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08/06/2026

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Varejo alimentar cresce 1,6% em maio puxado por alta nos preços, mas volume continua em queda

POR Ismael Jales

EM 08/06/2026

Vendas nos super e hipermercados crescem

Foto: Adobe Stock


Em maio, o varejo alimentar registrou um crescimento nominal moderado de 1,6% em relação ao mesmo período do ano passado, mantendo o mesmo ritmo visto no acumulado do ano. É o que mostra o Radar Scanntech divulgado nesta segunda-feira, 08. Os dados apontam para um crescimento baseado sobretudo no repasse de preços, que apresentaram uma aceleração média de 4,5% no período, enquanto o volume de unidades vendidas segue em queda de -2,8%.


O levantamento leva em conta o conceito de mesmas lojas e traz uma análise de Alberto Serrentino, da Varese Retail, sobre o impacto dos desafios macroeconômicos já conhecidos pelo setor. A alta taxa de endividamento das famílias, agravada pelo mercado das bets, mantém o bolso do shopper apertado. Além disso, a ascensão das canetas emagrecedoras (GLP-1) continua drenando o orçamento com despesas médicas recorrentes, o que ajuda a explicar parte da persistente retração nos volume e a mudança nos hábitos de consumo.          


Inflação e o descolamento dos preços


Embora a inflação oficial mensal da cesta de bens de consumo embalados tenha desacelerado para +0,17% em maio, puxada pelo alívio sazonal pós-Páscoa, o preço pago pelo consumidor na gôndola continua pressionado. O grande nó para o setor está no acumulado de 12 meses: enquanto a inflação geral da cesta registra +1,58%, a variação do preço médio disparou +8,30%.


Essa diferença de 6,7 pontos percentuais reflete o forte encarecimento do preço por volume (+3,5% em maio) e mudanças estruturais no mix de compras, que mantêm o patamar de desembolso elevado na boca do caixa.                                                          


Desempenho por perfil de loja


A dinâmica dos canais de venda repetiu o desenho dos meses anteriores, colocando o atacarejo mais uma vez em posição de alerta. O formato de cash & carry fechou maio praticamente estável, com leve alta de +0,1% em faturamento e um queda de -3,4% em volume. Para tentar estancar a perda de fluxo, o atacarejo foi o canal que mais intensificou as promoções, expandindo seu peso promocional em 5,4 pontos percentuais e obtendo um retorno de vendas incrementais de +5,9 p.p.


Na contramão, os supermercados tradicionais ditaram o ritmo de crescimento do mês, liderados pelas lojas com mais de 10 checkouts, que avançaram 2,6% em faturamento. Os supermercados médios (de 5 a 9 checkouts) cresceram 2,5%, enquanto as lojas de vizinhança (de 1 a 4 checkouts) registraram alta de 1% em valor, mas apresentaram a maior retração em volume (-4,9%).


Tendência: o shopper na retranca


Os dados consolidam a tendência de um consumidor que joga na defesa para fazer a poupar sua renda até o fim do mês. O shopper diminuiu as suas idas aos pontos de venda, provocando uma queda de -2,7% no fluxo de visitas às lojas em maio.


Para compensar o menor número de viagens e otimizar o desembolso unitário, o cliente adotou uma postura mais planejada por tíquete(+0,3% em unidades) e manteve a migração para embalagens maiores, cujo tamanho médio avançou +1,0% no mês.


Itens: o fator Copa e o alívio nas commodities


A análise por categorias revela que o grande motor de volume no mês foi o Bazar, que saltou 11,2% em faturamento e 10% em unidades, impulsionado pelo início das vendas de álbuns e figurinhas para a Copa do Mundo de 2026. Isoladamente, a categoria de jogos e figurinhas respondeu por 13,5% de todo o crescimento em volume do varejo alimentar em maio. Por outro lado, o clima mais frio (queda de -4,6% na temperatura média) afetou a cesta de Bebidas, que recuou -6,1% em unidades, com perdas notáveis entre a cerveja (-3,4%).


Já a Mercearia Básica continuou como a principal detratora financeira do setor, registrando queda de -8,6% em faturamento devido à forte deflação anual de commodities como açúcar (-20,1%), café (-14,1%) e arroz (-16,1% no preço por kg). No entanto, o varejista deve ficar atento ao curtíssimo prazo: na comparação direta de maio contra abril, o arroz ensaiou um repique de alta de +1,6% e o feijão subiu +2,0%, liderando o retorno do interesse do shopper por ofertas.



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TAGS:varejo alimentar, Scanntech,Radar Scanntech, Pesquisa
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