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18/06/2026
Planejamento Black Friday: data teve queda, mas café, carnes e alimentos frescos foram na contramão
POR Reportagem SA+ Conteúdo
EM 18/06/2026

Foto: Divulgação
A Black Friday de 2025 apresentou um cenário desafiador para o varejo alimentar. Mesmo com promoções mais agressivas, descontos maiores e maior duração das ofertas, as vendas caíram 2% em valor na semana da data e 5,1% no dia específico da Black Friday. Apesar disso, algumas categorias foram na direção oposta e cresceram no período.
Os dados são de um estudo sobre a data feito pela Scanntech, que pode ajudar o varejista a se preparar para este ano. De a acordo com ele, a quantidade de itens comercializados também caiu: 3,8% na semana sazonal e 1,2% no dia da promoção.
A análise dos dados sugere que o movimento de recuo reflete um consumidor mais cauteloso, que concentrou as compras em categorias consideradas essenciais.
Para se ter uma ideia, todas as cestas analisadas registraram retração na semana da data. Os alimentos, que representaram 60,9% das unidades comercializadas no período, tiveram queda de 1,6% em faturamento e de 2,7% em volume.
Já as bebidas recuaram 3,7% em valor e 6,6% em unidades vendidas, demonstrando que o aumento de preços foi o principal responsável por evitar uma queda ainda maior no faturamento.
Outro dado que ajuda a explicar o cenário é a redução de 7,9% no número de tickets emitidos em novembro de 2025 frente ao mesmo período do ano anterior. Em contrapartida, o gasto médio por compra avançou 3,6%, indicando que o consumidor foi menos vezes às lojas, mas desembolsou mais em cada visita.
Café destaca-se em categorias de alimentos
Entre os alimentos, o café liderou a contribuição para o crescimento do faturamento da Black Friday, respondendo por 21,7% do avanço registrado. A categoria cresceu 23,2% em valor, mesmo com leve retração de 1,7% nas unidades vendidas, evidenciando o impacto dos preços. Também apresentaramm desempenho positivo leite condensado (+5,3%) e amendoim (+1,7%).
Por outro lado, produtos tradicionalmente associados às compras promocionais tiveram desempenho abaixo do esperado. Chocolate registrou queda de 12,9% em faturamento e 16,7% em volume, enquanto balas e pirulitos recuaram 6,2% em valor e 15,6% em unidades. O arroz apresentou a maior retração em faturamento entre os itens analisados, com queda de 34,1%, resultado influenciado pela forte redução de preços.
Nas bebidas, o destaque ficou para as categorias não alcoólicas. Refrigerantes cresceram 4,4% em faturamento e ganharam relevância na cesta, enquanto a água avançou 4,2% em valor e 7,5% em volume. Em sentido contrário, a cerveja, principal categoria do segmento, sofreu retração de 4,8% no faturamento e de 13,2% nas unidades comercializadas.
A mudança no perfil de consumo impacta a Black Friday
O levantamento também aponta uma mudança importante no perfil de consumo durante a data. A cesta de perecíveis foi a que apresentou maior diversidade de categorias contribuindo positivamente para o faturamento.
Entre os destaques estão carne bovina in natura (11,6%), queijo (8,8%), frutas frescas (5,4%), legumes (4,2%) e carne suína in natura (3,9%). O movimento reforça a busca dos consumidores por proteínas e alimentos frescos, mesmo em um ambiente promocional tradicionalmente dominado por produtos industrializados.
Apesar do aumento do esforço promocional dos varejistas, a estratégia não foi suficiente para impulsionar o consumo. O peso promocional total chegou a 40,1%, com crescimento de 5,1 pontos percentuais sobre a Black Friday anterior.
O atacarejo liderou esse indicador, alcançando 46,9%, enquanto o formato de supermercados de médio e grande porte apresentou os maiores descontos médios do mercado. Ainda assim, o desempenho reforça que promoções mais intensas já não garantem, sozinhas, crescimento nas vendas, exigindo dos supermercadistas estratégias mais alinhadas às necessidades e prioridades do consumidor.
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