09/03/2026
Alerta no Crédito: gestora de recursos adverte sobre aperto no caixa das empresas
POR Reportagem SA+ Conteúdo
EM 09/03/2026

O cenário macroeconômico brasileiro tem imposto desafios crescentes à saúde financeira das companhias, inclusive de gigantes do mercado. Em entrevista recente ao Estadão, Ana Rodela, CIO da Bram (gestora de recursos do Bradesco), trouxe um diagnóstico de que o caixa das empresas está apertando. O alerta serve como um termômetro para o setor de varejo, que depende diretamente da fluidez do crédito e da capacidade de investimento.
Segundo a especialista, a lista de empresas cujos resultados estão abaixo das projeções da gestora tem crescido. Esse movimento é impulsionado tanto por questões macroeconômicas quanto por momentos específicos de fragilidade operacional de cada negócio.
Juros causam impacto nos investimentos
Um dos pontos centrais abordados por Ana Rodela é o efeito da alta taxa Selic no balanço das corporações. Para o varejo, o aviso é valioso. Afinal, muitas empresas foram pegas no "contrapé" ao realizar investimentos contando com um custo de dívida menor, antes da subida rápida dos juros.
Nesse cenário de caixa mais restrito, a gestora Bram tem reduzido posições em empresas que entram na zona de risco, privilegiando uma gestão profissional e técnica do crédito privado.
É importante ressaltar que, diferente do que ocorreu em 2023 com o caso Americanas, o cenário atual não é de uma crise sistêmica explosiva, mas de uma deterioração gradual e somada de diversos casos.
"Nosso acompanhamento de crédito é muito próximo. O fato de termos uma equipe grande tem ajudado bastante", afirma Ana Rodela, destacando que a gestora conta com 23 analistas divididos por setor para antecipar inadimplências e adiamentos de pagamentos.
Para o varejista e para o investidor do setor, a mensagem da CIO é de prudência. O momento exige um olhar atento à qualidade do crédito e à sustentabilidade da dívida, especialmente em setores sensíveis à oscilação de juros e consumo.
Estar atento ao "humor" das grandes gestoras como a Bram ajuda o executivo de varejo a entender como o mercado de capitais está enxergando o risco Brasil. Caso mantido o aperto no caixa do setor varejista, uma consequência pode ser a desaceleração na expansão de lojas e uma renegociação mais dura de prazos com fornecedores.
Fonte: Estadão
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