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20/10/2026
AGAS e APRAS avaliam impactos da escala 5x2 e alertam para alta de custos no varejo alimentar
POR Reportagem SA+ Conteúdo
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Com a promulgação do fim da escala 6x1 e o início do prazo de 60 dias para a adoção das medidas, Associações de supermercados compartilham suas avaliações sobre os impactos da mudança e como os varejistas devem se preparar para a escala 5x2.
A AGAS (Associação Gaúcha de Supermercados) estima aumento de 17% a 20% nas despesas com a folha de pagamento, enquanto a APRAS (Associação Paranaense de Supermercados) projeta que o impacto adicional nos custos com pessoal pode chegar a 15% nos pequenos estabelecimentos.
Em comum, as duas entidades recomendam antecipar o planejamento das escalas e buscar ganhos de produtividade, mas destacam desafios distintos conforme o porte e a realidade de cada operação.
AGAS prevê aumento de custos e possíveis mudanças nos horários das lojas
Para Lindonor Peruzzo Jr., diretor da AGAS, o impacto será significativo e a adaptação exigirá que cada supermercado avalie a disponibilidade de mão de obra e a viabilidade de manter o funcionamento aos domingos. O empresário prevê que no interior do Rio Grande do Sul, parte das lojas poderá optar por fechar nesse dia ou rever os horários de abertura e encerramento.
Estudos da AGAS estimam que a mudança elevará as despesas com pessoal entre 17% e 20%. Para ilustrar o desafio de reorganizar as equipes, Peruzzo cita o exemplo de um supermercado com 60 colaboradores e quatro funcionários no hortifrúti. “Com o 6x1, é possível manter essa escala, já com a 5x2 vai precisar de pelo menos mais uma pessoa. Então, nesse exemplo, há um incremento de mão de obra de 25%”, afirma.
A dificuldade de contratação também preocupa a Associação, já que a necessidade de ampliar as equipes pode elevar ainda mais os custos operacionais. “Este já é um desafio para o setor. Cada vez mais teremos que oferecer benefícios para a contratação, o que vai acabar aumentando o valor-base do salário do trabalhador e, por consequência, o custo do supermercadista”, diz Peruzzo.
Na avaliação do diretor, a pressão sobre os custos poderá chegar ao consumidor por meio dos preços, enquanto os supermercados que não conseguirem repassar os aumentos terão suas margens reduzidas. "Isso afetará a indústria também. Ou seja, vai ter aumento de preço na base, o que será repassado ao varejo, e o varejo vai ter que repassar ao consumidor. Quem vai pagar essa conta serão eles, e os mais afetados serão os com menor poder aquisitivo”, explica.
Ele também prevê maior discussão sobre automação, como a ampliação do self-checkout e das padarias com autosserviço.
De acordo com o diretor, a preocupação com a mudança que já entra em vigor dia 16 de dezembro ganha relevância diante da proximidade com o Natal e o Ano-Novo, períodos de grande movimento no varejo, que exigirão planejamento antecipado para adequar as equipes às novas jornadas.
APRAS projeta impacto de até 15% nos pequenos supermercados
No Paraná, a APRAS também considera que a reorganização das equipes será um desafio importante para o setor. Segundo Harri Pankratz, diretor da Associação, o funcionamento diário das lojas, com horários estendidos, domingos e feriados, exigirá ajustes operacionais e investimentos em produtividade.
“O nosso desafio é fazer essa transição preservando emprego, produtividade e preços competitivos ao consumidor. Também prevemos que algumas operações poderão precisar recorrer com mais frequência a trabalhadores horistas, jornadas parciais e soluções flexíveis de mão de obra para cobrir picos de movimento e fechar escalas, especialmente em fins de semana, feriados e horários de maior fluxo”, afirma.
A entidade ainda não possui uma projeção própria consolidada para o Paraná, mas trabalha com cenários de referência para o aumento adicional dos custos com pessoal. As estimativas variam de 3% a 7% para grandes redes, de 5% a 10% para médias redes e de 8% a 15% para pequenos supermercados.
Mas Pankratz ressalta que o impacto efetivo dependerá de fatores como produtividade, automação, horários de funcionamento e necessidade de novas contratações.
A recomendação da APRAS é iniciar desde já as simulações de escala e a identificação dos setores mais críticos. “Também será fundamental buscar produtividade, rever processos, utilizar tecnologia e avaliar modelos flexíveis de jornada e contratação, sempre com suporte jurídico e diálogo com os sindicatos”, afirma Pankratz.
A Associação também prepara ações de orientação aos
supermercadistas, incluindo um webinar e um simpósio previsto para o início de
novembro.
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