12/05/2026
Minimercados autônomos: por que o varejo tradicional não lidera o segmento, hoje nas mãos das startups?
POR Giovanna Cazuza
EM 12/05/2026

Market4U é uma das startups que operam lojas autônomas - Foto: Divulgação
As lojas autônomas vêm ganhando espaço nos grandes centros urbanos e consolidando um novo modelo de conveniência no varejo brasileiro. O crescimento acelerado do formato, no entanto, revela uma característica curiosa: as operações são lideradas majoritariamente por empresas de tecnologia, e não por grandes redes varejistas tradicionais. Startups como Market4u, SmartStore, Mirko e Minha Quitandinha vêm ampliando presença em condomínios e disputando espaço em um mercado ainda em consolidação.
Fernando Gambôa, sócio-líder de consumo e varejo da KPMG no Brasil, explica que o surgiu dessa forma: “Ele já nasceu com uma proposta de operar baseado em dados. As emprersas não tinham histórico. Então precisaram se adaptar muito rapidamente e colocar esses dados para trabalhar para eles", afirma.
"Em uma rede de supermercado tradicional, tem o time comercial, que já é muito experientes e tem uma concepção, entendimento de mercado e da sazonalidade que, por vezes, os compradores deixam o dado um pouco de lado e trabalham muito mais no seu conhecimento – porque eles conhecem muito bem o negócio, o que funciona.”
Fernando avalia que, em contrapartida, o segmento de lojas autonômas é diferente. Apesar de ser muito parecido com o do supermercado, o sortimento contempla menos SKUs, com foco sobretudo na conveniência.
Segundo ele, "quando se olha as empresas que estão trabalhando esse formato, parte delas opera com franquia, que não é tradicional no varejo. O supermercado é um modelo, no Brasil, predominantemente familiar. É um negócio com real estate junto."
Operação mais leve e flexível
Outra diferença está na estrutura operacional. De acordo com o executivo, a pressão sofrida por uma loja autônoma é diferente da enfrentada por supermercados tradicionais.
“Se não performa bem, uma unidade pode ser desmobilizada rapidamente. Diferentemente de uma grande loja, que envolve contratos longos de aluguel e alto investimento em estrutura, os minimercados possuem operações muito mais leves e flexíveis”, afirma.
Essa facilidade de adaptação permite trocas rápidas de operação e de sortimento dentro dos condomínios, reduzindo o risco financeiro do modelo.
Grandes redes ainda avançam com cautela
Enquanto as startups aceleram a expansão, parte do varejo alimentar ainda participa timidamente do segmento. Algumas redes optam por firmar parcerias com empresas especializadas em vez de criar operações próprias. O grupo mineiro Super Nosso, por exemplo, atua em parceria com a Honest Market. Já o Enxuto desenvolve iniciativas ao lado da Buy Bye.
Para o executivo da KPMG, a adoção de modelos autônomos representa uma transformação operacional profunda. “Mesmo lojas de proximidade ainda dependem de checkouts convencionais. A automação total exige uma mudança cultural e operacional significativa para o varejo", avalia o especialista.
Conveniência “a um elevador de distância”
A possibilidade de comprar itens básicos dentro do próprio condomínio, sem filas e em qualquer horário, tornou o modelo atrativo principalmente em cidades com rotina acelerada.
“Acompanhei muito de perto a Market4u, porque ela foi uma empresa que participou de um programa aqui na KPMG — eu lembro de um slogan deles de 'conveniência a um elevador de distância'. Aquilo para mim foi sensacional, porque era muito bacana ter essa proximidade e conveniência”.
Crescimento de 8 vezes e o início de tudo
Segundo estimativa da AMLabs, fornecedora de soluções para o segmento, o número de minimercados autônomos no Brasil pode saltar dos atuais 25 mil para até 200 mil unidades nos próximos anos. A projeção considera o potencial de expansão em condomínios residenciais, empresas, academias e outros espaços privados.
Fernando Gambôa, sócio-líder de consumo e varejo da KPMG no Brasil, ressalta que as lojas autônomas sofreram um boom na pandemia. “Você pega uma empresa como a Smart Break, ela já vinha fazendo loja autônoma – pequenos mercadinhos – em prédios comerciais. Então, o prédio comercial começa como um bom negócio para essas empresas. Quando vem a pandemia, esse negócio para, porque a gente deixa de ir aos escritórios. Então a gente tem, praticamente, uma quebra daquele modelo, o que faz com que eles migrem para condomínios.“
Expansão para além das capitais
O executivo afirma que tem dúvidas se o apetite das startups nortearão a expansão para o interior: “Eu entendo que vai continuar avançando. Há dúvida de como vai ser a penetração do modelo saindo dos grandes centros urbanos. Não sei o quanto eles possuem de apetite. Provavelmente no interior de São Paulo já tem bastante condomínio horizontal com mercadinho dentro, e isso tem sido um formato bacana.”
A expectativa do mercado é de que o crescimento continue especialmente em regiões metropolitanas e condomínios de médio e alto padrão. Com o amadurecimento do setor, a tendência é que o modelo avance também para escritórios corporativos, universidades e academias, ampliando a disputa entre startups especializadas e grandes redes supermercadistas.
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Giovanna Cazuza








