06/02/2026
Menos açúcar, mais proteína e pets: o que muda no consumo em 2026
POR Gabrielly Mendes
EM 06/02/2026

Foto: Adobe Stock
A reorganização do consumo na América Latina começa a se refletir dentro das lojas. Dados do estudo Consumer Insights Latam, da Worldpanel by Numerator, indicam que parte relevante do crescimento em bens de consumo passa por categorias associadas à nutrição e ao cuidado com animais de estimação.
Para o setor supermercadista, o movimento não se limita ao sortimento: ele exige revisão de layout, exposição e papel estratégico dessas seções na loja. O pano de fundo é um consumidor que compra com menos frequência, mas com carrinhos mais cheios, compara canais e prioriza custo-benefício.
Nesse cenário, categorias que combinam valor percebido, função nutricional e recorrência de compra tendem a ganhar espaço.
Proteína passa a orientar sortimento
A demanda por proteína aparece como um dos vetores mais consistentes de consumo alimentar. Segundo o estudo, 55% dos lares latino-americanos pretendem manter o consumo de proteína e 11% planejam aumentar.
O dado sinaliza que proteína deixou de ser atributo restrito a públicos específicos e passou a integrar a rotina alimentar de parcela ampla dos lares.
Na prática, isso reposiciona categorias como iogurtes proteicos, bebidas e lácteos com adição de proteína, snacks funcionais e itens voltados a nutrição cotidiana.
Para o supermercado, a questão passa a ser menos “ter ou não ter” esses itens e mais onde e como apresentá-los. A proteína começa a atravessar categorias e pode justificar:
- Agrupamentos por benefício nutricional, e não apenas por tipo de produto
- Sinalização de gôndola destacando teor proteico
- Maior integração entre saudáveis, funcionais e lácteos
Em vez de tratar proteína como subsegmento, parte das redes já testa tratá-la como eixo de navegação. A mudança dialoga com o shopper que entra na loja com missão definida e busca atalhos de decisão.
Menos açúcar vira padrão, não diferencial
O avanço dos produtos com baixo ou nenhum açúcar reforça a lógica de que saúde se tornou critério de compra recorrente. No Brasil, a penetração desses itens saltou de 35% para 71% em seis anos.
Isso reduz o impacto de tratá-los como nicho e pressiona o varejo a ampliar presença desses itens nas gôndolas principais e integrar opções sem açúcar ao sortimento regular. A leitura é que o shopper não quer apenas encontrar a alternativa, mas compará-la lado a lado com a versão tradicional.
Pet food ganha status de destino de compra
Entre todas as categorias, alimentos para pets aparecem como uma das mais resilientes. O segmento avançou 9% em valor e 7% em unidades, apoiado por mudanças demográficas: lares menores, envelhecimento populacional e maior presença de animais de estimação na dinâmica familiar.
Para o supermercadista, pet food deixa de ser categoria complementar e passa a ter papel de tráfego e fidelização.
Algumas implicações práticas:
- Ampliação de metragem linear para pet
- Melhor segmentação por porte, idade e necessidade do animal
- Uso da categoria como destino de compra recorrente
O que muda na lógica de gôndola em 2026? Os dados indicam três movimentos:
1. Gôndola guiada por benefício: categorias passam a ser organizadas também por função (proteína, sem açúcar, funcional), não só por tipo de produto.
2. Espaço proporcional ao papel de tráfego: pet food e itens proteicos podem justificar revisão de metragem, dado seu papel de recorrência.
3. Execução conectada ao shopper racional: com compras mais planejadas, a exposição precisa facilitar comparação e decisão rápida.
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Gabrielly Mendes
Repórter








