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25/09/2026

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Muito além do prompt: como a IA está transformando o trabalho e a reputação profissional

POR Giovanna Cazuza

Publicado em:

um notebook e uma cesta de compras em um mercado
Foto:Adobe Stock

A inteligência artificial está deixando de ser apenas uma ferramenta para gerar textos, imagens e respostas e começa a assumir tarefas, tomar ações e participar de processos dentro das empresas. Ao mesmo tempo, a tecnologia também está mudando a forma como consumidores encontram marcas e profissionais. Esses foram alguns dos principais pontos discutidos durante o evento Mulheres no Varejo 2026, realizado pela TOTVS.


Em duas palestras distintas, Patricia Quintiliano, fundadora e líder de estratégia na STOA, e Sandra Takata, presidente do Instituto Mulheres do Varejo e fundadora da Agência Core Group, abordaram diferentes lados dessa transformação. Enquanto Patrícia mostrou como os agentes de IA podem executar atividades e apoiar decisões no varejo, Sandra chamou atenção para a importância de construir uma presença que permita ser encontrado e reconhecido.


Da IA que responde para a IA que age


Segundo Patricia Quintiliano, o mercado passou os últimos anos aprendendo a criar prompts para obter respostas melhores de ferramentas como ChatGPT, Claude e Gemini. O próximo passo, porém, é diferente. “Estamos saindo da IA generativa, aquela que gera respostas, para uma IA agêntica, que age”, explicou.


Na prática, os agentes podem receber um objetivo, consultar informações, utilizar ferramentas às quais têm acesso, executar etapas e retornar com um resultado ou solicitar intervenção humana quando necessário sozinhas.


A mudança exige uma nova forma de pensar a interagir com a tecnologia. Em vez de simplesmente pedir que a IA extraia dados, por exemplo, o profissional precisa estabelecer uma missão de negócio e permitir que o agente utilize as informações disponíveis para chegar ao resultado.


Como exemplo, Patricia citou o caso de um varejista com 14 lojas no Rio de Janeiro, onde o analista de inteligência pediu ao agente, que já estava integrado à base do CRM e BI, desenvolver uma ação no CRM para aumentar o gasto mensal em vinhos dos clientes que já compram a categoria, mas gastam em média menos de R$ 30 por mês, priorizando os produtos de um fornecedor X.


Para a especialista, a principal competência profissional nesse novo cenário não será saber criar o prompt perfeito, mas estruturar aquilo que pode ser delegado.


Método MAPA define como delegar tarefas à IA


Durante a apresentação, Patricia também apresentou o método MAPA, estrutura criada para organizar a implementação de agentes de inteligência artificial.


  • A primeira etapa é o M, que corresponde às Métricas. Essa etapa consiste em estabelecer o objetivo final e definir como o sucesso será medido
  • Depois ocorre a A, referente ao Ambiente, etapa em que o agente é conectado aos sistemas e recebe documentos, regras e histórico da empresa
  • O terceiro ponto é o P de Permissões, com a definição do nível de ação permitido ao agente, além de limites financeiros e momentos em que será necessária validação humana
  • Por fim, o segundo A representa o Acompanhamento, com auditoria dos registros e monitoramento das ações realizadas

A especialista citou um caso de sucesso que aplicou o método de implementação de agentes no redimensionamento de peças publicitárias. O processo que antes ocupava duas pessoas durante todo o dia, passou a ser realizado em cerca de dois minutos, liberando a equipe para atividades consideradas de maior valor agregado.


Em outro fluxo, a agente realizou a triagem e limpeza de e-mails, produziu resumos executivos e monitorou tendências. Segundo Patrícia, a ferramenta chegou a identificar inscrições para o corpo de jurados do Prêmio POPAI Brasil 2026, perguntar sobre o interesse em participar, solicitar os dados necessários e realizar a inscrição de forma autônoma. Uma semana após a inscrição realizada pelo agente, a confirmação da participação da estrategista chegou ao e-mail. 


A especialista, no entanto, ressaltou que a tecnologia não elimina a participação humana. “O agente ainda precisa da gente, mas economiza tempo e trabalho”, afirmou. Para ela, cabe aos profissionais organizar funções e objetivos, definir contextos e distribuir autonomia de maneira responsável.


O desafio de ser encontrado pelos agentes


A transformação provocada pela IA também passa pela maneira como empresas e profissionais são encontrados. Foi esse o ponto central da palestra de Sandra Takata, que abordou a reputação na era da inteligência artificial.


Com a expansão das ferramentas de inteligência artificial, a forma como consumidores pesquisam produtos, serviços e profissionais também está mudando, e os agentes se apoiam nas informações disponíveis para apresentar respostas. Por isso, segundo a especialista, pequenas diferenças na forma como um nome ou uma empresa aparecem em diferentes ambientes podem causar um impacto negativo, dificultando a identificação ou o entendimento de que se tratam da mesma pessoa ou empresa.


A construção da presença para a IA também passa pelo conteúdo produzido e divulgado online, algo que demonstra a importância de profissionais marcarem seus feitos e aprendizados. Sandra ainda ressaltou como isso pode ser relevante principalmente para mulheres, por sofrerem mais frequentemente da “síndrome da impostora” e, muitas vezes, deixarem de compartilhar conhecimentos, pensamentos e conquistas.

“Toda vez que você se cala, alguém ocupa o seu lugar na resposta da IA. Se você não contar a sua história, a IA vai contar por vocês”, afirmou  Sandra Takata, presidente do Instituto Mulheres do Varejo e fundadora da Agência Core Group.

Reputação exige consistência, conteúdo e participação


Sandra apresentou ainda caminhos para profissionais construírem presença nesse ambiente. Entre eles estão produzir conteúdo, escrever artigos e manter uma identidade consistente.


Essa consistência, segundo ela, é especialmente importante para que diferentes informações sobre uma pessoa ou empresa não entrem em contradição. “Coerência e confiança são palavras que vocês não podem deixar de colocar aí na jornada dos próximos anos”, acrescentou.


Outro ponto destacado foi a importância da participação em eventos e espaços de networking. Para a especialista, não basta esperar que um recrutador, consumidor ou agente de IA encontre alguém espontaneamente. A construção da reputação precisa ser acompanhada de conteúdo e demonstração de conhecimento. “Não vale nada também pedir para aparecer se você não tiver conteúdo. A construção da reputação, ela tem de ser demonstrada”, disse.


No varejo, essa mudança coloca tecnologia e reputação em uma mesma agenda. De um lado, agentes de IA podem automatizar tarefas, analisar informações e executar processos. Do outro, empresas e profissionais precisam garantir que os dados, conteúdos e histórias disponíveis sobre eles sejam consistentes e reflitam aquilo que desejam comunicar.



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TAGS:TOTVS,Mulheres no varejo 2026,Inteligência Artificial,IA Agêntica,Mulheres no Varejo,Automação,Reputação Digital,Gestão Varejista
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