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30/10/2026
Atacarejos podem ser os principais beneficiados pelo fim das bets
POR Barbara Fernandes
Publicado em:

Com 1.972 lojas no Brasil, os atacarejos podem estar entre os formatos do varejo alimentar mais beneficiados pela restrição às apostas online. Essa possibilidade considera dois movimentos:
- O impacto das bets no orçamento das famílias das classes C, D e E
- A queda nas vendas de itens básicos no canal
Segundo dados da NielsenIQ, as commodities foram a única categoria a registrar uma redução nas vendas (-5,3%) dentro dos atacarejos entre 2025 e o acumulado de janeiro a junho de 2026.
Embora não seja possível atribuir essa retração exclusivamente às apostas, a relação merece atenção. Levantamentos anteriores indicam que parte dos consumidores passou a destinar às bets recursos antes reservados à alimentação. Como os atacarejos têm forte presença nas compras de abastecimento e de itens básicos, podem captar uma parcela desse dinheiro caso ele volte a circular no consumo.
Os primeiros indicadores após a restrição reforçam essa possibilidade. Segundo a Abras (Associação Brasileira de Supermercados), as vendas de alimentos essenciais cresceram 6,5% entre 5 e 11 de outubro e 6,3% entre os dias 12 e 18, na comparação com os mesmos períodos do ano anterior. Commodities como arroz, óleo, macarrão e café registraram retomada do consumo em todos os canais.
Os dados, contudo, não permitem isolar o efeito da medida de outros fatores que influenciam as vendas.
Potencial: R$ 62,5 bilhões e 4,75 milhões de pessoas
Em 2025, as plataformas movimentaram R$ 350,97 bilhões em transferências de pessoas físicas, de acordo com levantamento do Comsefaz (Conselho Nacional de Política Fazendária) em parceria com o Centro Internacional Celso Furtado.
Descontados os valores que retornaram aos jogadores, a perda líquida das famílias foi estimada em R$ 62,5 bilhões, e parte desses recursos poderia ter sido destinada ao consumo.
A CNC identificou que 19% dos apostadores reduziram os gastos em supermercados para manter o hábito. Considerando os 25 milhões de brasileiros que apostaram em 2025, isso corresponde a aproximadamente 4,75 milhões de pessoas.
Já a Kantar estimou que 13% do orçamento antes destinado a alimentos e bebidas foi direcionado às apostas, sobretudo entre consumidores das classes C, D e E. Em outro levantamento, o ONI (Observatório Nacional da Indústria) e a CNI (Confederação Nacional da Indústria) apontaram que 37% dos apostadores utilizaram recursos reservados à alimentação para continuar jogando.
Embora os estudos tenham metodologias distintas, os resultados evidenciam a pressão sobre o orçamento doméstico. Sem as apostas, parte desses recursos deve voltar ao consumo, incluindo os atacarejos.
Porém, ainda é cedo para afirmar que a restrição às apostas provocará uma retomada consistente no canal. Os próximos resultados por formato e categoria deverão ajudar a dimensionar esse impacto e a distinguir os efeitos da medida de outros fatores econômicos.
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Barbara Fernandes
Repórter








