16/10/2026
Whole Foods Market aponta 8 tendências de alimentos para 2027
POR Giovanna Cazuza
Publicado em:

A valorização da procedência dos alimentos, a busca por produtos com listas menores de ingredientes e o avanço das leguminosas como fontes de proteína estão entre as tendências que devem ganhar força no mercado de alimentos em 2027. As apostas fazem parte do levantamento anual da Whole Foods Market, rede norte-americana de supermercados especializada em produtos naturais e orgânicos, elaborado por seu conselho de especialistas em tendências.
O estudo reúne 8 movimentos que podem influenciar o desenvolvimento de produtos, a composição dos sortimentos e as experiências de consumo, combinando mudanças nos hábitos alimentares, influência das redes sociais e maior atenção à origem e à composição dos itens.
Origem e composição ganham relevância
Uma das tendências identificadas é a valorização da origem dos alimentos. O conceito de terroir, tradicionalmente associado a vinhos, passa a influenciar outras categorias, como mel, café, chocolate, azeite, grãos e pescados. A proposta é destacar características de sabor relacionadas ao solo, ao clima e à região de produção, além de dar mais visibilidade à procedência dos ingredientes.
Outro movimento é o chamado minimalismo de ingredientes. Impulsionados por conteúdos nas redes sociais que incentivam a leitura dos rótulos e pela atenção aos alimentos ultraprocessados, consumidores demonstram interesse por produtos com formulações mais simples e listas de ingredientes reduzidas.
No Brasil, por exemplo, já há um movimento parecido. Consumidores comprando molhos de tomates e ketchups, com até 5 ingredientes na composição, ou o pudim da marca Batavo, que é introduzido em dietas com poucas calorias.
A relação entre alimentação e beleza também aparece entre as apostas para 2027. Batizada de beautrition, a tendência combina os conceitos de nutrição e beleza e reflete o interesse por alimentos e bebidas associados ao cuidado com a pele. Produtos com colágeno, antioxidantes, gorduras consideradas saudáveis e ingredientes voltados à hidratação ilustram essa aproximação entre alimentação, bem-estar e cuidados pessoais.
Sabores internacionais e novas versões de pratos conhecidos
A influência da culinária japonesa é outra frente destacada pelo levantamento. A rede prevê maior interesse pelo yōshoku, tradição que adapta pratos ocidentais ao paladar japonês. Entre os exemplos estão o pão de leite japonês, o curry japonês, o tonkatsu e o omurice, preparação que combina omelete e arroz. A tendência, segundo o estudo, já ultrapassa os restaurantes e chega às gôndolas por meio de condimentos, produtos de padaria e refeições prontas.
A reinvenção de pratos conhecidos também deve continuar em evidência. A proposta consiste em transformar receitas tradicionais em produtos com formatos, combinações ou apresentações diferentes, preservando referências familiares ao consumidor. Entre os exemplos citados estão ramen com birria, hambúrgueres servidos em tortillas e sorvete inspirado na sobremesa asiática mango sticky rice.
Outra mudança envolve a valorização de sabores amargos e combinações mais complexas. Ingredientes como alcaçuz, ervas, folhas amargas e chocolate amargo devem aparecer em bebidas, sobremesas e outros alimentos. A Whole Foods Market relaciona esse movimento à ampliação do repertório gastronômico dos consumidores, ao interesse pelo bem-estar digestivo e à busca por alternativas sem álcool.
Redução de desperdício e avanço das leguminosas
A sustentabilidade aparece na tendência chamada Zero Waste 2.0, que amplia a preocupação com o desperdício para diferentes etapas da cadeia de consumo. O movimento inclui o aproveitamento de subprodutos da indústria alimentícia na fabricação de novos itens, além de iniciativas de venda a granel, refil e reaproveitamento de alimentos próximos do vencimento.
O relatório cita exemplos como a transformação de resíduos da produção de aveia em ingredientes para panificação e o uso da polpa que envolve o grão do café, conhecida como cascara, em produtos da marca própria da rede. A proposta é aproveitar melhor os recursos e reduzir o volume de resíduos destinados a aterros sanitários.
Por fim, as leguminosas devem ganhar protagonismo nas refeições. Feijões, lentilhas, grão-de-bico, edamame e tremoço passam a ocupar um espaço maior em pratos principais, lanches e produtos industrializados. A tendência é associada à busca por fontes de proteína e fibras, com preços mais acessíveis e versatilidade de preparo.
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Giovanna Cazuza








