em diferentes estabelecimentos para economizar, enquanto 38,7% distribuem categorias entre diferentes pontos de venda.
Com mais alternativas para atender às necessidades de consumo, os clientes têm menos motivos para esperar pela reposição de um item indisponível. Dessa forma, a ruptura pode representar não apenas a perda de uma venda imediata, mas também a oportunidade de ampliar a participação de concorrentes e de outros canais.
Abastecimento ganha relevância na estratégia
Diante desse comportamento, a disponibilidade de produtos passa a ter papel direto na capacidade de o varejo capturar a demanda. Mesmo marcas preferidas podem perder espaço quando não estão acessíveis, enquanto ações promocionais correm o risco de não alcançar os resultados esperados caso o abastecimento não acompanhe o interesse gerado.
Nesse contexto, o planejamento de estoques e a integração de informações sobre demanda, vendas e execução tornam-se elementos importantes para antecipar possíveis rupturas. O uso de dados pode contribuir para identificar riscos de indisponibilidade e permitir que as empresas atuem antes que a falta de mercadorias resulte em vendas perdidas.
“Hoje, o desafio não é apenas prever quanto o consumidor vai comprar. É entender onde essa demanda está se manifestando e garantir capacidade de resposta antes que a oportunidade se perca. Quanto mais caminhos o consumidor tem para realizar uma compra, menor é sua disposição para esperar que uma falha na cadeia seja resolvida”, afirma o executivo.
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