29/09/2026
Entenda a negociação que o GPA e as Casas Bahia buscam para zerar dívidas cruzadas
POR Reportagem SA+ Conteúdo
Publicado em:

Casas Bahia e GPA tentaram alinhar um acordo para eliminar da lista de credores dos respectivos planos de recuperação os valores que uma deve à outra. A conversa, porém, não avançou. Pelas contas das companhias, o GPA tem R$ 703 milhões a receber da Casas Bahia, enquanto a Casas Bahia cobra R$ 174 milhões do GPA.
As duas varejistas estão em momentos parecidos. O GPA pediu recuperação extrajudicial em março, e a Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial em meados de agosto.
Houveram reuniões para tentar um entendimento nas duas últimas gestões da Casas Bahia, com Roberto Fulcherberguer e agora Renato Franklin, e também nas administrações recentes do GPA, com Marcelo Pimentel e Alexandre Santoro. Porém, as divergências superam os pontos de convergência e, segundo apuração do Valor Econômico, cada lado atribui ao outro a responsabilidade pelo impasse.
Origem das cobranças
O crédito do GPA vem de um reembolso tributário ligado à exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins da antiga Globex — hoje Casas Bahia —, dona do Pontofrio. A Casas Bahia, incluindo o Pontofrio, pertenceu ao GPA até 2019, quando passou ao controle de um grupo de fundos e de Michael Klein. A devolução diz respeito ao período em que o varejista alimentar ainda comandava a varejista de eletrônicos. Com o trânsito em julgado da ação, o GPA passou a ter direito aos créditos referentes ao ano de 2003 a 2010, e o valor já foi lançado no balanço da companhia.
Já o crédito da Casas Bahia nasceu de uma derrota do GPA em processo arbitral concluído em dezembro de 2025. A disputa tratava de obrigações trabalhistas e cíveis da antiga Globex, assumidas pelo GPA na compra da rede em 2009, e o saldo corresponde a uma indenização por perdas e danos. Em 27 de janeiro, a Casas Bahia pediu na 3ª Vara Empresarial e de Conflitos Relacionados à Arbitragem o cumprimento da sentença. A Justiça determinou o pagamento, com prazo até 11 de março. O GPA alegou falta de caixa, e a recuperação extrajudicial foi deferida justamente na data do vencimento, depois de o pedido ter sido protocolado na manhã do dia 10. Com isso, os R$ 174 milhões passaram a integrar o plano de recuperação.
Por que o encontro de contas não andou
A ideia em discussão era colocar na mesa tudo o que cada empresa deve, liquidar os valores entre as partes e deixar um saldo a favor do GPA. A proposta esbarrou em diferenças de natureza entre os créditos.
O que pode acontecer
Apesar do impasse, o canal de diálogo segue aberto. O desafio agora é encontrar uma forma de conduzir a conversa dentro da recuperação judicial da Casas Bahia, em que a negociação dos créditos listados precisa passar pela Justiça. Credores não podem tratar valores que envolvam preferência de pagamento ou acordos paralelos sem a anuência do juízo. Por isso, o cenário mais provável é que a questão continue sendo discutida dentro dos processos das duas empresas.
Fonte: Valor Econômico
Notícias relacionadas
Grupo MuffatoGrupo Muffato anuncia o primeiro Max Atacadista em Jacareí (SP)
Grupo PereiraA estratégia do Grupo Pereira por trás da compra de 21 lojas do Carrefour e os desafios da aquisição
Formato de LojaVídeo: conheça o Ítalo Barigui, o supermercado premium que está atraindo a atenção de consumidores e varejistas
Aquisição







