25/08/2026
El Niño pode pressionar custos e abrir oportunidades para o varejo
POR Reportagem SA+ Conteúdo
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O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento atípico das águas do oceano Pacífico, que vem alterando os padrões climáticos e contribuindo para temperaturas mais elevadas em diferentes regiões do planeta desde junho deste ano.
Enquanto algumas empresas se preparam para enfrentar perdas e aumento de custos, outras enxergam oportunidades de crescimento em categorias favorecidas pelo calor.
É o caso do Assaí, que avalia como as temperaturas mais altas podem influenciar o comportamento do consumidor e impulsionar as vendas de determinados segmentos.
O varejista também considera que as margens podem ser beneficiadas pela possível volatilidade nos preços das commodities, com efeitos diretos sobre a inflação de alimentos. Como alguns itens já estão em níveis depreciados, a expectativa é de que eventuais aumentos sejam repassados ao longo da cadeia.
Calor pode impulsionar consumo de bebidas
Com a experiência de episódios anteriores do El Niño, como o registrado em 2024, a Ambev também utiliza os efeitos observados no período como referência para definir estratégias para os próximos trimestres.
No balanço de 2024, a companhia reportou receita líquida de cerveja no Brasil de R$ 40,2 bilhões, alta de 3,2% em relação a 2023. Segundo projeção da Bloomberg, a cifra pode chegar a R$ 43,4 bilhões em 2026, avanço de quase 8% sobre 2025, impulsionado também pelo consumo relacionado à Copa do Mundo.
Na pecuária, o momento é de pressão
Na outra ponta da cadeia, empresas do agronegócio podem enfrentar impactos negativos. A Minerva, por exemplo, acompanha os efeitos da seca sobre as regiões pecuárias, que podem atrasar a recomposição dos rebanhos e manter os custos do gado elevados por mais tempo.
Com a redução das áreas de pastagem, os produtores precisam complementar a alimentação dos animais com ração, que tem custo superior ao do pasto. Esse aumento pressiona as margens dos pecuaristas e tende a ser repassado aos frigoríficos, elevando a pressão sobre toda a cadeia.
O fenômeno pode alterar hábitos de consumo, movimentar categorias específicas e, ao mesmo tempo, pressionar custos de produção e preços de alimentos. Para varejo e indústria, o desafio será transformar as mudanças climáticas em estratégias capazes de equilibrar oportunidades de venda e proteção de margens.
Fonte: Folha de SP
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