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Como a automação está valorizando as lojas físicas no varejo alimentar

POR Reportagem SA+ Conteúdo

EM 08/06/2026

Adobe Stock

Foto: Adobe Stock 


Em um mercado pressionado pela automação e pela expansão das vendas digitais, o maior diferencial competitivo dos supermercados pode estar no chão de loja, e não no aplicativo. O ponto de venda físico passa a ser mais que um centro de distribuição tradicional para se tornar a infraestrutura essencial de fidelização. É ali que o varejo alimentar consegue entregar o que a inteligência artificial ainda não replica: o apelo sensorial e a confiança no olho no olho.


À medida que o e-commerce avança, as compras guiadas por IA se expandem e o chamado "comércio agêntico" (comandado por assistentes virtuais autônomos) começa a despontar, boa parte da jornada do consumidor será definida por sistemas digitais antes mesmo de ele pisar na loja. Mas essa mudança torna a experiência física mais importante. O ponto de venda é onde o frescor dos produtos se comprova, a confiança é reforçada, a descoberta acontece e o vínculo com a comunidade local ganha forma.


Apesar disso, dados da FMI e da NIQ projetam que o e-commerce de supermercados nos EUA deve movimentar US$ 452 bilhões até 2028, abocanhando 25,5% do setor. Embora as lojas físicas ainda respondam por cerca de 80% do faturamento atual, o digital será o grande motor de crescimento nos próximos anos.


Essa expansão vai transformar a maneira como a demanda é gerada, capturada e atendida. E também deve mudar a forma como as redes varejistas desenham a experiência de compra.
A grande questão estratégica não é apenas como proteger as lojas físicas da avalanche digital, mas sim como transformá-las, intencionalmente, no espaço onde o ato de ir ao supermercado continua sendo humano, sensorial e confiável.


Onde o varejo ganha vida


O sensorial é uma das bases para a continuidade do varejo físicio. O cliente quer ver a cor do hortifrúti. Quer o cheiro do pão quente. Escolhe a dedo o corte da carne ou o peixe. Toca o abacate para ver se está no ponto. É fisgado por um prato pronto que resolve o jantar ou aceita uma degustação que vai direto para o carrinho.


Enquanto algoritmos recomendam, prateleiras digitais personalizam ofertas, assistentes de IA automatizam a lista e cuidam das compras repetitivas, é no chão de loja que o cliente atesta a qualidade, tira dúvidas, descobre novidades e se conecta com o que coloca na mesa. Essa é a grande fortaleza dos supermercados — e o setor precisa jogar com ela.


Olho no olho exige estratégia e design


A conexão humana no supermercado não acontece por acaso. Ela é fruto da atmosfera da loja, da escala de funcionários, do treinamento das equipes, da exposição dos perecíveis e do jogo de cintura de profissionais que conhecem a vizinhança.


O risco é que, com o avanço do ecossistema digital, esses momentos fiquem diluídos. Não por falta de cuidado das empresas, mas pela complexidade da operação. São mais canais, mais processos, mais pontos de contato digitais — um ruído operacional que disputa o mesmo espaço, a mesma mão de obra e a mesma atenção.


É aqui que a estratégia encontra o investimento. As redes precisam definir claramente quais pilares da experiência física querem blindar e fortalecer. Áreas de perecíveis que transmitam fartura e frescor, atendimento consultivo, ações de degustação que estimulem a descoberta, um sortimento que converse com a comunidade local e equipes de loja com tempo livre para focar no cliente.


A automação a serviço da experiência


A tecnologia e a automação são fundamentais para melhorar previsões de demanda, reduzir a ruptura nas gôndolas, refinar o merchandising e livrar as equipes de tarefas repetitivas. O ganho de eficiência é indiscutível. A virada de chave estratégica está em saber o que fazer com esse tempo ganho.

Se a automação servir apenas para acelerar o processo, o varejo vai deixar dinheiro na mesa. Mas se ela liberar os braços da operação para focar na execução dos frescos, no atendimento, na curadoria e na relevância local, a tecnologia se torna uma estratégia de diferenciação.

Com o avanço do digital, o fluxo logístico vai impactar cada vez mais o ponto de venda — seja no clique e retire (click-and-collect), no envio de pedidos direto da loja ou em microcentros de distribuição acoplados. Essa engrenagem exige planejamento, mas deve responder a um propósito maior: o crescimento digital precisa consolidar a loja física como o coração da conexão humana no varejo.


O futuro dos supermercados será cada vez mais digital, mas o vínculo de confiança que sustenta o negócio continuará sendo construído no chão de loja.


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TAGS:varejo alimentar, NielsenIQ,FMI , EUA, Chão de Loja, Operação de loja, Inteligência Artificial,E-commerce
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