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Projeto do Grupo Pereira já reintegrou mais de 700 pessoas privadas de liberdade

POR Giovanna Cazuza

EM 19/06/2026

Grupo Pereira

Foto: Divulgação



A reintegração de pessoas privadas de liberdade ainda recebe pouca atenção no debate público, apesar de ser um importante fator para combater a reincidência criminal e promover a inclusão social. Nesse contexto, o projeto Reeducandos, implementado pelo Grupo Pereira em 2014, tem se destacado ao oferecer oportunidades de trabalho e renda para quem busca reconstruir a própria trajetória.


A iniciativa já beneficiou mais de 700 pessoas do sistema prisional. Atualmente, cerca de 260 reeducandos atuam nas operações das bandeiras Fort Atacadista e Comper em cinco estados brasileiros.


O programa reforça a importância da empregabilidade como ferramenta de transformação social em um país que possui mais de 960 mil pessoas privadas de liberdade, das quais apenas cerca de 20% têm acesso ao trabalho, segundo a Senappen (Secretaria Nacional de Políticas Penais).


Como funciona o projeto


Os participantes atuam em diferentes áreas das operações do Grupo Pereira, como logística, televendas, cozinha, manutenção e apoio operacional. Além das oportunidades nas lojas e centros de distribuição, a companhia mantém duas centrais de manutenção de carrinhos instaladas dentro de unidades prisionais: uma no Centro Penal da Gameleira, em Mato Grosso do Sul, e outra no Complexo da Papuda, no Distrito Federal.


Manutenção em carrinhos é uma das tarefas desempenhadas / Foto: Divulgação


Além da remuneração, os reeducandos recebem alimentação, uniforme e transporte, além do benefício legal da remição da pena, que reduz um dia da condenação a cada três dias trabalhados. A seleção dos participantes é realizada em parceria com as instituições prisionais dos estados onde o programa está presente: Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Distrito Federal, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.


Da penitenciária ao mercado de trabalho


Em entrevista à SA+, Adrileny Bogado, especialista de ESG do Grupo Pereira, explicou que o processo é conduzido em parceria com organizações que atuam junto à população carcerária.


"O trabalho é realizado com uma ONG de reeducandos. Eles fazem a seleção dos participantes e nos encaminham os nomes e as datas de inserção no projeto", explica. Segundo a especialista, muitos participantes são posteriormente contratados pela empresa após o término da sentença ou durante o período de liberdade condicional.


"Quando acaba a pena, chamamos os reeducandos para trabalhar conosco. Em alguns casos, eles recebem liberdade condicional; em outros, já estão livres, mas ainda precisam se apresentar periodicamente ao sistema prisional."


Mutos participantes do programa foram promovidos / Foto: Divulgação


Em Mato Grosso do Sul, os participantes em regime semiaberto contam com transporte disponibilizado pela empresa. Eles deixam a unidade prisional pela manhã para cumprir a jornada de trabalho e retornam ao fim do expediente.


"Eles trabalham em horário comercial e às 17 horas retornam ao presídio", afirma Adrileny. A operação é adaptada às regras de cada estado. Em Mato Grosso, Distrito Federal e Rio Grande do Sul, por exemplo, os reeducandos utilizam transporte público e monitoramento por tornozeleira eletrônica.


Resultados que vão além da pena


O impacto do projeto ultrapassa o período de cumprimento da sentença. Mais de 40 participantes já foram contratados em regime CLT pelo Grupo Pereira, ampliando suas chances de permanência no mercado formal e de reconstrução da vida profissional.


"Começamos devagarinho. Foi uma construção feita em pequenos passos, iniciada em Mato Grosso do Sul e expandida gradualmente para outras regiões. O Rio Grande do Sul foi o estado mais recente a receber o projeto", destaca a especialista.


Para aqueles que cumprem pena em regime fechado e não podem deixar as unidades prisionais, as centrais de manutenção de carrinhos representam uma alternativa de qualificação. "Eles fazem um pouco de tudo: solda, pintura e conserto de equipamentos", explica.


Crescimento profissional e novas oportunidades


Além da inserção no mercado de trabalho, o programa também abre espaço para o crescimento profissional. Segundo Adrileny, quatro ex-reeducandos já conquistaram promoções para cargos de liderança dentro da companhia.


"Temos casos de colaboradores que começaram como auxiliares e hoje ocupam funções técnicas e de maior responsabilidade, como técnico em carnes. Os cargos são bem diversos, teve um menino que era muito bom em televendas e em negociação. Boa parcela deles começa em depósito. Tem auxiliar de carga e descarga ou ainda repositor." relata.


As oportunidades abrangem diferentes áreas e perfis profissionais. Muitos iniciam a trajetória em funções ligadas ao depósito, carga e descarga ou reposição, enquanto outros se destacam em setores como televendas e negociação.


A atuação pode começar em centros de distribuição e depósitos / Foto: Divulgação


O projeto Reeducandos demonstra como o setor privado pode contribuir para a redução da reincidência e para a construção de novas perspectivas de vida. Ao transformar oportunidades de trabalho em caminhos concretos para a reinserção social, a iniciativa do Grupo Pereira reforça que a empregabilidade pode ser um instrumento efetivo de inclusão, desenvolvimento humano e geração de impacto positivo para toda a sociedade. 


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TAGS:Gestão e negócios, Grupo Pereira,Reeducandos,ESG,Empregabilidade, Fort Atacadista, Comper,Inclusão Social, Responsabilidade Social
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