20/04/2026
Alta relevância do preço e volume abaixo de 1% revelam nova dinâmica na compra de alimentos e bebidas
POR Reportagem SA+ Conteúdo
EM 20/04/2026

Foto: Adobe Stock
O crescimento global das vendas em volume da indústria alimentícia está abaixo de 1% ao ano, muito distante dos níveis históricos. Ao mesmo tempo, fatores como novas marcas disruptivas, inflação alimentar e competição com marcas próprias vêm reduzindo a capacidade das grandes empresas de sustentar o crescimento por meio de preço e escala.
Os dados fazem parte de um estudo da McKinsey & Company e também indicam que os hábitos de consumo estão passando por uma transformação significativa. O aumento nos preços dos alimentos, superior à inflação geral forçou os consumidores a reavaliar suas escolhas. Dessa forma, custo e percepção de valor se tornaram os dois principais motivos para abandonar uma marca, à frente de fatores como qualidade ou inovação.
A pesquisa também mostra que o shopper tem alterado estratégias dentro da mesma cesta de compras, economizando em algumas categorias enquanto aceita pagar mais em outras que entregam benefícios claros, como conveniência ou atributos funcionais.
Nesse sentido, um dos destaques é o avanço na busca por alimentos considerados mais saudáveis. Cerca de 3/4 dos consumidores afirmam procurar ativamente frutas e vegetais frescos, enquanto aproximadamente 60% buscam alimentos ricos em proteínas, fibras e nutrientes. Em contrapartida, metade dos consumidores declara reduzir ou evitar ingredientes como açúcar, adoçantes artificiais e produtos ultraprocessados.
61% dos shoppers afirmam que o preço dos itens tem mais peso hoje em suas decisões de escolha do que há dois anos. Ao mesmo tempo, 57% reforçam que a saudabilidade está entre os três principais fatores de escolha, indicando uma combinação desafiadora entre custo e benefício.
Ainda assim, o estudo aponta um descompasso entre intenção e prática, já que restrições de orçamento, conveniência e hábitos consolidados impedem uma mudança completa no carrinho de compras.
Além disso, há sinais de mudanças mais profundas no comportamento alimentar. O avanço do uso de medicamentos como os GLP-1 pode impactar o consumo, com redução na compra de snacks e bebidas açucaradas e aumento relativo em categorias como proteínas e alimentos frescos. Paralelamente, o crescimento do food service e das entregas indica que, mesmo sob pressão financeira, os consumidores continuam dispostos a pagar por conveniência em momentos específicos.
Para o varejo alimentar, o cenário exige adaptação rápida. A fragmentação do consumo e a redistribuição dos gastos indicam que o crescimento não está mais concentrado nas grandes marcas tradicionais, mas sim diluído entre diferentes formatos, categorias e propostas de valor. Em um ambiente onde o consumidor busca equilibrar preço, qualidade e benefícios, entender essas novas dinâmicas deixa de ser uma vantagem competitiva e passa a ser uma condição básica para capturar demanda.
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