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04/09/2026
Natal: faturamento do varejo alimentar sobe 8,5%, mas unidades vendidas caem
POR João Fernandes
Publicado em:

O consumidor brasileiro gastou mais no Natal de 2025, mas levou menos produtos para casa. É o que mostra a comparação entre a Semana do Natal de 2025 (22 a 28 de dezembro) e a Semana do Natal de 2024 (23 a 29 de dezembro): o faturamento da seleção de produtos natalinos cresceu no varejo alimentar brasileiro, mas o avanço veio inteiramente do aumento de preços, enquanto o volume de unidades vendidas recuou. Ou seja, mais dinheiro no caixa, porém menos itens na cesta.
Os dados fazem parte de um levantamento da Scanntech que acompanha a performance do varejo alimentar em datas sazonais com base em uma amostra de mesmas lojas. A seleção de produtos de Natal analisada reúne 21 categorias, entre elas Bovino In Natura, Frango In Natura, Suíno In Natura, Comemorativo, Padaria Sazonal, Cerveja, Vinho, Refrigerante, Sorvete e Fruta In Natura.
Alavancas de crescimento: alta vem do preço, não do consumo
O retrato geral da data reforça uma tendência que já vinha se desenhando no setor independente da época: o faturamento cresce, mas, puxado pela inflação dos produtos, não pelo aumento do consumo. Na Semana do Natal de 2025, o preço médio subiu quase 11% em relação a 2024, enquanto as unidades vendidas caíram 2,1%. Mesmo assim, o resultado foi um avanço de 8,5% em valor.
Três categorias concentraram a maior parte desse resultado positivo: Bovino In Natura (+18,7% em valor), Comemorativo (+27,7%) e Suíno In Natura (+9,0%). Juntas, elas têm peso relevante na cesta natalina e ajudam a explicar por que o faturamento subiu mesmo em um cenário de queda no volume.
Cada segmento cresceu à sua maneira
Colocando os três grandes segmentos lado a lado, o Radar deixa claro que a data não teve um comportamento único. Cada fatia da cesta seguiu uma lógica diferente para chegar ao resultado positivo em valor. Alimentos foi o único dos três a crescer simultaneamente em preço, valor e unidades vendidas, o que reforça sua posição como o motor mais saudável da data. Bebidas, mesmo respondendo por uma fatia de peso quase equivalente (41,1% ante 49,3% de Alimentos), fechou no azul principalmente devido à alta no preço médio, enquanto as unidades vendidas caíram 7%. Sobremesas, por sua vez, teve o melhor desempenho percentual entre os três — mas seu peso reduzido na cesta, de apenas 9,6%, faz com que essa boa performance não seja suficiente para alterar o quadro geral da data.

Alimentos: bovinos puxam o crescimento, frango é a exceção
Em Alimentos, o Bovino In Natura é o grande protagonista, com peso em valor de 42,1% do segmento e alta de 18,7% em valor e 8,6% em unidades, puxando praticamente sozinho o resultado positivo da categoria. Já o Frango In Natura, segundo em importância (18,3%), foi a exceção da data. Mesmo vendendo mais unidades (+3,6%), fechou com queda de 0,6% em valor. O Suíno In Natura teve desempenho mais equilibrado, com alta de 9% em valor e 1,1% em unidades.
Já o Comemorativo cresceu 27,7% em valor e 13,7% em unidades. Pão (-2,6% em valor e -7,7% em unidades) e Linguiça (-6,4% e -4,0%) foram as únicas categorias do segmento com queda simultânea em valor e volume. Já Queijo, Frios Industrializados e Maionese cresceram nas duas frentes, com destaque para o Legume, que teve o salto mais expressivo do segmento: +31,6% em valor e +44,3% em unidades.

Bebidas: cerveja se sustenta como protagonista mesmo com queda no consumo
A Cerveja, que sozinha representa 52,1% das Bebidas, perdeu 13,7% em unidades vendidas e ainda assim fechou o valor em alta de quase 0,5%, sustentada pelo reajuste de preço. Já o Refrigerante, segunda categoria em importância (29,1%), cresceu nas duas pontas: +12,3% em valor e +5,2% em unidades.
O recorte por tipo de bebida deixa clara a diferença de comportamento entre alcoólicas e não alcoólicas: Cerveja e Cachaça somadas representam mais de 28% da queda em unidades do setor; Espumante (-8,5%), Vinho (-6,4%) e Licor (-1,8%) também recuaram em unidades. Já as não alcoólicas, Refrigerante e Energético, somam quase +19% em valor e +8,5% em unidades sendo as únicas a crescer nas duas pontas no segmento.
Esse fato pode ser encarado como uma consequência da era de saudabilidade que os consumidores vivem, com o advento das canetas emagrecedoras e mudanças de hábitos e comportamentos.

Sobremesas: o único segmento que não perdeu consumo; e a liderança da fruta in natura
Sobremesas é a única fatia da seleção de Natal em que nenhuma categoria perdeu unidades vendidas — sinal de aumento real de consumo, e não apenas de repasse de preço.
O destaque fica por conta da Fruta In Natura, segunda categoria mais relevante do segmento (26,4% do valor). O volume vendido saltou 41,8%, mais de três vezes o crescimento em faturamento (+12,7%).
A Padaria Sazonal, maior categoria do segmento (44,2% do valor), também teve bom desempenho, com alta de 23,3% em valor e 18,2% em unidades. Já o Sorvete registrou a maior variação de faturamento entre todas as categorias de Sobremesas no período (+35,2%), acompanhada de crescimento de 30,8% em unidades. Fruta em Calda (próximo dos +2% em valor e praticamente estável em unidades) e Fruta Seca (+14,1% em valor e +2,7% em unidades) completam o segmento com avanços mais discretos.

No fim das contas, o Radar Sazonal de Natal 2025 confirma que o brasileiro segue disposto a manter os rituais e a mesa das celebrações, mas também já vem optado opções mais saudáveis, mesmo em meio a celebração. Para o varejo, o desafio que fica para 2026 é entender quais são as categorias em ascensão e quais tradicionais permanecem com relevância para otimizar o sortimento na data e alavancar as vendas não só em faturamento, mas também em unidades vendidas.
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