30/09/2026
E-commerce, jornada do cliente e dados: líderes debatem tendências e desafios
POR Giovanna Cazuza
Publicado em:
A transformação digital e as mudanças no comportamento do consumidor estão exigindo que o varejo reveja suas estratégias de relacionamento, vendas e operação. Em um mercado cada vez mais dinâmico, a integração entre canais, o uso da inteligência artificial (IA) e a capacidade de compreender as necessidades dos clientes foram alguns dos temas discutidos durante o painel sobre inovação e tendências no varejo, realizado no evento Mulheres no Varejo 2026, da TOTVS.
Mediado por Laís Decresci, gerente executiva da TOTVS, o debate reuniu Carolina Reis, head de marketing da Andra Materiais Elétricos, Bianca Jardim, sócia-fundadora e COO da Econverse, e Ana Leite, diretora de vendas da Visa. As executivas compartilharam experiências sobre como as empresas podem acompanhar a velocidade das mudanças tecnológicas sem perder de vista as necessidades dos consumidores e a realidade de cada operação.
Para Carolina Reis, uma das principais transformações do setor está na jornada de compra. Se antes o relacionamento acontecia predominantemente nas lojas físicas, hoje o consumidor transita entre diferentes canais, como WhatsApp, sites, marketplaces e pontos de venda.
Bianca Jardim também destacou que com a influência das redes sociais e o avanço das ferramentas de inteligência artificial, a jornada de compra se tornou mais rápida, aumentando a necessidade de informações objetivas e acessíveis. Segundo ela, além de investir em novas tecnologias, o varejo precisa assegurar que aspectos básicos, como a descrição dos produtos, a estrutura dos sites e a velocidade de carregamento, estejam bem resolvidos.
A executiva ressaltou ainda a importância de preparar os canais digitais para mecanismos de busca e ferramentas de IA, considerando estratégias de SEO e GEO. Com o aumento da concorrência e do custo de aquisição de clientes, a capacidade de ser encontrado e oferecer respostas rápidas pode contribuir para a conversão e a retenção.
Escuta ativa ganha espaço
Outro ponto discutido foi a necessidade de superar a visão do e-commerce como uma simples vitrine de produtos. Para Bianca, a integração entre os canais já faz parte das exigências do mercado, e as empresas precisam considerar toda a jornada do consumidor, desde o primeiro contato com a marca até o pós-venda.
A executiva também chamou a atenção para a importância de ouvir o cliente antes de implementar soluções tecnológicas. Carolina complementou essa visão ao destacar que a segmentação baseada apenas em cliques e interações digitais não é suficiente para compreender as necessidades do público.
Na Andra, por exemplo, existem consumidores que já sabem o que desejam comprar e conseguem concluir o pedido pelo site, enquanto outros precisam de orientação especializada para escolher produtos. Nesse contexto, a utilização de ferramentas automatizadas deve considerar o perfil de cada cliente, evitando que a tecnologia se torne uma barreira para o atendimento.
“Temos que ir moldando a nossa tecnologia, site e loja para o que o cliente está trazendo e trabalhar essa escuta ativa”, afirmou Carolina.
Adaptação cultural e uso estratégico da IA
Apesar das oportunidades proporcionadas pela tecnologia, as executivas apontaram que a adaptação das equipes e a transformação da cultura organizacional estão entre os principais desafios do varejo. A velocidade das inovações nem sempre acompanha o ritmo de implementação das empresas, especialmente daquelas com estruturas mais tradicionais.
Carolina citou a experiência da Andra, que iniciou a implementação de um CRM em janeiro e, após meses de adaptação e treinamento, avançou na utilização da ferramenta pelas equipes. “Não adianta eu colocar a IA mais utilizada, o sistema mais tecnológico ou a última inovação para rodar se não tiver esse tempo da empresa absorver e de transformar em cultura”, explicou.
Na avaliação de Ana, a dificuldade também está em compreender as possibilidades oferecidas pela inteligência artificial e identificar como aplicá-las de maneira efetiva. Para ela, é necessário que os profissionais tenham abertura para aprender, questionar e entender o propósito de cada solução, em vez de adotar ferramentas apenas para acompanhar tendências.
Bianca, por sua vez, destacou a importância da hiperpersonalização e do relacionamento com a base de clientes como alternativas para reduzir a dependência de mídia paga. Com o custo de aquisição cada vez mais elevado, estratégias de CRM e retenção podem ajudar as empresas a compreender o momento de cada consumidor e oferecer experiências mais alinhadas às suas necessidades.
A discussão também abordou a importância de avaliar o ROI (retorno sobre o investimento) antes de implementar novas tecnologias. Em um setor marcado por margens apertadas, a adoção de soluções precisa estar associada a ganhos concretos, seja na produtividade, na eficiência operacional ou na experiência do cliente.
Inovação exige planejamento e disposição para testar
Ao encerrar o painel, as participantes destacaram que a inovação não precisa, necessariamente, começar com grandes projetos ou investimentos. Para Carolina, o primeiro passo é identificar quais são as necessidades mais urgentes da empresa e priorizar iniciativas que possam gerar resultados de acordo com a estrutura disponível.
“Temos que olhar para dentro do negócio e entender o que é saudável e o que, nas condições atuais, consigo colocar no ar”, afirmou.
Notícias relacionadas
Amigão SupermercadosAmigão Supermercados transforma fachada de loja em Maringá em ação 3D
Supermercados BHSupermercados BH abre primeira loja em Ibiá (MG)
Jaú ServeJaú Serve inaugura loja em Descalvado (SP) e chega a 47 unidades
EventoReforma Tributária ganha palco exclusivo no Universo TOTVS 2026
Giovanna Cazuza








