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31/07/2026
Ascensão do atacarejo e migração digital redesenham o mapa de ofertas de bebidas no Brasil
POR Ismael Jales
EM 16/06/2026

Foto: Adobe Stock
O volume de ofertas do mercado de bebidas registrou um crescimento de 19% entre janeiro e maio de 2026 na comparação com o mesmo período de 2024. Os dados, apurados em levantamento recente da Shopping Brasil, revelam que a expansão do setor vem acompanhada de uma redistribuição estrutural do espaço promocional entre regiões, canais de comunicação e formatos de varejo.
De acordo com o estudo, as transformações indicam uma mudança nas estratégias promocionais da indústria e do varejo, que passam a descentralizar os investimentos e a adotar critérios mais seletivos de exposição de marcas.
Descentralização regional e retração no Sudeste
O avanço de 19% no total de ofertas monitoradas não ocorreu de maneira uniforme pelo território nacional. O estudo aponta que o crescimento foi tracionado por mercados fora do eixo tradicional do Sudeste.
A região Sul liderou a expansão com um aumento de 53% no volume de ofertas de bebidas, seguida pelo Centro-Oeste (+44%) e pelo Nordeste (+35%). Em contrapartida, as duas regiões que apresentaram retração no período foram o Sudeste, com queda de 4%, e o Norte, com recuo de 13%.
A análise dos dados setoriais indica que o mercado brasileiro de bebidas tem se tornado menos homogêneo, exigindo das empresas a formulação de dinâmicas promocionais customizadas para cada mercado regional.
Atacarejo amplia participação e hipermercados recuam
A pesquisa também identificou uma alteração na relevância dos canais de venda utilizados para ações de trade marketing. O formato de atacarejo ampliou sua participação no total de ofertas de bebidas, saltando de 28% para 36% no intervalo analisado.
Os supermercados tradicionais mantiveram a liderança do bolo promocional com estabilidade, retendo 55% de participação. Já os hipermercados perderam espaço de forma acentuada, recuando de 17% para 9% de representatividade nas ofertas de bebidas. O resultado confirma a perda de protagonismo do formato de grandes superfícies frente aos modelos focados em alto giro e competitividade de preços.
Redes sociais concentram 63% das ações; TV ganha papel seletivo
Os meios de comunicação utilizados para fazer chegar as ofertas aos consumidores também passaram por migração. As redes sociais consolidaram sua posição majoritária, passando de 58% para 63% de participação no total de ofertas entre o início de 2024 e maio de 2026. Os tabloides impressos ou digitais oscilaram de 25% para 27%. Em sentido inverso, a televisão perdeu participação relativa nas estratégias promocionais de volume, recuando de 17% para 10%.
De acordo com a Shopping Brasil, o recuo no percentual não anula a relevância da TV, que permanece estratégica para a construção de percepção de preço e alcance de massa. O que os dados demonstram é uma eficiência operacional maior no veículo: a quantidade média de itens promovidos por comercial caiu de 7 para 6 produtos. O movimento indica uma concentração dos investimentos em produtos líderes de categoria capazes de gerar fluxo para os pontos de venda.
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