15/10/2026
IA otimiza compras e estoques, enquanto robotização deve transformar o varejo, avalia especialista
POR Giovanna Cazuza
Publicado em:

A tecnologia tem ganhado cada vez mais espaço nas estratégias do varejo alimentar, especialmente com o avanço da inteligência artificial (IA), que oferece oportunidades para aprimorar a gestão de compras, otimizar estoques e tornar a precificação mais eficiente.
Para Eloi Assis, diretor-executivo de produtos para varejo da TOTVS, o uso dessas ferramentas pode contribuir diretamente para a rentabilidade dos supermercados, desde que esteja acompanhado de processos bem-estruturados e equipes preparadas. O executivo conversou com a SA+ durante o evento Universo TOTVS, que aconteceu nos dias 13 e 14/10, em São Paulo (SP)
Segundo Assis, a inteligência artificial já apresenta maturidade suficiente para apoiar diferentes etapas da operação, desde o abastecimento até o relacionamento com o consumidor. “Com a IA tendo tanto poder, esse poder tem que se reverter em resultado para o varejista”, afirma.
O especialista destaca que a transformação tecnológica também modifica a relação entre vendedores e consumidores. Se antes o cliente chegava à loja com o celular em mãos para comparar preços e consultar características dos produtos agora os profissionais do varejo também podem utilizar ferramentas digitais para responder às demandas com maior precisão.
A proposta é fornecer informações em tempo real para que os vendedores consigam esclarecer dúvidas, negociar preços e aumentar as chances de conversão das vendas.
Robotização deve ganhar espaço no médio e longo prazo
Olhando para os próximos anos, Assis aponta a robotização como uma das transformações que podem ganhar força no varejo brasileiro. Atualmente, os equipamentos ainda apresentam custos elevados e barreiras para adoção, mas o especialista acredita que sua presença tende a crescer.
“Efetivamente combinados com a IA, os robôs vão cada vez mais liberar tempo das pessoas para que possam fazer o trabalho de pensar e de interagir com os outros seres humanos. Um mundo em que realmente as máquinas fazem o trabalho de máquinas e os humanos fazem o trabalho de humanos”, projeta Assis.
Precificação dinâmica ainda enfrenta desafios na execução
A estratégia ainda encontra obstáculos para alcançar todo o seu potencial nas lojas físicas. Na avaliação de Assis, as ferramentas para recomendar alterações de preços já estão disponíveis, mas sua implementação depende da capacidade operacional dos supermercados de executar essas mudanças com rapidez e precisão.
Nesse sentido, o uso da etiqueta eletrônica pode ajudar muito. “Isso permite ao varejista fazer com que a venda converta. Ele pode prestar informação na hora certa, podendo estar preparado para fazer uma negociação, para que ele possa prestar um preço certo, e efetivamente fazer com que a venda venha.”, afirma.
O desafio envolve a atualização dos preços nas gôndolas, a organização do planograma e a correspondência correta entre as etiquetas e as mercadorias.
Integração de canais exige tecnologia, processos e treinamento
Para Assis, estar presente nos diferentes canais de venda é fundamental, já que o consumidor escolhe onde deseja comprar. “Se ele quer comprar num marketplace, se ele quer comprar num aplicativo de delivery, ele vai comprar. E se você não está lá, você opta por perder uma venda”, destaca.
O executivo avalia que os supermercados precisam oferecer uma experiência de compra tão simples e conveniente quanto a dos concorrentes digitais, com entregas rápidas, processos eficientes e disponibilidade confiável dos produtos.
A tecnologia pode ajudar os varejistas a fortalecer seus próprios canais de venda e, assim, estimular o consumidor a comprar diretamente da rede. Para isso, é necessário combinar sistemas adequados com processos bem-definidos e treinamento das equipes.
Assis alerta que falhas operacionais podem comprometer toda a experiência, mesmo quando a empresa investe em ferramentas modernas. Pedidos que demoram para ser processados, estoques desatualizados e produtos indisponíveis geram frustração e podem levar o cliente a procurar outra plataforma.
Ao aprimorar a experiência de compra nos canais próprios, os supermercados podem aumentar as vendas, controlar custos e melhorar as margens, reduzindo a dependência de intermediários.
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Giovanna Cazuza








