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08/05/2026
Bets já drenam do consumo brasileiro o equivalente a 96% do faturamento das 10 maiores redes do setor
POR Barbara Fernandes
EM 08/05/2026

Foto: Adobe Stock
Estimativas da ABAAS (Associação Brasileira dos Atacarejos), com base em dados do Banco Central, indicam que entre R$ 216 bilhões e R$ 252 bilhões por ano estão sendo direcionados para apostas online no Brasil. Já a CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) trabalha com uma estimativa ainda mais elevada: cerca de R$ 30 bilhões mensais gastos em bets, o equivalente a aproximadamente R$ 360 bilhões ao ano.
O volume chama atenção especialmente quando comparado ao tamanho do próprio varejo alimentar brasileiro. A receita conjunta das 10 maiores empresas do setor em 2025 alcançou R$ 374,1 bilhões. Se consideramos a estimativa anual da CNC, os gastos com as apostas equivalem a 96% desse valor.
Mas muito além de uma comparação no faturamento, as bets têm impactado profundamente o consumo. Segundo levantamento da Kantar, 13% do valor que antes era destinado a alimentação e bebidas agora é redirecionado para apostas, especialmente entre consumidores das classes C, D e E.
Dados citados pela CNC apontam que, entre janeiro de 2023 e março de 2026, cerca de R$ 143,8 bilhões deixaram de circular no comércio varejista brasileiro por conta das apostas online. A entidade afirma que o crescimento das bets não gerou dinheiro novo na economia, mas deslocou recursos que antes abasteciam consumo, serviços e varejo.
O efeito aparece também na composição do carrinho. Segundo análise da Genial Investimentos, o avanço das apostas tende a desacelerar a recomposição do poder de compra e estimular movimentos defensivos do consumidor, como migração para marcas mais baratas, busca intensificada por promoções e redução do consumo de itens premium. A Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes) reforça esse fato e vê nas bets um fator de pressão sobre o consumo doméstico de carne bovina.
Outros dados reforçam a gravidade da situação:
- CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes
Lojistas): 46% dos apostadores admitem já ter deixado de consumir algum produto
ou serviço para apostar
- SBVC (Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo): supermercados são o 2º canal mais afetado quando o assunto são os setores nos quais os consumidores deixaram de comprar para direcionar dinheiro às bets
Mais do que movimentar cifras próximas ao faturamento das maiores redes supermercadistas do país, o avanço das bets estão pressionando a dinâmica de consumo no varejo alimentar. E, sem regulamentações rígidas, a tendência é que os impactos se tornem ainda mais perceptíveis.
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Barbara Fernandes
Repórter








