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Reforma Tributária: o que é e por que ela muda o jogo para o varejo alimentar

POR Barbara Fernandes

EM 22/04/2026

Adobe Stock - congelados

Foto: Adobe Stock


Segundo Vanderlei Goulart, diretor-presidente da Meta Assessoria Empresarial, o varejo alimentar será diretamente impactado por essa mudança estrutural. Com grande variedade de itens, margens apertadas e alta rotatividade, o setor deixa de operar em um ambiente fragmentado de tributos para lidar com um sistema mais padronizado e baseado em crédito financeiro.

A Reforma Tributária inaugura uma das maiores transformações no sistema de impostos sobre consumo no Brasil, com início de implementação a partir de 2026 e transição prevista até 2033. Além da simplificação prometida no longo prazo, as mudanças terão impacto direto na forma como empresas operam, formam preços, gerenciam fornecedores e controlam o caixa.

 

Como funciona a transição na prática?

 

● CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) – é federal e vai substituir o PIS e Cofins, unificando esses tributos

● IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) – é estadual e municipal e vai substituir o ICMS e o ISS

● IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) – passa por uma reformulação gradual, com parte de sua função sendo assumida pelo Imposto Seletivo, voltado à tributação de produtos específicos

 

A principal proposta da reforma é simplificar a cobrança, reduzir distorções e aumentar a transparência ao longo da cadeia. No entanto, durante o período de transição, haverá a convivência entre o modelo antigo e o novo, o que tende a aumentar a complexidade operacional no curto e médio prazo. Veja o quadro abaixo e entenda como será a implementação:



Isso reduz disputas fiscais e aumenta a previsibilidade, mas exige maior rigor na gestão. “O sistema fica mais lógico, mas exige muito mais controle e organização. Quem não tiver dados confiáveis e processos bem estruturados vai sofrer”, afirma.

 

Um dos pilares do novo modelo é a não cumulatividade plena. Na prática, isso permite que empresas aproveitem créditos tributários de forma mais ampla ao longo da cadeia, eliminando o efeito cumulativo, em que um imposto incide sobre o outro.

 

Segundo Goulart, para o varejo isso representa uma mudança relevante na apuração de custos e margens. “Empresas que tiverem controle mais preciso sobre suas operações poderão recuperar créditos de despesas que antes não geravam esse direito, como determinados serviços.”

 

Por outro lado, esse mesmo mecanismo pode gerar pressão sobre o fluxo de caixa no curto prazo. Isso porque o momento de pagamento do imposto e o de aproveitamento dos créditos nem sempre coincidem, exigindo maior planejamento financeiro. A gestão de caixa, que já é sensível no varejo alimentar, tende a se tornar ainda mais estratégica.


Nesse sentido, outro ponto de atenção está na relação com fornecedores. O novo modelo favorece empresas inseridas no regime regular de tributação, já que apenas nessas operações o crédito é plenamente aproveitado. Fornecedores enquadrados no Simples Nacional podem gerar menor eficiência tributária, o que deve levar varejistas a reavaliar parcerias e contratos ao longo da transição.

 

A formação de preços também passa por uma mudança estrutural. Com maior transparência sobre a carga tributária e eliminação de distorções, o varejo precisará revisar suas estratégias de precificação. Benefícios fiscais regionais tendem a perder relevância, reduzindo diferenças artificiais de custo entre estados. Com isso, a competitividade deve se basear mais em eficiência operacional, negociação comercial e experiência do consumidor.

 

Esse impacto, no entanto, não será uniforme entre os diferentes formatos do varejo alimentar. Os atacarejos, que trabalham com margens ainda mais apertadas e forte apelo de preço, tendem a sentir com maior intensidade os efeitos sobre crédito tributário e formação de preços. Pequenas variações podem impactar diretamente o volume de vendas.

 

Já supermercados tradicionais e de perfil premium, embora também afetados, podem ter maior capacidade de absorver oscilações no curto prazo, apoiados em diferenciais como sortimento, conveniência e experiência de compra. Ainda assim, todos os formatos precisarão revisar suas estratégias para manter a competitividade.

 

No caso dos alimentos essenciais, a reforma prevê redução de até 100% ou para itens da cesta básica, cuja composição pode ser ampliada para incluir itens de higiene pessoal e perecíveis. “A medida pode contribuir para reduzir o preço final ao consumidor em determinadas categorias, mas seus efeitos práticos dependerão da organização da cadeia e da forma como os créditos serão apropriados”, explica o diretor-presidente da Meta Assessoria Empresarial.

 

Além das mudanças tributárias, a transformação exigirá investimentos em tecnologia e revisão de processos internos. Sistemas de gestão precisarão ser atualizados para lidar com o novo modelo, incluindo cadastro fiscal de produtos, apuração de créditos e integração de dados. A criação de comitês internos e a realização de simulações já no início da transição também são estratégias recomendadas para mitigar riscos.

 

Goulart alerta que, apesar dos benefícios esperados no longo prazo, o período de transição traz riscos relevantes. “Empresas que não se prepararem adequadamente podem enfrentar perda de margem por erros na precificação, dificuldades no aproveitamento de créditos tributários e até problemas de conformidade fiscal”, conta.

 

O especialista ainda reforça que a falta de adaptação também pode comprometer a competitividade, especialmente em um ambiente em que a comparação de preços tende a se tornar mais transparente para o consumidor.

 

Nesse contexto, a capacidade de adaptação será determinante. O varejo alimentar deve caminhar para um cenário mais racional e previsível, mas também mais exigente. “Empresas que anteciparem ajustes, investirem em gestão e compreenderem rapidamente as novas regras terão mais chances de transformar a reforma em vantagem competitiva”, conclui Goulart.

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