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19/05/2026
Mirando o público jovem, Cepêra aposta em linha com a Chilli Beans para diversificar portfólio
POR Ismael Jales
EM 19/05/2026

Foto: Divulgação
Prestes a completar 80 anos, a tradicional indústria de alimentos Cepêra aposta na inovação para conquistar novos paladares e garantir espaço nas disputadas prateleiras dos supermercados. Por meio de uma parceria inédita com a Chilli Beans, marca referência em óculos e lifestyle, a empresa lança uma nova linha de molhos e pimentas que promete unir design, novos sabores e competitividade comercial. A estratégia reforça o posicionamento da Cepêra de oferecer alta qualidade e indulgência como alternativas frente aos desafios macroeconômicos de 2026, marcados pela retração do consumo e incertezas geopolíticas globais.
Conexão com o público jovem e o "efeito lifestyle" A união entre o tradicional setor de alimentos e o universo do comportamento dita o novo passo estratégico da Cepêra. Em busca de diálogo com consumidores mais jovens, a marca decidiu sair do óbvio em seu mais recente lançamento. Os novos produtos, que incluem inovações como o molho de goiaba com pimenta e embalagens PET de 130 ml com bico dosador, foram apresentados oficialmente no Beco do Batman, em São Paulo, refletindo a nova identidade visual desenvolvida em conjunto com a Chilli Beans.
O CEO da Cepêra, Décio Costa Filho explicou a SA+ que a inovação é uma engrenagem essencial para a expansão de mercado. Ele explica que o paladar das novas gerações está em constante mudança. "Percebemos que, para conquistar esse público de forma ágil, nossa marca precisava de um movimento diferente. A parceria com a Chilli Beans existe justamente para encurtar esse caminho", avalia.

Do outro lado, a Chilli Beans enxerga a colaboração como uma expansão do projeto estratégico "Chilli além da Chilli", que visa levar a experiência da marca para novos formatos no varejo. Marcel Ginon, diretor de design e novos negócios da marca de óculos, detalha o nível de exigência na criação do portfólio. "A nossa proposta era não fazer apenas um produto comum. Queríamos uma embalagem diferente, uma personalidade própria, uma exposição diferenciada e uma comunicação que refletisse a verdadeira essência da Chilli Beans", aponta.
A disputa por gôndolas e o sucesso do Food Service
Lançar inovações estéticas, no entanto, é apenas parte do desafio. No varejo alimentar, a disputa por espaço físico é acirrada. Para justificar a entrada dos novos itens nos supermercados — previstos para estarem amplamente distribuídos entre junho e setembro —, a Cepêra foca em produtos que tragam rentabilidade e atração de fluxo para os supermercadistas.
O CEO destaca a seriedade dessa seleção de sortimento para o PDV. "A gente não quer lançar produto por lançar. A gente sabe que a gôndola não é elástica, que precisa agregar valor para o nosso cliente também", pontua o executivo.
Esse modelo de agregação de valor e rentabilidade para o varejo já se provou bem-sucedido na parceria da Cepêra com a rede de restaurantes Madero. Após atuar por mais de dois anos como fabricante exclusiva do ketchup e da mostarda servidos nas lojas da rede, a indústria identificou uma oportunidade de mercado e obteve a licença para comercializar essas receitas diretamente nas gôndolas dos supermercados.
O movimento permitiu colocar ao alcance do consumidor um item premium e de forte apelo aspiracional, mas com um posicionamento de preço viável, gerando uma opção de alto giro para o ponto de venda.
Custos em 2026, comportamento de consumo e o foco inegociável no sabor
A estratégia de lançar produtos diferenciados ganha ainda mais relevância diante do cenário macroeconômico atual. Impactada por conflitos geopolíticos globais, a indústria de alimentos enfrenta altas de 40% a 50% nos custos de matérias-primas derivadas do petróleo, o que afeta diretamente a produção de embalagens plásticas e laminadas. Com o orçamento das famílias pressionado pela inflação e pelo endividamento, a Cepêra tem se posicionado como uma alternativa estratégica no ponto de venda, capturando o movimento de trade down (migração para marcas mais acessíveis).
Para Décio Costa Filho, o cenário desafiador traz consigo oportunidades de mercado, dada a resiliência do setor de alimentação. "O consumo é contínuo; as pessoas mantêm suas rotinas de refeições diárias. O que acontece, muitas vezes, é a substituição de uma marca de desembolso mais alto por outra de menor valor, que entregue a mesma qualidade", analisa o executivo.
É justamente nessa eficiência operacional que a empresa equilibra a balança frente às gigantes do setor. "Por não carregarmos a estrutura de custos de uma multinacional, conseguimos manter o investimento na qualidade do produto, sem economias em matérias-primas ou embalagens. Sendo assim, repassamos essa competitividade ao consumidor, alcançando um preço mais atrativo com o mesmo padrão de entrega", aponta o CEO.
Por fim, ao avaliar as tendências de consumo, a empresa mantém seu direcionamento focado na indulgência, defendendo que a busca pelo equilíbrio nutricional não exige a renúncia ao prazer do paladar. Pioneira com linhas zero açúcar lançadas há mais de uma década, a marca sustenta que o rigor técnico deve caminhar lado a lado com a experiência gastronômica.
Segundo Costa Filho, a entrega sensorial no consumo é um pilar inegociável para a companhia. "Não adianta o produto ser zero açúcar e zero sal se houver prejuízo ao sabor; ele precisa ser atrativo ao paladar", ressalta. A visão de futuro da marca consolida esse posicionamento com clareza: "Nosso objetivo não é seguir movimentos sazonais de mercado. Queremos ser reconhecidos como uma empresa de sabor, focada no consumo consciente de produtos saborosos".
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Ismael Jales








