16/05/2026
Conflito no Oriente Médio coloca varejo alimentar em modo preventivo para proteger estoques e margens
POR Reportagem SA+ Conteúdo
EM 01/04/2026

Foto: Adobe Stock
A intensificação das tensões no Oriente Médio – no conflito que já dura mais de um mês – acendeu o sinal de alerta no varejo e na indústria brasileira. Segundo novo levantamento da Scanntech, empresa de inteligência de dados, o setor já opera em modo preventivo para mitigar os efeitos de uma possível escalada nos preços de combustíveis, insumos derivados de petróleo e interrupções logísticas globais.
O dilema do estoque: proteção vs. fluxo de caixa
De acordo com Daniel Portela, diretor de produtos para supply na Scanntech, a tendência atual é a elevação estratégica de estoques. O objetivo é duplo: criar um colchão de proteção contra futuros reajustes de preços e garantir o abastecimento diante do risco de rupturas.
Dados mostram que muitas indústrias já operam com níveis de ruptura entre 5% e 10% nas principais redes varejistas.
Produtos não perecíveis permitem um planejamento mais longo, com estoques variando entre 30 e 45 dias, mas o desafio, segundo Portela, é encontrar o equilíbrio, já que estocar em excesso compromete o fluxo de caixa e aumenta os custos de armazenagem.
Lições do passado e categorias em risco
O setor utiliza como referência a guerra entre Ucrânia e Rússia em 2022. Naquela ocasião, cinco meses após o início do conflito, o preço do leite dobrou no Brasil devido à alta nos custos de ração, fertilizantes e energia.
Atualmente, a atenção se volta para:
• Perecíveis: Altamente sensíveis ao custo de fertilizantes (oriundos do gás) e energia. Qualquer oscilação chega rapidamente ao consumidor final.
• Commodities (Arroz, Feijão e Leite): Apresentam baixa elasticidade de demanda, ou seja, o consumo pouco muda mesmo com a alta de preços, mas as margens apertadas do varejo deixam pouco espaço para absorver custos adicionais.
• Categorias Premium: Possuem maior flexibilidade para acomodar custos, uma vez que o frete tem menor peso na formação do preço final.
A importância dos dados na gestão da crise
Para Priscila Ariani, diretora de marketing e estudos da Scanntech, a integração entre varejo, indústria e transportadoras é vital em momentos de volatilidade.
"O dado passa a ser essencial para calibrar decisões e evitar erros de estoque em um ambiente de baixa previsibilidade", resume a executiva.
A recomendação para o varejista é o monitoramento diário e a aproximação com parceiros logísticos para mapear o cenário completo e evitar o repasse excessivo de custos ao consumidor em um momento de incerteza econômica.
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