15/10/2026
Suplementos crescem mais de 150% e doces caem quase 90% no carrinho de jovens
POR João Fernandes
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O carrinho de compras dos jovens brasileiros de 20 a 29 anos mudou de perfil na última década. Os suplementos alimentares avançaram 159,8% no varejo alimentar, enquanto os doces apresentaram queda de 89,3%.
Os dados fazem parte de um estudo da Rock Encantech, que analisou 13 milhões de transações de 1 milhão de clientes dessa faixa etária em supermercados e atacarejos.
Outras categorias ligadas a um estilo de vida mais saudável também ganharam força, como:
- Bebidas em cápsula +162%
- Produtos sem glúten +62,6%
- Bebidas mistas +51%
Na direção oposta, além dos doces, perderam espaço: - Leite UHT -37,3%
- Cerveja e o chope -26,9%
- Carne bovina -25,4%
Para Fernando Gibotti, cofundador da Rock Encantech, a indulgência vem cedendo lugar à moderação. Os mais jovens passaram a valorizar a recompensa de longo prazo, e isso aparece nas compras. “O carrinho de compras virou um manifesto de identidade”, comentou.
Um público que decide antes de entrar na loja
Essa faixa de 20 a 29 anos representa 15,5% da população brasileira e 18% da massa salarial do país, segundo o Censo 2022 do IBGE. Cerca de 98% desses consumidores são usuários ativos da internet.
Gibotti afirma que redes sociais, aplicativos e avaliações de influenciadores moldam gostos e referências desde a adolescência. O resultado é um comprador que pesquisa e compara benefícios em tempo real, chegando ao ponto de venda com a decisão praticamente tomada, o que não acontecia há dez anos. Para o executivo, isso abre uma janela para o varejo, já que os hábitos estão sendo formados agora.
“Quem entrar na vida desse consumidor hoje será referência no futuro”, conta Gibotti.
Tendência também aparece no consumo geral
O movimento não se restringe aos jovens. Outro levantamento, dessa vez da Neogrid, mostra que, entre 2024 e 2026, os energéticos zero caloria passaram de 12,2% para 20,6% das notas fiscais analisadas. Os refrigerantes com formulações alternativas foram de 18,6% para 22,5%.
As cervejas sem álcool seguem o mesmo caminho. Sua presença nos carrinhos subiu de 4,4% para 5,6% no período, e a quantidade média comprada saiu de 4,6 para 5,5 unidades.
O avanço acontece mesmo com preços mais altos que os das versões tradicionais, sinal de que parte dos consumidores aceita pagar mais por produtos alinhados a metas de saúde e controle alimentar.
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João Fernandes








