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25/05/2026
Na contramão do varejo alimentar, um formato registra queda no faturamento no início de 2026
POR Barbara Fernandes
EM 10/04/2026

Foto: Adobe Stock
O varejo alimentar começou 2026 com crescimento moderado e pressão sobre o consumo em volume. No 1º trimestre, o faturamento avançou 1,4%, impulsionado principalmente pela alta de 3,6% no preço médio, enquanto o volume das vendas caiu 2,1%, segundo dados da Scanntech.
Na contramão dos demais formatos, o atacarejo foi o único a registrar retração em valor, com queda de aproximadamente -1% no faturamento. Em volume, o recuo foi ainda mais expressivo, próximo de -4%, reforçando a perda de tração do canal após anos de forte expansão impulsionada pela busca por economia e compras de abastecimento.
Um dos fatores que explicam a queda em valor é o avanço mais contido dos preços no formato. Enquanto supermercados de 1 a 4 checkouts registraram aumento médio de 4,4% nos preços no trimestre, os atacarejos tiveram alta de 2,9%, o que limitou o crescimento nominal do faturamento mesmo em um cenário ainda marcado por inflação.
Outro fator que ajuda a explicar a desaceleração do canal, apontado por levantamentos da NielsenIQ, é a redução da diferença de preços entre atacarejos e supermercados. Historicamente, o formato operava com vantagem média de 10% a 15% em relação aos supermercados, mas esse gap vem diminuindo de forma consistente. Com menor distância de preços, parte dos consumidores passa a priorizar conveniência, proximidade e experiência de compra, favorecendo supermercados e lojas de vizinhança.
Essa aproximação ocorre, em grande medida, pelo processo de sofisticação do sortimento e pela ampliação de serviços nos atacarejos, como padarias, açougues e seção de frios, movimentos que elevam a complexidade operacional e pressionam os custos do formato.
Apesar da desaceleração recente, o atacarejo mantém relevância estrutural no varejo alimentar brasileiro. Segundo o ranking da ABAAS, as 10 maiores empresas que operam o formato somaram um faturamento de R$ 360 bi em 2025, o equivalente a 52% das vendas totais do varejo alimentar*.
A ABAAS também revela que 72% dos lares brasileiros realizam compras em atacarejos, reforçando a capilaridade e o papel do canal como destino recorrente para as compras.
Após cerca de seis anos de seu boom, o atacarejo entra em uma fase de maturidade, na qual a competitividade passa menos pela expansão acelerada de lojas e mais pela capacidade de equilibrar preço, sortimento e experiência de compra.
Mesmo com retração pontual em valor e volume
neste 1º trimestre, a elevada penetração nos lares e a participação majoritária
no faturamento do setor mostram que o formato segue central na estratégia da
indústria e do varejo alimentar, mas com desafios maiores para sustentar
crescimento acima da média ao longo do ano.
* O dado não expressa somente as bandeiras de atacarejo, uma vez que algumas companhias compartilharam seu faturamento total, incluindo as operações de varejo.
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Barbara Fernandes
Repórter








