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21/10/2026
Por dentro da MGO 2.0: como o Grupo Muffato chegou à nova geração de loja 100% autônoma
POR Alessandra Morita
Publicado em:

Quem chega à MGO, do Centro Cívico de Curitiba (PR), está prestes a conhecer uma nova experiência dentro de uma loja 100% autônoma, embarcada com as mais modernas tecnologias, Inteligência Artificial e por um sentimento muito humano: a resiliência.
É isso o que separa a primeira unidade do formato, inaugurada em 2022 pelo Grupo Muffato, da segunda, que abre suas portas hoje (21/10). Se, por um lado a tecnologia e a IA permitiram a evolução do modelo por meio da interpretação contínua de dados; por outro, a resiliência foi a base para entender a necessidade de seguir aprendendo para buscar uma jornada mais fluida e sem atritos para o consumidor.
Sob certo aspecto, o MGO 2.0 – como a nova geração está sendo chamada pelo Grupo – pode ser entendido como o encontro do disruptivo com as boas e velhas disciplinas do varejo, como o cuidado com a localização, o sortimento e o atendimento. Trata-se de uma experiência de supermercado com as facilidades que a tecnologia pode prover.
Um exemplo é a possibilidade de entrar numa unidade autônoma sem a necessidade de baixar um aplicativo para liberar a entrada, passando apenas por uma catraca eletrônica, e finalizar as compras pelo self checkout sem a necessidade de tirar um único item da cesta de compras.
“Saímos de um modelo de laboratório para um modelo de negócio”, afirma Everton Muffato, diretor da varejista. A nova loja foi desenvolvida a partir de informações e aprendizados da primeira, o que permitiu conhecer o comportamento e hábitos do consumidor, além do próprio formato em si.
Segundo o empresário, o MGO 2.0 é o principal ponto de visão de futuro do Grupo. “É para onde a gente acredita que a tecnologia vai avançar dentro do nosso varejo, resolvendo alguns entraves, como a experiência do consumidor no caixa, as filas e a produtividade. Acreditamos que o varejo do futuro passará por esse caminho”, afirma Everton.
Quatro anos de evolução constante
Desde o momento da inauguração da primeira loja MGO, o projeto – considerado então um piloto – continuou evoluindo entre a varejista, por meio do Muffato Labs [plataforma de TI da empresa], e a Sensei, empresa de origem portuguesa responsável pela tecnologia. De acordo com Ederson Muffato, também diretor do Grupo, a empresa nunca parou de aprender com o projeto.
“Fomos mudando muita coisa. Quando colocamos o totem de pagamento, por exemplo, a venda da loja subiu 40% porque conseguimos quebrar a resistência das pessoas de baixar o aplicativo, escanear, etc.”, explica Ederson.
Nesse sentido, Everton acrescenta que, na época em que foi inaugurada, a primeira loja contava com um nível de segurança mais rígido no aplicativo para cadastramento do cartão. Dessa forma, nem todos eram aceitos, o que acabava gerando uma fricção para o cliente.
Democrática e híbrida
O MGO 2.0, além de incorporar uma solução para essa barreira, oferece mais duas modalidades no processo de pagamento e também no de ingresso à unidade. “A grande revolução é a democratização que fizemos nessa loja”, ressalta Everton.
Na modalidade sem aplicativo, o consumidor simplesmente entra na loja e faz a sua jornada sem identificação. Ele coloca os produtos na cesta e, ao chegar nos guichês de autoatendimento, os produtos aparecem instantaneamente na tela, sem precisar passar nenhum item pelo escâner. O cliente só precisa escolher a forma de pagamento, que pode ser cartão de débito ou crédito, vale alimentação ou vale presente.
Já o processo de pagamento adotado na primeira unidade continua disponível na atual. Chamado de jornada GO, ele exige o uso do aplicativo e o respectivo cadastramento de um cartão de crédito. Os itens são comprados normalmente e, no final, o consumidor pode sair da loja sem passa por qualquer checkout.
Por fim, a outra novidade é a presença de um terminal de pagamento tradicional operado por um colaborador da loja. Ele pode ser usado por clientes que desejam um atendimento humanizado ou que têm dúvidas sobre como utilizar as outras modalidades.
Tecnologia moldando a experiência
Trazer a jornada de uma loja que se propõe a oferecer um circuito de compras lógico, convidativo, funcional e “sem paradas” para a vivência já conhecida e estabelecida do consumidor em um supermercado tradicional é impossível sem uma tecnologia que permita unir os dois mundos.
Se não forem adotadas soluções adequadas e menos complexas, até o tamanho da loja pode ser uma barreira para tornar o negócio escalável. A unidade anterior da MGO tinha cerca de 200 m2, enquanto a nova possui 580 m2. “Esse é outro desafio da tecnologia. Aqui o ambiente é menos controlado e mais ampliado. Então, por exemplo, a gente entendeu os sensores. Naquela loja, a limitação para eles era 50 gramas de produto, o que impossibilitava de trabalhar com uma goma de mascar, uma gelatina e outros itens de bombonier. Já nessa unidade, a tecnologia é mais avançada, comportando 15 gramas”, comenta Everton.
Seguindo com a comparação, o empresário explica que, na MGO anterior, a imagem era uma visão computacional por reconhecimento de imagem e que, agora, ela conta também com IA embarcada, capaz de fazer interpretações, enquanto no modelo anterior só eram feitas correlações. “Esta é uma loja inteligente com uma IA regenerativa, que vai evoluindo quanto mais você compra”, completa.
É assim que funciona, por exemplo, a balança inteligente. “É a primeira loja do Brasil com solução de inteligência artificial”, diz Everton. O equipamento reconhece o produto por imagem e gera a etiqueta com o código de barras. A tecnologia permite ainda que o cliente tenha a opção de escolher e pesar seus hortifrútis, como acontece num supermercado tradicional. Na geração anterior, a opção de vendas era basicamente itens embalados.
Varejo raiz
A MGO 2.0 é considerada pela empresa como um modelo de negócio com grande potencial para ser escalado. Essa avaliação não se deve apenas à tecnologia, mas também por características importantes do varejo raiz. É o caso da localização, um dos mais importantes atributos de decisão de compras.
A nova unidade da MGO fica no centro da capital paranaense, em frente ao Shopping Müller. “Esse local é o coração de Curitiba. É um dos lugares com maior circulação da cidade. Está próximo da prefeitura e outros órgãos, universidades, cursinhos, entre outros”, explica Ederson.
Por conta disso, o sortimento – outro importante pilar de experiência – foi desenhado para atender uma jornada de compras equivalente ao de um supermercado de vizinhança, mas que também atenda um público que busca indulgência e pessoas em trânsito.
No atendimento, a novidade é a padaria com atendente – novamente, algo comum num supermercado, mas ausente na primeira versão do MGO.
A conjunção de fatores tecnológicos e de aspectos que fazem o sucesso de um varejo sugere um caminho interessante a ser trilhado. “Esse novo modelo do MGO é escalável. Se quisermos ir para uma loja de 1.000, 1.200 ou 1.500 m2, vai ser possível do ponto de vista econômico”, completa Ederson.
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Alessandra Morita
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