ÚLTIMAS NOTÍCIAS
09/07/2026
Na contramão do varejo alimentar, um formato registra queda no faturamento no início de 2026
POR Barbara Fernandes
EM 10/04/2026

Foto: Adobe Stock
O varejo alimentar começou 2026 com crescimento moderado e pressão sobre o consumo em volume. No 1º trimestre, o faturamento avançou 1,4%, impulsionado principalmente pela alta de 3,6% no preço médio, enquanto o volume das vendas caiu 2,1%, segundo dados da Scanntech.
Na contramão dos demais formatos, o atacarejo foi o único a registrar retração em valor, com queda de aproximadamente -1% no faturamento. Em volume, o recuo foi ainda mais expressivo, próximo de -4%, reforçando a perda de tração do canal após anos de forte expansão impulsionada pela busca por economia e compras de abastecimento.
Um dos fatores que explicam a queda em valor é o avanço mais contido dos preços no formato. Enquanto supermercados de 1 a 4 checkouts registraram aumento médio de 4,4% nos preços no trimestre, os atacarejos tiveram alta de 2,9%, o que limitou o crescimento nominal do faturamento mesmo em um cenário ainda marcado por inflação.
Outro fator que ajuda a explicar a desaceleração do canal, apontado por levantamentos da NielsenIQ, é a redução da diferença de preços entre atacarejos e supermercados. Historicamente, o formato operava com vantagem média de 10% a 15% em relação aos supermercados, mas esse gap vem diminuindo de forma consistente. Com menor distância de preços, parte dos consumidores passa a priorizar conveniência, proximidade e experiência de compra, favorecendo supermercados e lojas de vizinhança.
Essa aproximação ocorre, em grande medida, pelo processo de sofisticação do sortimento e pela ampliação de serviços nos atacarejos, como padarias, açougues e seção de frios, movimentos que elevam a complexidade operacional e pressionam os custos do formato.
Apesar da desaceleração recente, o atacarejo mantém relevância estrutural no varejo alimentar brasileiro. Segundo o ranking da ABAAS, as 10 maiores empresas que operam o formato somaram um faturamento de R$ 360 bi em 2025, o equivalente a 52% das vendas totais do varejo alimentar*.
A ABAAS também revela que 72% dos lares brasileiros realizam compras em atacarejos, reforçando a capilaridade e o papel do canal como destino recorrente para as compras.
Após cerca de seis anos de seu boom, o atacarejo entra em uma fase de maturidade, na qual a competitividade passa menos pela expansão acelerada de lojas e mais pela capacidade de equilibrar preço, sortimento e experiência de compra.
Mesmo com retração pontual em valor e volume
neste 1º trimestre, a elevada penetração nos lares e a participação majoritária
no faturamento do setor mostram que o formato segue central na estratégia da
indústria e do varejo alimentar, mas com desafios maiores para sustentar
crescimento acima da média ao longo do ano.
* O dado não expressa somente as bandeiras de atacarejo, uma vez que algumas companhias compartilharam seu faturamento total, incluindo as operações de varejo.
Notícias relacionadas
PesquisasJogos do Brasil elevam as vendas do varejo alimentar em 12,1% em junho
ExpansãoAssaí terá sua primeira farmácia dentro da loja ainda neste mês
Grupo Cencosud BrasilGiga Atacado abre 14ª loja em São Paulo
Stok CenterStok Center chega em uma nova cidade
Barbara Fernandes
Repórter








