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23/10/2026
Atacarejo retoma o fôlego e consolida protagonismo no varejo alimentar
POR João Fernandes
Publicado em:

O Atacarejo atravessa o 3º trimestre de 2026 com sinais de recuperação, depois de um 1º semestre de ritmo mais contido. Segundo o Raio-X do Atacarejo no Brasil, levantamento da NielsenIQ (NIQ), o canal avança em meio a um cenário de consumo desafiador e tem no shopper seu principal motor, já que ele gasta mais e volta com mais frequência às lojas.
Vendas ganham velocidade após semestre mais fraco
No acumulado do ano, o Atacarejo registra alta de 3,6% em valor e de 1,1% em unidades. O ponto mais frágil foi junho, quando as vendas em valor subiram 2,5% e as unidades recuaram 0,5%. A partir de julho o quadro mudou, com crescimento de 5,1% em valor e 1,4% em unidades. Agosto trouxe avanços de 4,8% e 2,4%, e setembro, de 4,0% e 1,0%.
O desempenho semanal de setembro mostra que a retomada ainda oscila. Na primeira semana do mês, as vendas cresceram 10,9% em valor e 6,8% em unidades. Entre os dias 8 e 14, o ritmo caiu para 0,8% e 0,1%, antes de voltar a 10,0% e 5,7% na semana de 15 a 21.
Consumidor gasta mais e visita o canal com mais frequência
A força do canal aparece com clareza nos gastos do shopper. Tomando o primeiro trimestre de 2024 como base, o Atacarejo registrou alta de 30,3% no segundo trimestre de 2026. Enquanro isso, os supermercados grandes avançaram 19,8% e os hipermercados, 12,3%. Os supermercados pequenos seguiram na direção oposta, com queda de 18%.
O engajamento ajuda a explicar esse resultado. A frequência de compra subiu de 23 para 28 idas ao ponto de venda entre o 1º trimestre de 2024 e o 2º de 2026, o que representa cinco visitas a mais do que no supermercado grande, segundo canal em número de visitas. Cada compra reúne 20 itens, oito a mais do que no hipermercado, e o tíquete médio chegou a R$ 161, 36% acima do registrado no Hiper.
Presente em 8 em cada 10 lares, mas com expansão mais contida
A penetração do Atacarejo chega a 80% dos domicílios brasileiros, o que significa que oito em cada dez lares compram no canal.
Mas hoje, esse alcance é construído com um ritmo de expansão física bem diferente do visto no passado.
Entre 1990 e 2006, foram abertas 133 lojas em 16 anos.
Já a chamada "era expansionista" somou 878 unidades em cinco anos, antes de o canal entrar em fase de consolidação.
Já o movimento recente confirma a desaceleração. Foram 231 novas lojas em 2022 (alta de 19,3%) e 232 em 2023 (16,2%), contra 171 em 2024 (10,3%) e 46 em 2025 (2,5%). Em 2026, até aqui, são 31 aberturas, ou 1,6%.
Ao todo, a base da NIQ contabiliza 1.972 lojas de Atacarejo no país.
Participação estável acima de 50% e liderança em várias regiões
Mesmo com o consumo pressionado, o canal sustenta sua fatia. A participação do Atacarejo nas vendas em valor do varejo alimentar saiu de 41,9% no quarto trimestre de 2021 para 51,6% no terceiro trimestre de 2026.
O quadro varia bastante entre as regiões. O Atacarejo responde por 51,3% das vendas no país, mas chega a 69,9% no Nordeste e a 74,6% no Centro-Oeste. A Grande São Paulo se aproxima da média nacional, com 51,5%. As maiores distâncias aparecem na Grande Rio de Janeiro, onde responde por 26,9% das vendas e os supermercados regionais lideram com 60,5%. Em Minas Gerais, Espírito Santo e interior fluminense, o canal tem 39,8%, e os regionais, 56,3%.
Bebidas ganham espaço no carrinho, commodities perdem
Na composição da cesta, as bebidas são o destaque. A categoria cresceu 8% em vendas e passou de 12,1% para 12,7% de importância no total, o maior ganho entre as cestas. O tabaco teve a alta mais expressiva, de 14%, mas ainda pesa só 0,8% do total. Mercearia (20,7%) e perecíveis frescos (19,6%) seguem como as maiores cestas, com avanços de 3% e 5,1%.
O cenário é oposto para as commodities, que recuaram 5,3% em vendas e perderam 1,3 ponto percentual (p.p.) de importância, de 14,7% para 13,4%.
Efeito das commodities esconde o desempenho real
Essa queda tem impacto direto no resultado geral do canal. Com todas as cestas, o Atacarejo cresce 3,6% em valor, abaixo dos 3,9% do varejo. Sem as commodities, a situação se inverte, com 5,1% para o Atacarejo e 5% para o varejo. A NIQ estima que a categoria retire 1,5 p.p. do crescimento total do canal. O dado de setembro de 2026 ainda é parcial.
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