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06/04/2026

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Consumidor deixa de ser equilibrista para se tornar imediatista em 2026, mostra estudo da Bain & Company

POR Fernando Salles

EM 06/04/2026

Compra consumidor mercado supermercado carrinho de compra

Foto: Adobe Stock


O humor do consumidor brasileiro apresenta sinais de desgaste, mas a busca por resultados rápidos e benefícios tangíveis dita o novo ritmo do mercado. De acordo com a nova edição do estudo Bain Consumer Pulse 2026, apresentado pela Bain & Company, o cenário macroeconômico desafiador moldou o que a consultoria chama de "Consumidor Imediatista".


Este novo perfil sucede o "consumidor equilibrista" de 2025 e caracteriza-se pela demanda por respostas prontas e vantagens que possam ser percebidas no curto prazo em todas as áreas de consumo.


Pressão no Orçamento e Gestão de Gastos


O estudo aponta que cerca de 40% dos brasileiros relatam níveis de estresse altos ou extremos, motivados principalmente por questões financeiras. A situação é mais acentuada entre mulheres e famílias de baixa renda.


Dificuldade de poupar: Apenas 11% dos respondentes conseguem poupar dinheiro sem abrir mão de desejos de consumo.
Corte de despesas: As principais reduções de gastos concentram-se em alimentação fora do lar, bebidas alcoólicas e entretenimento externo.
Uso de crédito: Famílias de baixa renda têm recorrido ao crédito para cobrir despesas básicas, como contas de luz e compras cotidianas, enquanto a alta renda utiliza o recurso para bens duráveis e viagens.


Saúde em Transformação e o Efeito das Canetas Emagrecedoras


A saúde segue como prioridade máxima para 46% dos brasileiros, um índice superior ao registrado nos EUA e Europa. No entanto, uma mudança estrutural está em curso com a popularização dos medicamentos análogos de GLP-1 (como o Ozempic).


Adoção crescente: 15% da população brasileira já utiliza ou utilizou esses medicamentos.
Mudança no carrinho: Usuários de GLP-1 tendem a reduzir drasticamente o consumo de alimentos industrializados, doces e bebidas açucaradas, priorizando proteínas, fibras e porções menores.
Oportunidade para o varejo: O setor deve se adaptar oferecendo embalagens reduzidas e produtos funcionais que mitiguem efeitos colaterais da medicação, como a perda de massa muscular e desidratação.


Comércio Conectado e IA


O digital continua ganhando terreno, com o WhatsApp e redes sociais consolidando-se como canais de compra para 10% a 20% dos consumidores. A Inteligência Artificial (IA) também deu um salto:


Uso frequente: O ChatGPT e o Google Gemini são as ferramentas mais utilizadas, especialmente pela Geração Z.
Assistentes de Compra: Os consumidores demonstram alta disposição para migrar mais da metade de suas compras online para assistentes virtuais de IA, buscando ajuda principalmente na descoberta de produtos e comparação de preços.


Fidelidade: O Trunfo do Varejo Alimentar


Os programas de fidelidade têm altíssima penetração no Brasil: 72% dos consumidores participam de pelo menos um, com uma média de 6,4 programas por pessoa.


Setores dominantes: O varejo alimentar lidera em importância, sendo o critério decisivo de compra para 62% dos respondentes (chegando a 75% na alta renda).
O que o cliente quer: O "imediatismo" reflete-se aqui na preferência por benefícios rápidos e tangíveis, como descontos diretos e cashback, em detrimento de acúmulos de longo prazo.


Para o varejo, o recado é claro: em um cenário de orçamento apertado e busca por eficiência, quem oferecer conveniência digital aliada a benefícios financeiros imediatos e soluções que atendam às novas necessidades de saúde da população pode ter caminho aberto na fidelização.


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TAGS:Tendências de Consumo,Hábitos do Shopper, Bain & Company
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