19/03/2026
Efeito Ozempic: usuários de canetas emagrecedoras compram cerca de 4% menos alimentos e bebidas
POR Reportagem SA+ Conteúdo
EM 19/03/2026

Foto: Adobe Stock
O avanço dos medicamentos para perda de peso, como Ozempic e Mounjaro, deixou de ser uma tendência restrita à saúde para se tornar um fator de impacto direto no setor de bens de consumo massivo. De acordo com estudo sobre o tema realizado na Espanha pela Worldpanel by Numerator, lares que utilizam esses fármacos da classe dos agonistas de GLP-1 – popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras – já registram uma redução média de 3,8% no volume de compras de alimentos e bebidas e de 3,1% no valor gasto. A queda é mais acentuada nas categorias de indulgência.
Atualmente, esses tratamentos estão presentes em cerca de 6% dos lares espanhóis (mercado base do estudo), movimentando um gasto estimado de 5,4 bilhões de euros. No entanto, o reflexo nas gôndolas é o que mais acende o sinal de alerta para varejistas e indústrias.
No Brasil, as canetas emagrecedoras são cada vez mais utilizadas por quem busca a perda de peso. E a tendência é que elas se tornem ainda mais populares a partir de sexta-feira (20/3), quando expira a patente da semaglutida, substância usada em medicamentos como o Ozempic.
Categorias mais afetadas: Indulgência em queda
De acordo com o estudo da Worldpanel by Numerator, a mudança no padrão de consumo é seletiva. O medicamento atua na redução do apetite e na sensação de saciedade, o que atinge diretamente os itens de consumo impulsivo ou indulgente. Entre as categorias com maiores retrações nesse público, destacam-se:
• Chocolates: queda de 17,9%;
• Snacks: recuo de 13,5%;
• Bebidas Alcoólicas: o vinho registrou queda de 12,5%, enquanto a cerveja recuou 11,4%.
Por outro lado, o estudo aponta que categorias ligadas a uma dieta mais equilibrada e proteínas mantêm maior resiliência, sugerindo uma migração do "carrinho emocional" para um consumo mais funcional.
Desafios e Oportunidades para o Varejo
Para o varejista, o cenário pode exigir uma revisão do sortimento e das estratégias de exposição. Uma oportunidade pode ser ampliar o foco em porções menores, além de adaptar as comunicações de PDV para atender a esse novo perfil de shopper, que busca saúde e eficiência calórica.
O que pode correr no mercado brasileiro?
Embora o estudo tenha foco na Europa, o fenômeno é global e, no Brasil, pode acelerar a demanda por itens frescos, iogurtes e proteínas, enquanto desafia as margens das categorias de ultraprocessados e doces. Confira três pontos de atenção para lidar com as mudanças no comportamento de consumo:
• Acompanhe o fluxo: Monitore a queda de volume em categorias críticas (snacks/doces).
• Reveja o Mix: Invista em opções de "indulgência saudável" e porções reduzidas.
• Dados são a chave: Use o histórico de compras para identificar mudanças de hábito precoces no seu PDV.
Fonte: Food Retail & Service
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