06/11/2026
GPA pretende reduzir em 50% a área de seus Centros de Distribuição até 2028
POR Giovanna Cazuza
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O GPA está avançando em um amplo processo de reestruturação operacional, com foco na redução de custos e no aumento da eficiência. Entre as principais iniciativas comentadas durante a teleconferência realizada na última quinta-feira (06), está a diminuição de 50% da área ocupada por seus Centros de Distribuição (CDs) até 2028. A medida, segundo a companhia, não representa uma redução da capacidade de atendimento, mas uma adequação da estrutura logística à operação atual, eliminando espaços ociosos herdados do período em que o Grupo também atuava com hipermercados.
A avaliação da companhia é de que a estrutura logística atual possui aproximadamente o dobro da área necessária para atender às operações. Com isso, o plano prevê a consolidação de unidades e o melhor aproveitamento dos espaços existentes, reduzindo despesas e tornando o abastecimento mais eficiente.
No Rio de Janeiro, por exemplo, parte da área excedente de um CD já é sublocada para terceiros. Em São Paulo e no Nordeste, a estratégia passa pela unificação de estruturas. Em Fortaleza e Recife, onde existem centros de distribuição duplicados, a proposta é concentrar as operações em instalações únicas.
Além da redução de espaço, a mudança deve diminuir o deslocamento de caminhões entre diferentes CDs que atendem às mesmas lojas, simplificando o fluxo logístico e a gestão dos estoques.
Revisão de despesas vai além da logística
A redução dos custos também passa por uma revisão das despesas indiretas, com o GPA instituindo um comitê semanal de compras, com participação direta do CEO, para avaliar contratos e gastos que não estão relacionados diretamente às mercadorias comercializadas nas lojas, como serviços, consultorias e gestão de resíduos.
Com limite de aprovação de R$ 40 mil, o modelo amplia o controle sobre as contratações, permitindo cancelar acordos e renegociar valores, o que significa dar maior rigor às despesas e evitar gastos que não contribuam diretamente para os resultados da operação.
Outro eixo importante está na tecnologia. Historicamente, a companhia destinou mais de 2,5% da receita bruta aos gastos com TI, em razão do acúmulo de sistemas legados e das diferentes estruturas incorporadas ao longo de sua trajetória. A modernização da arquitetura tecnológica, prevista até 2028, tem como objetivo reduzir esses custos em dois terços.
Eficiência nas lojas e mudanças na escala de trabalho
A operação das lojas também está passando por uma revisão. Desde abril de 2026, o GPA realiza testes para substituir a escala de trabalho 6x1 pela 5x2. A mudança envolve aproximadamente 30 mil funcionários de loja e está sendo conduzida por meio de um novo mapeamento das jornadas, ajustando a presença das equipes aos horários de maior movimento dos consumidores, sem aumento de custos.
A meta da administração é implementar a escala 5x2 em 100% das lojas antes do prazo estabelecido pela nova legislação. Além de adequar a operação às mudanças legais, a expectativa é que o novo modelo contribua para reduzir a rotatividade de funcionários.
A companhia também avalia, unidade por unidade, a rentabilidade dos serviços oferecidos nas lojas. A proposta é simplificar operações de menor retorno, como padarias, rotisserias, peixarias e áreas de comida pronta.
Em lojas de menor volume, por exemplo, o atendimento presencial nas peixarias pode dar lugar a balcões de autoatendimento ou à oferta de produtos congelados, reduzindo perdas e despesas operacionais.
Abastecimento e prioridades comerciais
No relacionamento com a indústria, o GPA reconheceu que o período anterior à homologação da Recuperação Extrajudicial provocou cautela por parte de alguns fornecedores, contribuindo para episódios pontuais de ruptura, especialmente na categoria de leites. O cenário também exigiu maior consumo de caixa para sustentar o capital de giro.
Para normalizar o abastecimento, a diretoria comercial passou a realizar reuniões diárias com fornecedores, buscando alinhar planos regionalizados de abastecimento e restabelecer os prazos de pagamento de maneira sustentável ao longo do 4º trimestre de 2026 e de 2027.
Na reta final do ano, a agenda comercial está concentrada em três frentes: o reposicionamento da marca Extra com o selo “Mais Barato Extra”, as campanhas de Black Friday e a preparação para o aumento do consumo no Natal.
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