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16/09/2026
Assaí, Grupo Mateus e GPA sentem pressão do consumo no 2T26
POR Barbara Fernandes
Publicado em:

Foto: Divulgação
Os resultados do 2º tri do Assaí, Grupo Mateus e
GPA reforçam os desafios do varejo alimentar diante de um consumidor mais pressionado pelo
endividamento e juros elevados.
As três companhias também sentiram as mudanças no comportamento de consumo e a disputa pela renda do shopper com novos gastos. O cenário,
porém, teve efeitos diferentes sobre cada operação, refletindo estratégias,
estruturas de custos e níveis de alavancagem distintos.

Assaí
O Assaí apresentou o desempenho mais equilibrado entre as três empresas. A receita líquida avançou 2,4%, para R$ 19,1 bi, enquanto o lucro líquido cresceu 93,6%, para R$ 344 mi. O resultado indica uma melhora relevante da rentabilidade mesmo diante de um crescimento mais contido das vendas em mesmas lojas, que ficaram em 0,9%.
O Ebitda chegou a R$ 1 bi. A companhia encerrou o trimestre com 313 lojas, sem expansão no período, dívida líquida de R$ 12,4 bi e alavancagem de 2,37x. Os números sugerem uma operação mais focada em capturar eficiência e rentabilidade em um momento de menor espaço para crescimento orgânico.
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Grupo Mateus
O Grupo Mateus teve o maior avanço de receita entre as três companhias, com alta de 12,2%, para R$ 9,8 bi. O crescimento, no entanto, veio acompanhado de queda de 8% nas vendas em mesmas lojas.
O lucro líquido recuou 39,3%, para R$ 237 mi, enquanto o Ebitda foi de R$ 681,6 mi, queda de 12,1%. Ainda assim, a estrutura financeira permanece com dívida líquida de R$ 1 bi e alavancagem de 0,51x. O desafio está em transformar a expansão em maior produtividade das lojas existentes, especialmente em um ambiente de consumo mais seletivo.
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GPA
O GPA apresentou o cenário mais desafiador devido ao processo de recuperação extrajudicial. A receita líquida caiu 9,6%, para R$ 4,2 bi, enquanto o prejuízo líquido aumentou 15,5%, chegando a R$ 204 mi. As vendas em mesmas lojas recuaram 0,8%, em um trimestre em que a companhia também enfrentou problemas de abastecimento, com aumento temporário das rupturas e impacto sobre as vendas.
O Ebitda ficou em R$ 450 mi. Com 726 lojas, o GPA encerrou o trimestre com dívida líquida de R$ 3,64 bi e alavancagem de 3,9x, a mais elevada entre as três empresas. Mas em breve o cenário pode mudar. Em um acordo recente com os bancos, o varejista negociou uma redução nas dívidas para R$ 1,18 bilhão após homologação prevista para o 3º trimestre. Assim, o risco de alavancagem cairá para 1,3x.
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Diferentes caminhos em um mesmo cenário
Os números mostram que esse foi um trimestre desafiador. Em comum, os três resultados apontam para um setor em que conquistar crescimento exige mais do que ampliar vendas. Com o consumidor mais seletivo e a renda disputada por diferentes categorias, produtividade das lojas, eficiência operacional, gestão de custos e capacidade de otimização do sortimento passam a ter papel cada vez maior na rentabilidade.
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Barbara Fernandes
Repórter








