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23/04/2026

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Reforma Tributária: especialista indica os primeiros passos para iniciar a implementação das mudanças

POR Barbara Fernandes

EM 23/04/2026

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Foto: Adobe Stock


A Reforma Tributária dá início a uma nova fase para o varejo alimentar brasileiro, com mudanças profundas na forma de apuração de impostos, na relação com fornecedores (principalmente os menores), na precificação e na organização operacional.

 

Embora a transição seja gradual, o momento de adaptação já começou e exige planejamento estruturado, revisão de processos e maior integração entre as áreas fiscal, financeira e comercial.

 

Para orientar empresários nesse cenário, o setor já começa a se mobilizar. Em entrevista à SA+, Vanderlei Goulart, diretor-presidente da Meta Assessoria Empresarial, destaca que o primeiro movimento deve ser prático e imediato: simular impactos e estruturar um comitê responsável pela implementação.

 

“Antes de qualquer decisão, o varejista precisa entender quanto vai ganhar ou perder com a Reforma e criar um comitê interno para conduzir esse processo. Sem isso, ele vai reagir atrasado”, afirma.

 

A partir dessa base, duas frentes se tornam prioritárias:

 

1ª – Mapear fornecedores e revisar relações comerciais


O primeiro passo é identificar e conversar com todos os fornecedores, com atenção especial aos prestadores de serviço e às indústrias regionais.

 

Isso porque, com a Reforma, empresas hoje enquadradas no Simples Nacional poderão optar, a partir de 2027, por um modelo híbrido conhecido como regime regular. Nesse formato, passam a recolher IBS e CBS fora da guia única, semelhante às empresas de maior porte.

 

Na prática, isso muda diretamente o jogo, pois fornecedores no regime regular permitem a geração de crédito tributário para o varejista, o que não ocorre no modelo tradicional do Simples Nacional. Isso significa que empresas com maior controle fiscal e financeiro poderão reduzir sua carga efetiva de impostos.

 

“Quem estiver estruturado para aproveitar crédito vai pagar menos. Quem continuar operando sem controle, sem nota ou sem rastreabilidade de fornecedor, vai pagar mais”, alerta Goulart.

 

Por isso, o movimento não é apenas operacional, mas estratégico. Varejistas precisarão:

 

● Mapear o enquadramento atual dos fornecedores

● Entender quem pretende migrar para o regime regular

● Reavaliar parcerias com base no impacto tributário

 

A tendência é clara: fornecedores que geram crédito se tornam mais competitivos. No caso da indústria, o impacto tende a ser menor entre grandes players, que já operam no regime regular. O risco está concentrado nos fornecedores menores e regionais.

 

2ª – Reestruturar a lógica de precificação

 

Outro ponto crítico é a mudança no cálculo dos tributos. Até o fim de 2026, os tributos são calculados “por dentro”, ou seja, embutidos no preço. A partir de 2027, passam a ser “por fora”, destacados na formação do valor final.

 

Essa mudança altera diretamente a lógica de precificação. “Hoje, se meu custo é de R$ 8 e o meu tributo é de 20%, o preço final chega a R$ 10. Com o imposto por fora, esse mesmo produto iria para R$ 9,60”, exemplifica Goulart.

 

Essa possível redução de preços terá efeito direto sob a margem e exige atenção. “Se o varejista mantiver o mesmo percentual sem recalcular a base, pode perder rentabilidade pois a margem passa a incidir sobre um valor menor”, explica o executivo. “É preciso entender que 30% sobre R$ 10 é diferente do que 30% sobre R$ 9,60. Não dá para manter a mesma margem no ERP e esperar o mesmo resultado. A conta não fecha.”


Na prática, será necessário recalibrar margens para preservar o lucro efetivo. Em muitos casos, isso significará aumentar o percentual de margem, mesmo com preços finais menores.

 

Além disso, a negociação com fornecedores ganha um novo peso. “Caso os preços de compra não sejam ajustados à nova lógica tributária, o impacto pode ser repassado ao consumidor ou absorvido pelo varejista”, ressalta o diretor.

 

O especialista ainda indica aos varejistas negociar uma neutralidade tributária com os fornecedores. “Na conversa, é importante levar a informação do impacto das mudanças e alertar que o cálculo precisa ser refeito. Os fornecedores terão que tirar os tributos velhos, adicionar os novos e depois colocar os antigos que vão permanecer até o fim da implementação da Reforma.”

 

Posso deixar para me adaptar em 2027/2028?

 

Preferencialmente não. Segundo o especialista, empresas que não começarem agora tendem a enfrentar problemas rapidamente, especialmente na formação de preços e na gestão de caixa.

 

“Um erro comum será copiar o preço da concorrência sem entender se ele está correto. Isso pode gerar distorções e prejuízo em pouco tempo”, explica.

 

Então, quando começar?

 

O tempo de adaptação pode chegar a seis meses, dependendo da estrutura da empresa. Por isso, o ideal é iniciar imediatamente. Como referência, setembro aparece como um prazo limite para começar com segurança.

 

“Quem deixar para o fim do ano pode não encontrar suporte suficiente no mercado. Não há consultores para atender todo mundo ao mesmo tempo”, alerta Goulart. O especialista também reforça a importância de criar um comitê. “Um supermercado com mais de 500 fornecedores não resolve isso rapidamente. É um trabalho estruturado e demorado.”

 

O risco de não se preparar

 

A Reforma não é apenas uma mudança tributária, mas uma mudança de lógica de gestão. Empresas sem apoio contábil qualificado e sem revisão de processos correm maior risco de erro na precificação, perda de margem e desorganização financeira.

 

“Tudo o que o varejo aprendeu sobre formação de preço precisa ser revisto. O cálculo muda completamente por conta do tributo ser calculado por fora.”, finaliza Goulart.

 

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TAGS:Dicas, Reforma Tributária,Varejo alimentar
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