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08/10/2026
Luz verde na reestruturação: GPA homologa recuperação extrajudicial e alivia dívida de R$ 4,5 bi
POR Barbara Fernandes
Publicado em:

O GPA conseguiu ontem (7) a aprovação final de seu plano de recuperação extrajudicial pela Justiça de São Paulo, concluindo a renegociação de uma dívida de aproximadamente R$ 4,5 bilhões. A decisão foi tomada pela 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central da Capital. O plano recebeu o apoio de credores que representam 57,5% dos débitos abrangidos, percentual superior ao exigido pela Lei de Recuperações e Falências.
Na sentença, o Judiciário também rejeitou as contestações apresentadas por credores ao longo do processo, entre elas os questionamentos do Grupo Casas Bahia.
Com a homologação, o GPA encerra a etapa judicial de reestruturação do passivo e passa a concentrar esforços na recuperação da eficiência operacional e no fortalecimento de sua atuação no varejo alimentar.
Em agosto, Alexandre Santoro, CEO do GPA, ressaltou o caráter transformador da medida. "A recuperação extrajudicial é um instrumento para fortalecer a Companhia e não um objetivo por si só. A homologação desse processo representa um passo importante nessa direção. Ela nos devolve flexibilidade financeira e cria as condições para acelerar a transformação operacional", afirmou.
Contudo, para Vera Bermudo, professora de finanças da FGV, Conselheira e CFO, a efetividade do acordo dependerá da capacidade do GPA de reestruturar sua operação e sustentar a geração de caixa operacional.
“O que assistimos é um caso de negociação de dívida, que por um lado preserva a continuidade operacional, mas ao custo de diluição acionária, com reperfilamento e deságios expressivos para os credores”, explica.
Os débitos abrangidos pelo plano foram oficialmente novados e substituídos por um novo modelo de pagamento. Os credores puderam escolher entre três modalidades de quitação, com diferentes condições de prazo, remuneração e conversão da dívida em participação acionária.
Como ficou a renegociação da dívida
Opção A, escolhida por 88,40% dos credores: é a modalidade principal e não prevê deságio nominal sobre o valor da dívida. Em contrapartida, exigiu dos aderentes o aporte de dinheiro novo, garantindo a captação de R$ 200 milhões para reforçar o caixa da empresa. A alternativa também prevê a conversão de R$ 1,1 bilhão em dívida para participação acionária (equity) entre 2027 e 2031, reduzindo o endividamento bruto da companhia. A modalidade atraiu desde grandes bancos até pequenos investidores de mercado organizados via fundos da XP e da Itaú Asset.
Opção B, escolhida por 8,34% dos credores: destinada aos credores que optaram pelo alongamento dos créditos sem a necessidade de novos aportes. O pagamento será feito por meio de novas debêntures, com amortização final prevista para 2036 e rendimento atrelado ao CDI.
Opção C, correspondente a 3,26% dos credores: aplicada aos credores que não fizeram aportes ou não manifestaram escolha dentro do prazo do processo. A modalidade prevê deságio de 70% sobre o valor do débito, além de carência prolongada e pagamentos entre 2032 e 2036.
O que ocorre agora?
Com a homologação judicial, o GPA passa a operar sob as novas condições estabelecidas no plano. Entre os principais efeitos estão:
- Alongamento dos prazos: o prazo médio de vencimento da dívida não conversível passa de 2,1 anos para 6,4 anos
- Redução do custo da dívida: o custo médio do endividamento não conversível cai de CDI + 1,8% ao ano para CDI + 0,5% ao ano
- Novos recursos para o caixa: o GPA emitirá novas debêntures e captará R$ 200 milhões para reforçar a liquidez da companhia
- Operação comercial preservada: fornecedores de produtos e serviços, clientes e parceiros de aluguel não integram a recuperação extrajudicial. Os contratos e pagamentos seguem normalmente, sem impacto no funcionamento das lojas
Fôlego para a operação no varejo alimentar
Fundado em 1948 e controlador de redes como Pão de Açúcar, Minuto Pão de Açúcar, Extra Mercado e Minimercado Extra, o GPA administra mais de 728 lojas e 36 postos de combustível. Em 2025, o grupo registrou faturamento bruto de R$ 20,6 bilhões.
A reorganização do passivo busca ampliar a flexibilidade financeira e permitir que a empresa mantenha o foco na competitividade e na experiência do cliente, tanto nas lojas físicas quanto no comércio eletrônico.
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Barbara Fernandes
Repórter








