04/09/2026
Lições do varejo português que inspiram os negócios no Brasil
POR Reportagem SA+ Conteúdo
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O que o varejo português pode ensinar ao Brasil? Mais do que conceitos ou tendências, a resposta está na forma como diferentes empresas organizam seus negócios a partir de escolhas estratégicas claras. Em comum, aparecem temas como conhecimento do cliente, eficiência, personalização, marca própria, conveniência, experiência e integração entre canais, mas cada varejista encontra uma maneira própria de transformar essas ideias em prática.
É esse olhar que marcou a Missão Lisboa, iniciativa da SA+ Internacional, que chega ao fim nesta sexta-feira, 4 de setembro, depois de uma imersão no varejo alimentar e em diferentes formatos do mercado português. Ao longo da programação, os participantes conheceram de perto empresas e conceitos que ajudam a ampliar a visão sobre os caminhos possíveis para o varejo brasileiro.
No Continente, um dos principais aprendizados está na capacidade de colocar o shopper no centro das decisões. O conhecimento gerado a partir do relacionamento com os consumidores alimenta escolhas de sortimento, promoção, comunicação, serviços e inovação. O Cartão Continente, lançado em 2007, é uma das bases dessa estratégia, ao transformar histórico transacional em dados para segmentação e relacionamento. A lógica também aparece no Co-Lab, centro de inovação de 1.200 m² onde consumidores, fornecedores e equipes participam do desenvolvimento e teste de produtos.
No Mercadona, a simplicidade ganha protagonismo. O chamado “Chefe”, como a empresa denomina seus clientes, orienta decisões de produto e serviço, enquanto um sortimento mais eficiente reduz redundâncias e dá função clara às referências. A marca própria ocupa papel central nesse modelo, combinando diferenciação, inovação e controle sobre a proposta oferecida ao consumidor. A operação também mostra como produtividade, digitalização e logística podem ser trabalhadas em conjunto para sustentar a rentabilidade.

Já o Pingo Doce reforça a importância de fazer da alimentação um elemento de frequência. O conceito All About Food se traduz em uma experiência apoiada em frescos e refeições prontas, além de uma presença relevante de marca própria. A combinação entre oferta, promoção, fidelização e execução em escala mostra que conveniência não precisa significar uma experiência menos cuidadosa.
No Intermarché, a principal lição vem do próprio modelo de negócio. As lojas são comandadas por empresários independentes, que contam com uma estrutura central de compras, logística, desenvolvimento e qualidade. Ao mesmo tempo, existe espaço para autonomia local, inclusive na compra de produtos e frescos. É uma maneira de combinar escala com conhecimento da comunidade, mostrando que padronização e proximidade não necessariamente são conceitos opostos.
A experiência ganha ainda mais força no El Corte Inglés, onde o varejo funciona como um ecossistema. Moda, beleza, casa, alimentação, gastronomia e serviços convivem em uma mesma jornada. O Club del Gourmet trabalha a curadoria como diferencial, enquanto a Gourmet Experience transforma alimentação em destino. Serviços como personal shopper e soluções de integração entre loja física e digital completam uma proposta na qual o valor não está apenas no produto, mas em toda a experiência.

No Lidl, a eficiência aparece como fundamento do modelo. A escala global é combinada com uma proposta baseada em simplicidade, qualidade e preço, tendo a marca própria como elemento central. Em Portugal, a empresa também vem explorando a cocriação com consumidores por meio do Lidlab, dedicado a testes e desenvolvimento de produtos. A eficiência, nesse caso, ultrapassa a operação da loja e chega à infraestrutura, com investimentos em energia, refrigeração e modernização dos ativos.
A Auchan, por sua vez, evidencia outro desafio contemporâneo: administrar diferentes formatos e jornadas dentro de um mesmo ecossistema. A empresa combina lojas físicas, e-commerce, proximidade e serviços digitais, mostrando uma forma eficiente de integrar formatos, sistemas e propostas de valor.
Fora do varejo alimentar tradicional, a LX Factory acrescenta outra perspectiva. A transformação de um antigo complexo industrial em polo de comércio, gastronomia, cultura e criatividade mostra como o espaço físico pode ser construído para gerar descoberta, permanência e sociabilidade. Nesse modelo, identidade local, curadoria e convivência entre pequenos operadores criam um ecossistema no qual a experiência é parte do produto.
No fim, as visitas da Missão Lisboa mostram que não existe uma única fórmula para o futuro do varejo. O que existe são escolhas estratégicas bem definidas e modelos capazes de traduzi-las em execução. A inovação não está apenas no que é novo, mas também na maneira como cada negócio faz suas escolhas e as sustenta no dia a dia.
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