13/05/2026
Como o Grupo Koch escalou R$ 9 bilhões em quatro anos unindo DNA de feira e tecnologia
POR Ismael Jales
EM 13/05/2026

Geraldo, Albano, Antônio, José e Sebastião Koch. Foto: Divulgação
Oitavo maior varejista do país, o Grupo Koch consolidou um salto histórico ao mais que triplicar seu faturamento em apenas quatro anos. Saltando de R$ 3,5 bilhões em 2021 para R$ 12,9 bilhões em 2025 – uma alta de 268% –, a empresa catarinense opera atualmente 96 lojas em cerca de 40 municípios de Santa Catarina. O objetivo para 2026 é claro: romper a barreira das 100 unidades, sustentando um crescimento que combina expansão regional agressiva, precisão operacional e investimento robusto em tecnologia.
Fundado em 1994, em Tijucas (SC), o Grupo Koch tem origem na trajetória de uma família de feirantes da Grande Florianópolis. Antes da inauguração da primeira loja física, os irmãos Koch atuaram durante 14 anos em feiras livres da região, experiência que ajudou a construir a base operacional e comercial da companhia. Com forte atuação no setor de hortifrúti, a rede expandiu suas atividades no varejo alimentar catarinense e, ao longo dos anos, estruturou sua operação em duas frentes: o SuperKoch, voltado ao modelo de supermercado de vizinhança, e o Komprão Koch Atacadista, bandeira de atacarejo responsável pela expansão em escala do grupo.
Em entrevista exclusiva à SA+, José Koch, um dos fundadores e atual CEO, explicou que o SuperKoch tem como prioridade a conveniência e a fluidez na jornada de compra. A marca se destaca pela aposta em perecíveis, oferecendo hortifrúti fresco, açougue com cortes selecionados e confeitaria própria. O modelo é coroado por uma padaria com autoatendimento, tendência que garante ganho de margem e proporciona autonomia ao cliente. Já a bandeira Komprão une preços competitivos para famílias e soluções para pequenos comerciantes locais.

O plano de expansão e o cercamento regional
A inteligência geográfica do grupo envolve uma regionalização minuciosa. Mais do que desbravar novas fronteiras, o Koch busca cercar o cliente nas cidades onde já domina, introduzindo as duas bandeiras na mesma localidade para atender diferentes momentos de compra.
“Nosso plano de expansão segue o planejamento estratégico atual do Grupo, que é de seguir crescendo nas praças onde já atuamos e também em cidades onde ainda não estamos atuando com as duas bandeiras. Um exemplo foi o caso de Blumenau, que tínhamos lojas da bandeira Komprão e abrimos uma loja do SuperKoch”, explica José Koch.
O grupo chega a 2026 impulsionado por um desempenho robusto, visto que em 2025 foram abertas 11 novas lojas, gerando um crescimento de 25% na companhia. Para o ciclo atual, a previsão é inaugurar 14 unidades, ultrapassando a marca histórica de 100 lojas operadas no estado. O reflexo financeiro esperado dessa expansão é a manutenção do crescimento acima dos dois dígitos, com projeção de alta de 20% no faturamento até o final do ano.

Os desafios no caminho da escala
Apesar do ritmo acelerado, a liderança aponta gargalos importantes, especialmente a escassez de mão de obra.
“No Sul do Brasil, a taxa de desemprego é muito menor do que a média nacional. Esse cenário nos desafia todos os dias a melhorarmos os planos de atratividade e retenção de mão de obra”, aponta o CEO.
Além do fator humano, o varejo enfrenta um cenário macroeconômico complexo. Na disputa pela renda do consumidor, o Grupo Koch lida com o avanço do endividamento das famílias, a deflação alimentar e mudanças de comportamento geradas por novos gastos, como o impacto das plataformas de apostas e medicamentos de alto custo no orçamento doméstico.
Copa do Mundo e vanguarda tecnológica
Para compensar essas pressões no consumo diário, o grupo aposta em grandes eventos sazonais. José Koch demonstra otimismo com a Copa do Mundo, que historicamente impulsiona categorias como bebidas e carnes.

"Estamos otimistas e acreditamos que será um ano bom para o varejo como acontece sempre; deve haver incremento das vendas durante o período da competição", resume o presidente do Grupo Koch.
Buscando otimizar a operação e contornar a dificuldade de contratação, o Grupo Koch transformou a tecnologia em diferencial competitivo. A varejista tornou-se pioneira no país ao inaugurar lojas operando com 100% de checkouts híbridos, um sistema que integra caixas com operador e autoatendimento na mesma interface.
Segundo o executivo, essa inovação garante máxima autonomia ao cliente e é sustentada por investimentos em inteligência digital, que incluem a revisão de planogramas, o fortalecimento do e-commerce e o canal de televendas B2B.

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