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Multinacionais de alimentos ganham força na América Latina, mas margens seguem pressionadas

POR Reportagem SA+ Conteúdo

EM 13/08/2026

Multinacionais da indústria alimentar

Foto: Divulgação. Montagem: SA+


Com a demanda mais fraca nos Estados Unidos e na Europa, a América Latina ganhou protagonismo nos resultados das multinacionais de alimentos. Empresas como Nestlé, Mondelez, Danone, PepsiCo e Grupo Bimbo tiveram no Brasil e no México seus melhores desempenhos em vendas reais no segundo trimestre de 2026.


O avanço, porém, veio acompanhado de uma estratégia de custos elevados. Para ampliar a participação de mercado, as companhias têm aumentado os investimentos em marcas, realizado aquisições e absorvido parte dos custos, pressionando as margens operacionais da região e aumentando a atenção para o desempenho no segundo semestre.


Na América Latina, o Grupo Bimbo liderou o crescimento de vendas no 2T26. A companhia mexicana registrou avanço de 14,1%, desconsiderados os efeitos cambiais, impulsionado pela incorporação da Wickbold no Brasil. O crescimento, entretanto, veio acompanhado de uma deterioração da rentabilidade. A margem operacional na região recuou de 2,6% para 0,3%, uma contração de 230 pontos-base. Já a margem Ebitda ajustada caiu 160 pontos-base, para 7,7%.


Crescimento com pressão sobre os custos


A Nestlé também apresentou desempenho positivo na região. A expansão orgânica na América Latina foi de 5,8% no segundo trimestre, com crescimento interno real (RIG, na sigla em inglês) de 4,2%, indicador utilizado pela companhia para medir a evolução dos volumes.


Para o 2º semestre, a empresa projeta uma margem operacional em linha com a registrada no primeiro semestre. A expectativa é de que a redução dos custos de café e cacau seja compensada pelo aumento das despesas com transporte e energia, em meio ao cenário de conflitos geopolíticos.


A Mondelez, por sua vez, registrou o maior crescimento de receita. Apesar disso, o lucro operacional ajustado recuou 6,1% em moeda constante, principalmente em razão da alta do cacau. A empresa também ampliou os investimentos em publicidade e marketing, mas manteve inalteradas as projeções para lucro por ação e geração de caixa.


A Danone adotou uma estratégia diferente para proteger a rentabilidade, reduzindo sua exposição a determinados negócios. A companhia registrou crescimento de 4,3% nas Américas, com destaque para a área de nutrição especializada. Para o segundo semestre, a empresa prevê a criação de uma joint venture de laticínios na Argentina.


Já a PepsiCo apresentou crescimento de receita de dois dígitos na região, mas manteve os volumes estáveis no trimestre. Segundo a companhia, o avanço foi impulsionado integralmente por preços e mix de produtos. No balanço, a administração afirmou que a prioridade é elevar a produtividade em toda a organização para melhorar a alavancagem operacional.


Os resultados mostram que a América Latina deixou de ser apenas um mercado de expansão orgânica para se consolidar também como um dos principais destinos de aquisições das multinacionais do setor. Os balanços do segundo trimestre reforçam ainda que a região continua sendo uma das principais fontes de crescimento em volume para essas companhias, mas em um cenário de margens mais pressionadas e maior necessidade de eficiência operacional.

Fonte: Valor Econômico


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TAGS:Multinacionais de alimentos, América Latina,Balanço 2T26,Grupo Bimbo, Nestlé,Mondelez,Danone,PepsiCo,Margem Operacional,Vendas no varejo
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