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E-commerce dentro da IA: promessa de conveniência esbarra em desafios de conversão

POR Giovanna Cazuza

EM 04/05/2026

E-commerce IA

Foto: Divulgação


No início de outubro de 2025, a OpenAI anunciou a entrada definitiva no e-commerce ao integrar compras diretamente ao ChatGPT. A funcionalidade, batizada de “Instant Checkout”, foi desenvolvida em parceria com a Stripe e permite que usuários adquiram produtos sem sair da conversa com a Inteligência Artificial (IA), eliminando redirecionamentos para sites externos.


Os varejistas podem conectar o sistema de pagamento e de logística diretamente ao fluxo de compras mediado pela inteligência artificial, preservando o controle sobre suas operações. Isso é possível a partir de um recurso intitulado “Compre no Chatgpt”, que disponibiliza o Agentic Commerce Protocol (ACP), em modelo open source (código aberto), desenvolvido em parceria com a Stripe.

Ao pedir, por exemplo, indicações de cafés de até R$ 200 para presentear,  IA retorna opções com imagens, valores, justificativas e até sugestões de compra - encurtando etapas do funil tradicional de e-commerce.

Eficiência conversacional e gestão de dados


Segundo Thiago Munaldi, fundador e Co-CEO da IntegralCommerce, o novo modelo de e-commerce trará vantagens tanto para o consumidor quanto para o varejista:  “O consumidor ganha uma experiência mais fluida, o que pode elevar as taxas de conversão — hoje em torno de 2% no desktop e ainda menores no mobile. Com uma jornada 100% conversacional, a expectativa é de crescimento desses números”.


Na gestão, ele destaca uma mudança no uso de dados: “Em vez de relatórios e horas de BI, o gestor passa a interagir diretamente com os dados e receber alertas mais relevantes em tempo real.” afirma.


O desafio da conversão e a corrida dos gigantes


Uma semana após os primeiros detalhes do e-commerce da OpenAI irem a público em outubro, o Walmart anunciou uma parceria com a plataforma, impulsionando suas ações em 2% imediatamente.


Mas, meses depois, o Walmart, recuou, citando a baixa taxa de conversão como o principal motivo. A dificuldade em transformar intenção em compra efetiva indica que, embora a IA seja eficiente na recomendação, ainda enfrenta barreiras na etapa final da transação. Outra adaptação do varejo dentro da plataforma é o uso de anúncios, visto que a ferramenta não disponibiliza a prática.


Aberto a novas possibilidades, o Walmart não promete uso exclusivo da OpenAI, visando concorrentes como o Google Gemini. A varejista apresentou, no começo deste ano, a parceria com a Alphabet Inc. para oferecer compras aprimoradas por IA na plataforma Gemini.


Para o especialista Thiago Munaldi, a evolução do e-commerce tradicional já está em curso e será o futuro do varejo: “Com o Universal Commerce Protocol do Google, e outras iniciativas semelhantes já lançadas, inclusive pela OpenAI no ChatGPT, toda a jornada de compra passa a acontecer dentro do próprio chat. Na prática, o cliente deixa de acessar sites ou aplicativos dos varejistas, enquanto a comunicação ocorre diretamente entre a inteligência artificial e o backoffice das empresas. Nesse cenário, quem se adaptar primeiro a essas tecnologias, com certeza, sai na frente.”


Integração de estoque e inteligência de demanda


A integração total entre o inventário físico e o online continua sendo um diferencial necessário para o e-commerce de IA. Thiago ressalta que recomenda a integração total no sistema: “Nossa recomendação é que o estoque seja sempre 100% integrado. Claro que em casos como FLV e refrigerados algum desvio é natural, e as regras precisam ser conservadoras, mas sempre com o intuito de integração ao vivo com o máximo de acuracidade. E até para essa tarefa as IAs podem ajudar, seja com previsão de demanda, seja com aprendizado rápido de mudanças no perfil de consumo e sazonalidade para ajustes de estoques, travas mínimas etc.”


Em casos de solicitação muito aberta de sugestões, como “O que levar no churrasco” ou “coisas para o churrasco” a IA pode ser uma forte aliado na conversão: "Do lado do cliente, uma conversa simples a partir de "preciso de coisas para um churrasco para 4 pessoas nesta sexta-feira" já é o suficiente para a IA calcular a quantidade necessária, entender as preferências do histórico do cliente e de conversas, gerar a lista de compras e agendar a entrega para o dia correto. Com o cartão do cliente previamente cadastrado e mais 2 ou 3 comandos em uma conversa é possível fechar a transação", destaca.


Para Thiago, o grande diferencial está na precisão com a qual a IA poderá trabalhar para customizar momentos sazonais: “O maior ganho da IA é na previsão de demanda. O varejista precisa antecipar gargalos e oportunidades para ajustar seu planejamento. É óbvio esperar maior movimento na véspera de um feriado, mas a IA define se esse aumento será de 10%, 50% ou 100%, sendo muito mais precisa que o “feeling” humano por trás dessas decisões."


Por enquanto, o e-commerce dentro da IA se posiciona mais como uma evolução das ferramentas de busca e recomendação do que como um substituto imediato dos canais tradicionais. A promessa de uma compra totalmente conversacional ainda está em fase de amadurecimento — e o mercado observa se a conveniência será suficiente para mudar o comportamento do consumidor.


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TAGS:Tecnologia, OpenAI,ChatGPT,Gestão e negócios
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