05/11/2026
GPA avança em margem e Ebitda, mas tem prejuízo de R$ 731 milhões no 3T26
POR Giovanna Cazuza
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O GPA registrou ganhos na margem bruta e no Ebitda no 3º Trimestre deste ano. Mesmo assim, perdas nas operações descontinuadas, levaram a companhia a um prejuízo líquido consolidado aos controladores de R$ 731 milhões, revertendo o lucro de R$ 137 milhões registrado no mesmo período do ano anterior.
Os dados constam do release de resultados do período, divulgado ontem (04) pela empresa, após o fechamento do mercado. Para se ter uma ideia, a margem bruta avançou de 27,6% no mesmo intervalo de 2025 para 30,7%, uma alta de 3,1 pontos percentuais.
Já o EBITDA Ajustado foi de R$ 482 milhões, o que representa um crescimento de 16,9%. Com isso, a margem EBITDA ficou em 11,7% – aumento 2,7 pontos percentuais.
Segundo o release de resultados da empresa, os indicadores foram favorecidos por fatores como a descontinuação do formato Aliados, melhora da rentabilidade do e-commerce e aprimoramentos operacionais nas bandeiras.
Entre eles, está a regionalização da gestão das lojas, buscando adaptar o sortimento às características e preferências dos consumidores de cada mercado. A iniciativa também prevê maior participação de fornecedores locais, com o objetivo de melhorar a disponibilidade, a qualidade e o frescor dos produtos, além de reduzir rupturas, perdas e custos logísticos.
O reposicionamento da bandeira Extra Mercado também teve influência. A estratégia contempla a revisão da proposta de valor da marca, com redução de preços de mais de 2.000 itens e fortalecimento de categorias consideradas prioritárias.
Vendas em mesmas lojas foram impactadas
De julho a setembro, a companhia teve queda na receita bruta de 6,5%, indo a R$ 4,6 bilhões. O faturamento líquido foi de R$ 4,1 bilhões, com retração de 9,5%.
No indicador de mesmas lojas, houve recuo de 1,4% de julho a setembro, excluindo o efeito calendário. Na segmentação por bandeiras, o Pão de Açúcar registrou queda de 0,7%, enquanto o Extra Mercado recuou 1,9%. Já o formato de Proximidade apresentou a maior retração, de 2,9%.
Recuperação extrajudicial muda estrutura da dívida
Um dos principais marcos do trimestre foi a homologação judicial do Plano de Recuperação Extrajudicial, em outubro. A medida trouxe mudanças importantes para a estrutura financeira do GPA, com alongamento do prazo médio da dívida de 2,1 para 6,4 anos e redução dos pagamentos previstos até 2028, que passaram de R$ 5,2 bilhões para aproximadamente R$ 400 milhões.
Considerando os efeitos do plano e a amortização de parte da dívida com os recursos provenientes da venda da participação na FIC, de R$ 293 milhões, a dívida líquida pro forma foi reduzida de R$ 3,8 bilhões para R$ 1,2 bilhão. Com isso, a alavancagem financeira passou de 3,7 vezes para 1,2 vez, também em bases pro forma.
A companhia ainda destaca a redução do custo médio da dívida, de CDI mais 1,8% ao ano para CDI mais 0,5% ao ano. Os efeitos contábeis da homologação, incluindo o reconhecimento dos novos títulos, devem aparecer nos resultados do quarto trimestre.
Foco na retomada no quarto trimestre
Para o 4º trimestre, o GPA concentra esforços na recuperação da disponibilidade de produtos, na normalização das relações comerciais com fornecedores e no fortalecimento da competitividade de suas bandeiras.
A companhia também se prepara para a Black Friday e as festas de fim de ano, período de maior sazonalidade para o varejo. Em sua divulgação de resultados, destacou que dezembro é o mês de maior volume de vendas do ano, com planejamento antecipado de negociações, abastecimento e adequação do sortimento.
Segundo Alexandre Santoro, CEO do GPA, os resultados do trimestre demonstram avanços na execução da estratégia, especialmente na melhoria das margens e na redução de despesas. O executivo avalia ainda que a recuperação do crescimento sustentável e rentável das vendas continua sendo o principal desafio da companhia.
A expectativa é de que a reorganização financeira, combinada aos ganhos de eficiência e à revisão da operação, crie condições para uma nova etapa de recuperação do negócio, com maior disciplina na gestão de custos, fortalecimento da proposta de valor e geração de caixa.
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