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06/08/2026
"A Companhia se tornou muito complexa": CEO do GPA aposta na simplificação para acelerar a recuperação
POR Barbara Fernandes
EM 06/08/2026

Foto: Divulgação
Simplificar a Companhia. Esse foi um dos principais pontos reforçados por Alexandre Santoro, CEO do GPA, ao longo da teleconferência de resultados do 2º trimestre. A estratégia tem como principal objetivo devolver o foco à empresa, cliente, operação e execução. Segundo ele, é esse movimento que determinará a velocidade da Recuperação Extrajudicial do GPA.
“A Companhia se tornou muito complexa. Nosso grande desafio agora é concentrar a energia no que realmente importa e fazer o básico muito bem-feito”, declarou. Para isso, a empresa definiu três prioridades: elevar a experiência dos clientes, aumentar a eficiência operacional e comercial e fortalecer a disciplina financeira.
“Não vamos crescer por crescer, vamos direcionar capital para onde houver maior retorno. Assim, precisamos de uma organização mais simples, com prioridades claras, decisões mais rápidas e maior responsabilidade sobre custos, produtividade e resultados”, enfatizou o CEO.
Algumas das iniciativas que serão aplicadas nos próximos meses visando essa simplificação são nas áreas de logística e tecnologia. Na primeira, o foco será adaptar a estrutura à realidade atual, o que envolve redesenhar os centros de distribuição. Isso porque algumas dessas operações foram construídas quando a empresa ainda tinha hipermercados, e hoje a parte da capacidade fica ociosa.
Em relação a tecnologia, Santoro contou que o GPA opera com o mainframe, que é uma herança de uma série de acontecimentos passados, que traz pouca flexibilidade e reúne muitos sistemas diferentes que não se falam.
O empresário também ressaltou a importância da Recuperação Extrajudicial para reequilibrar a situação financeira e o sucesso com a aderência de 97% dos credores. A homologação, prevista para o final do 3º trimestre, também foi citada pelo avanço significativo que representará nos resultados. “A dívida será reduzida em mais de 50%, e o prazo médio passará de cerca de 2 anos para 6.4. Já o custo médio de CDI vai de +1.8 para +05.”
Com isso, haverá também uma redução nos desembolsos previstos entre este ano até 2028. Anteriormente a previsão era de cerca de R$ 5,2 bi, e agora deve cair para R$ 400 mi.
“A recuperação extrajudicial foi um instrumento para fortalecer a Companhia e não um objetivo por si só. A homologação desse processo representa um passo importante nessa direção. Ela nos devolve flexibilidade financeira e cria as condições para acelerar a transformação operacional” – Alexandre Santoro, CEO do GPA
CEO do GPA vê bets como nova concorrência do varejo alimentar e aposta em execução para reagir
Um dos destaques do relatório de resultados do GPA foi a queda nas vendas em todas as suas bandeiras, com destaque para o formato de proximidade (-9,6%). Além de questões internas, como aumento da ruptura e concentração em canais mais rentáveis, Santoro destacou alguns problemas externos que tem impactado os resultados das vendas.
“Apesar do desemprego ter caído e a renda melhorado, tem mais de 20 meses que as vendas em volume do setor como um todo reduzem. O consumo não veio, e isso se deve a outras coisas que estão pegando essa renda disponível.” Como exemplo, o CEO citou os serviços de stream e as apostas online. “Temos acesso a pesquisas que mostram que 26% dos lares declaram apostar. Desses, 50% ajustam o orçamento das compras de alimentação para gastar com isso. Nossa concorrência hoje não é só dentro do setor, mas também com esses novos hábitos.”
50% das pessoas que realizam apostas deixam de priorizar o consumo de alimentos
Na visão do empresário, a solução para o desafio das bets está na adaptação e criação de ofertas para aumentar a atratividade das lojas para o consumidor. “E é aí que está a importância do sortimento, regionalização e da adequação da proposta de valor para cada um dos formatos”, complementou.
Ao lado das apostas online, as canetas emagrecedoras também são uma pauta frequente que tem sido observada pelos varejistas. Para Santoro, seu impacto para a empresa pode ser positivo, principalmente no Pão de Açúcar. “Esse hábito não vai mudar, mas estamos bem-posicionados. O FLV e as proteínas têm um peso significativo na bandeira e são categorias que continuam crescendo. Essa é uma vantagem competitiva. A recuperação de crescimento vai ser muito pautado nessas áreas de perecíveis.”
“Os resultados do trimestre mostram que a estratégia que aplicamos está começando a produzir resultados concretos e que estamos avançando na direção correta, agora precisamos acelerar o processo. Ainda temos muito trabalho pela frente”, conclui Alexandre Santoro, CEO do GPA.
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Barbara Fernandes
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