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26/08/2026
Ypê reflete sobre a crise e quer estabelecer novos padrões para todo o setor
POR Barbara Fernandes
Publicado em:

“O nome ‘Ypê’ foi inspirado na árvore brasileira que mesmo em momentos difíceis sempre floresce”. A fala é de Waldir Beira
Junior, presidente da Ypê, e remete à superação da crise que envolveu a suspensão
da fabricação e recolhimento de lotes de alguns itens. Na última
segunda-feira (24), a companhia reuniu jornalistas na fábrica que havia sido
paralisada em Amparo (SP) para falar sobre o momento desafiador.
Waldir relembrou que tudo s iniciou a partir de uma denúncia de um de seus
principais concorrentes, e reforçou a trajetória de 75 anos da companhia. “Meu
pai tinha um lema, ‘o trabalho tudo vence’. É com isso que temos evoluído,
mesmo em um ambiente competitivo como o Brasil em que estão presentes as
principais multinacionais.”
Ana Maria Beira, sócia-fundadora da Ypê e mãe de Waldir reforçou essa posição reconhecendo que esse foi um momento difícil, mas que a empresa se posicionou com seriedade, diálogo e responsabilidade. “Quando uma empresa chega à casa de quase todo o país, precisa trabalhar todos os dias para merecer essa confiança. E isso se constrói com qualidade, transparência, respeito, cuidado, responsabilidade e disposição para fazer o certo.”
Os empresários ressaltaram que todas as exigências técnicas estabelecidas pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) foram atendidas e a produção foi retomada integralmente. Os lotes incluídos no processo também foram liberados após análises realizadas em laboratórios cadastrados pela agência.
A denúncia e a resposta da empresa
Sergio Pompilio, diretor executivo jurídico e de assuntos corporativos, detalhou o contexto da crise. Segundo ele, a denúncia do concorrente utilizou parâmetros de microbiologia que não seriam aplicáveis ao setor de saneantes para atribuir uma conduta ou um problema que pudesse gerar uma dificuldade no mercado para Ypê.
“Concorrer e liderar um mercado que você tira a participação de grandes empresas, em especial multinacionais, incomoda. Nossos concorrentes tomaram medidas que não necessariamente são aplicadas ao setor”, disse Sergio Pompilo, diretor executivo jurídico da Ypê.
Pompilio também descartou a ideia de que a empresa tenha considerado a atuação da Anvisa injusta. “Ela trabalha única e exclusivamente dentro dos critérios legislativos e do princípio da precaução”. Mas reforçou que a agência não identificou uma contaminação nos produtos durante sua atuação, e sim estabeleceu medidas para reforçar os controles da companhia. “Sabem quantos frascos de lava-louças nós tivemos confirmação de contaminação, seja lá de qual natureza, depois de tudo que passamos? Nenhum.”
O executivo acrescentou que a empresa então optou por concentrar seus esforços na identificação de um eventual risco ao consumidor e no aprimoramento dos processos em conjunto ao órgão regulador. De acordo com ele, algumas das medidas adotadas pela Ypê não são obrigatórias nem fazem parte dos procedimentos normalmente praticados pelo setor.
Justamente por isso, a companhia levou a discussão para a associação setorial, onde passou a participar da elaboração de novos padrões e regras para o segmento como um todo. “Se é bom para a Ypê e para o consumidor é bom para todo mundo”, afirmou o diretor jurídico.
Apesar do impacto operacional, a empresa afirma que não perdeu posição no mercado. Pompilio conta que houve redução no sell out durante o período em que determinados produtos ficaram impedidos de ser comercializados, mas o consumidor retomou as compras posteriormente.
Além dos consumidores finais, o varejo alimentar foi um dos elos mais afetados pelo episódio, principalmente em razão da necessidade de segregação dos produtos. Devido à isso, a companhia agradeceu os clientes pela parceria durante o período.
“Aos varejistas deixamos nossa gratidão. O ganha ganha da Ypê não é só de um lado, é ter o cliente incentivado para comercializar nosso produto sabendo que tem um parceiro comercial de longo prazo e que vai continuar aqui. Uma questão como essa gera complexidade, e por isso pedimos desculpa, mas do ponto de vista prático conseguimos restabelecer a situação”, disse Pompilio.
Repercussão nas redes sociais
Pouco tempo após as primeiras notícias sobre o episódio diversos vídeos e conteúdos tomaram conta das redes sociais incentivados por uma polarização política. Em relação a isso, o diretor jurídico reforçou que a empresa não tem uma posição política. “Com presença em 96,3% dos lares brasileiros, a Ypê tem como consumidor a totalidade da população. Não temos um partido. Nosso bem, razão e propósito são com o Brasil”, destacou.
“A Ypê é maior do que a discussão que estamos tendo agora. Aqui dentro a política é fabricar qualidade de ponta a ponta e colocar o produto no mercado. O incidente não mudou isso. A empresa é 100% apartidária”, acrescentou o executivo.
Liderança no setor
Ocupando a primeira posição no país em cuidados com a casa, a Ypê possui mais de 450 produtos distribuídos em mais de 23 categorias. A empresa também detém 19% do mercado brasileiro de limpeza, segundo os dados apresentados durante o encontro. Marcas como a Tixan, Assolan e a própria Ypê ocupam posições no top 5 das mais escolhidas no segmento de higiene e limpeza.
A dimensão da operação também se reflete no cenário internacional. A Ypê é apontada como a 7ª maior marca global de sabão em barra, a 9ª maior em detergentes, a 11ª em amaciantes de roupas e a 10ª em desinfetantes e água sanitária.
Entre as marcas do grupo, Tixan também se destaca. O sabão em pó é apontado pela empresa como o mais vendido do Brasil, com 24,5% de participação em volume.
Para sustentar esse portfólio, a companhia possui sete complexos fabris distribuídos por cinco estados brasileiros e oito centros de distribuição localizados em regiões estratégicas.
Automação como parte da estratégia
A tecnologia é uma das frentes utilizadas pela Ypê para aumentar a eficiência da operação. Em Amparo, a companhia mantém um Centro de Distribuição 4.0 que recebeu investimento de R$ 300 milhões entre 2018 e 2022.
A estrutura conta com quatro caminhões automatizados, que se dirigem e estacionam sozinhos, e 77 robôs responsáveis pela organização de pallets. A modernização modificou o perfil dos profissionais que atuavam no local. Segundo a empresa, parte dos colaboradores foi desenvolvida para operar os robôs, enquanto outros foram realocados para diferentes unidades. Com isso, o quadro do centro de distribuição passou de 500 para 300 pessoas.
Lançamentos ampliam o portfólio
A retomada das operações acontece em paralelo à continuidade da agenda de inovação. A Ypê prepara novos produtos e reformulações em categorias de limpeza e cuidados pessoais.
Entre as novidades estão os limpadores perfumados concentrados, que chegam em seis versões. O portfólio terá as fragrâncias algodão e jasmim, chá branco, lavanda e baunilha, pistache, limão siciliano e cereja. As embalagens terão 120 ml e a previsão é de que os produtos estejam disponíveis nas gôndolas a partir do próximo mês.

A empresa também renovará a linha de multiuso cremoso, com
três versões, incluindo uma opção com carvão ativo.
Nos cuidados pessoais, a Flor de Ypê ganhará a fragrância de frutas tropicais. Já a linha Banho a Banho acaba de ser integrada, com diferentes produtos, entre eles sabonetes, hidratantes, desodorantes e óleos corporais.
Com a produção normalizada, a Ypê busca deixar o episódio para trás mantendo a estratégia que vinha sendo construída antes da crise. A empresa reforça os controles de qualidade, participa das discussões para estabelecer novos padrões no setor e mantém investimentos em automação, sustentabilidade e inovação.
“Somos uma empresa brasileira. Feita por brasileiros. Crescemos acreditando no trabalho, nas famílias e no futuro do nosso país. Acreditamos nas pessoas e investimos no Brasil e seguimos olhando para o futuro com compromisso”, afirmou Ana Maria, sócia-fudadora da Ypê.
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Barbara Fernandes
Repórter








