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Super Mercadinhos São Luiz: jornada 12x36 melhora satisfação dos colaboradores junto com outras 150 práticas

POR Giovanna Cazuza

EM 28/05/2026

Mercadinho São Luiz

Foto: Divulgação


Em meio a tantos debates referentes às escalas de trabalho e como combinar operação com descanso, o Mercadinho São Luiz vem consolidando um modelo de gestão que coloca o bem-estar dos colaboradores no centro da estratégia de negócio. A rede cearense, reconhecida nacionalmente pelas políticas de valorização humana, foi eleita a melhor empresa do varejo para trabalhar pelo Great Place To Work (GPTW) em 2023 e 2024, além de ocupar o segundo lugar em 2025, ficando atrás apenas da Ancar Ivanhoe. Desde 2018, a empresa figura entre os cinco principais nomes do ranking.


Mais do que os reconhecimentos externos, os números internos ajudam a explicar os resultados. A empresa mantém uma EVP (Proposta de Valor para o Colaborador) com mais de 150 práticas voltadas ao desenvolvimento humano, saúde integral, reconhecimento e fortalecimento da cultura organizacional.


Entre os programas oferecidos estão colônia de férias, tempo livre para atividades voluntárias, plantão psicológico, apoio à psicoterapia, orientação nutricional e financeira, assessoria esportiva, grupo de gestantes, serviço social e o projeto “Bem Casados”, que promove cerimônias religiosas e festas para colaboradores celebrarem a confirmação de votos.


A SA+ conversou com Ana Paula Falcão, diretora de Desenvolvimento Humano e Organizacional do Mercadinho São Luiz, para entender o diferencial da empresa na consistência dessas práticas ao longo do tempo. Veja a seguir!


Escala 12x36 ganhou espaço após melhora operacional e satisfação dos funcionários


Segundo Ana, a decisão de ampliar a escala 12x36 no Mercadinhos São Luiz surgiu há cerca de 15 anos. “Inicialmente ela era uma necessidade operacional ligada à experiência do cliente. Na época, esse modelo já era utilizado pelos Fiscais de Loja, na área de Prevenção de Perdas, e percebemos que poderia trazer ganhos importantes também para os cargos de frente de loja”, conta. “O modelo foi implementado inicialmente para tornar a operação mais eficiente, especialmente nos caixas, reduzindo filas e reforçando as equipes nos horários de maior movimento. Com o tempo, percebemos também um impacto positivo na satisfação dos colaboradores”, explica.


Hoje, cerca de 42% da operação da empresa atua nesse formato, principalmente em cargos ligados ao atendimento e à operação das lojas. Lideranças e algumas áreas específicas, como o setor de food service, seguem em outros modelos de jornada devido às características do trabalho.

“Dentro dessa jornada já está incluído o intervalo legal de 1 hora para almoço e, no nosso modelo, também oferecemos pausas adicionais de 15 minutos com lanche, sem custo para o colaborador.” destaca Ana Falcão, diretora de Desenvolvimento Humano e Organizacional do Mercadinho São Luiz.

Os dados internos mostram forte aprovação ao modelo. Em levantamento realizado em março de 2026, o índice de satisfação entre colaboradores da escala 12x36 chegou a 92%. Entre os funcionários do modelo tradicional 6x1, o índice foi de 41%.


Saúde mental, liderança humanizada e baixa rotatividade


O varejo brasileiro tradicionalmente enfrenta desafios relacionados ao desgaste emocional e à alta rotatividade. No Mercadinho São Luiz, a aposta tem sido fortalecer lideranças alinhadas aos valores da empresa e ampliar políticas de acolhimento.


A empresa mantém um Centro de Saúde Integral com programas voltados à saúde física e emocional dos colaboradores, incluindo plantão psicológico, acesso à psicoterapia, educação financeira, orientação nutricional, assessoria esportiva, plataforma Gympass e os chamados “Guardiões da Saúde Mental”.


“Hoje percebemos que as pessoas buscam empresas que oferecem não apenas remuneração e benefícios tradicionais, mas também suporte real para saúde emocional, qualidade de vida e bem-estar integral”, afirma Ana Paula. Segundo ela, muitos candidatos já chegam aos processos seletivos conhecendo os programas da empresa e citando as iniciativas de saúde mental como um diferencial importante.


A estratégia também inclui forte investimento na formação de lideranças e participação ativa da alta gestão na construção da cultura organizacional.


Como resultado, a empresa historicamente manteve índices de turnover entre 15% e 17%, abaixo da média do varejo. Em 2025, o indicador chegou a 24%, movimento que a companhia relaciona às mudanças no mercado de trabalho e às novas expectativas das gerações mais jovens. "Esse índice ainda é competitivo para o setor, mas nos levou a aprofundar análises e acelerar ações estruturadas voltadas à experiência do colaborador, engajamento e retenção."


Internamente, a empresa monitora indicadores ligados à cultura organizacional. Atualmente, registra 97% de satisfação no programa “Medindo Felicidade”, 96% de aderência na Pesquisa de Valores, 94% de resultado favorável na Pesquisa de Relacionamento e 81% de aprovação no Índice de Guardião da Cultura entre lideranças.


Projeto “Bem Casados” transforma sonho pessoal em política de acolhimento


Entre as iniciativas que mais chamam atenção está o projeto “Bem Casados”, criado após a empresa ouvir de um colaborador o desejo de realizar um casamento religioso, mas sem condições financeiras para isso. “Aquilo nos tocou profundamente e nos fez refletir sobre o quanto, muitas vezes, pequenos gestos podem ter um impacto enorme na vida das pessoas. Foi assim que surgiu o projeto “Bem Casados”. A ideia era transformar sonhos em experiências reais e memoráveis para colaboradores e suas famílias.” ressalta, Ana.


Hoje, a cada dois anos, são realizadas cerimônias coletivas tanto na capital quanto no interior, promovendo ao todo quatro celebrações. Cada cerimônia reúne até 12 casais, e a empresa oferece toda a estrutura: igreja, decoração, fotografia, música e um coquetel para os convidados dos noivos.


“Mais do que um evento, é um momento extremamente simbólico para todos nós. É emocionante ver colaboradores realizando um sonho muitas vezes adiado por anos, ao lado dos filhos, familiares e colegas.” destaca. Além do impacto emocional para os participantes, o projeto também movimenta pequenos fornecedores locais, como fotógrafos, decoradores, músicos e buffets.


Flexibilidade e bem-estar devem moldar o futuro do varejo


Para a direção do Mercadinho São Luiz, o futuro do varejo passa necessariamente por modelos de trabalho mais flexíveis e sustentáveis. “Acreditamos muito que o futuro será das empresas que conseguirem unir performance e humanização. Porque cuidar de pessoas não é uma pauta paralela ao negócio, é parte da estratégia de sustentabilidade do empresa”, afirma Ana Paula Falcão.


Apesar da avaliação positiva da escala 12x36, a executiva ressalta que o modelo exige cautela e acompanhamento constante de indicadores relacionados à saúde física e emocional dos colaboradores. “O primeiro deles é a saúde do colaborador. Aqui acompanhamos continuamente indicadores relacionados a afastamentos, DORT, acidentes e fadiga física e emocional. Também intensificamos práticas preventivas, como ginástica laboral e ações de saúde integral.”


A mesma conta que qualquer mudança na jornada deve ser implementada de forma gradual, com escuta ativa das equipes e testes controlados. “Em setores de operação extremamente intensa, como algumas áreas de food service, por exemplo, a jornada pode se tornar excessivamente desgastante. Além disso, existem colaboradores que preferem jornadas mais curtas por estudarem ou terem outras demandas pessoais”, explica.

Para o Mercadinho São Luiz, o desafio do varejo moderno não está apenas em vender mais, mas em construir ambientes de trabalho capazes de equilibrar produtividade, saúde emocional e qualidade de vida.

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TAGS:Gestão e negócios,Mercadinho São Luiz,Escala 12x36,Escala 6x1,Varejo, Inovação,Great Place To Work
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