07/05/2026
Frutas, legumes e verduras ganham a preferência em detrimento dos itens indulgentes
POR Reportagem SA+ Conteúdo
EM 07/05/2026

Foto: Adobe Stock
A resistência das frutas e vegetais frescos diante da retração de gastos dos consumidores marca um novo capítulo na dinâmica do varejo alimentar. De acordo com dados da NielsenIQ, 48% dos consumidores intensificaram o hábito de cozinhar em casa para fugir da inflação. Contudo, em vez de migrarem para opções processadas mais baratas, o movimento aponta para uma priorização inédita da categoria de frescos, onde 33% dos lares planejam elevar seus desembolsos no próximo ano.
A preferência pela qualidade sensorial e nutricional tem se mostrado superior ao fator preço na tomada de decisão. Nos EUA, o comportamento da categoria de vagens exemplifica essa tendência, apesar de o produto fresco apresentar um preço por quilo 173% superior à versão enlatada, o crescimento de receita no segmento in natura foi de 3,4%, superando as variedades conservadas. Esse fenômeno demonstra que o consumidor está disposto a realizar cortes em categorias de indulgência, como doces e bebidas alcoólicas, para garantir a manutenção de produtos frescos em sua cesta de compras.
A influência do digital na diversificação do sortimento
Outro motor que impulsiona o faturamento do setor é a atividade nas redes sociais, que tem tirado produtos antes considerados de nicho da obscuridade. Variedades como maçãs Cosmic Crisp e tangerinas registraram saltos expressivos de demanda, superiores a 40%, enquanto itens como figos e kiwis também apresentaram crescimento de dois dígitos.
Esse cenário impõe um desafio logístico e de sortimento aos varejistas, uma vez que a ausência desses itens nas gôndolas (observada em mais de metade das redes americanas no caso dos figos) representa uma oportunidade direta de lucro desperdiçada.
Estabilidade de preços e o teto da resiliência
Diferente de outras categorias de alimentos e bebidas, que registraram altas médias de 2,4% nos preços por unidade, o setor de hortifrúti tem operado com relativa estabilidade. Enquanto as frutas frescas apresentaram uma leve deflação de 0,7%, os vegetais tiveram um ajuste moderado de 1,3%. No entanto, a análise técnica da NielsenIQ alerta que essa resiliência tem limites: o orçamento das famílias permanece pressionado, e qualquer repasse de custos futuro deve ser gerido com extrema cautela para evitar que o consumidor seja forçado a excluir itens essenciais de seu planejamento semanal.
Importancia da eficiência operacional
Para o varejo, a consolidação dessa tendência depende diretamente da execução em loja. A manutenção de estoques abundantes e a clareza na exposição são apontadas como fatores críticos para capturar o fluxo de clientes que agora preparam suas refeições domesticamente. O momento é de oportunidade para consolidar o hortifrúti não apenas como uma seção de destino, mas como o principal pilar de fidelização em um cenário econômico onde a saúde e o frescor tornaram-se as prioridades máximas do consumo.
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