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16/03/2026
Entenda o que é a recuperação extrajudicial e por que GPA e outras empresas escolheram esse caminho
POR Reportagem SA+ Conteúdo
EM 16/03/2026

Com a taxa Selic fixada em 15% ao ano — o patamar mais alto em quase duas décadas — e um contingente de 8,9 milhões de empresas negativadas, o mercado assiste a uma corrida por reestruturação por parte de muitas companhias. A novidade, contudo, é a ferramenta escolhida por algumas delas para enfrentar adversidades macroeconômicas e problemas internos de gestão.
Grandes nomes como o Grupo Pão de Açúcar (GPA) e a Raízen estão optando pela Recuperação Extrajudicial (RE), um mecanismo jurídico que, embora menos ruidoso que a tradicional recuperação judicial, tornou-se a peça-chave para a sobrevivência no varejo.
O que é a Recuperação Extrajudicial?
Diferente da Recuperação Judicial (RJ), que envolve um processo público e rígida supervisão da Justiça desde o primeiro dia, a modalidade extrajudicial funciona como uma "negociação de bastidores". Nela, a empresa senta à mesa diretamente com seus credores para repactuar dívidas antes de bater à porta do juiz.
De acordo com o advogado Fernando Canuto, do escritório Godke Advogados, a grande vantagem é a flexibilidade: o modelo permite negociar com grupos específicos de credores, sem a obrigação de incluir todos os débitos da companhia no pacote. Isso evita o estigma de "empresa em quebra" e agiliza a solução.
Por que o GPA e outras empresas escolheram esse caminho?
O uso dessa estratégia pelo GPA reflete a urgência de ajustar o fluxo de caixa diante de juros que encarecem drasticamente qualquer empréstimo. Em vez de esperar o colapso, a empresa utiliza a lei (atualizada em 2020) para:
• Reduzir o Custo da Dívida: Renegociar prazos e taxas que se tornaram impagáveis com a Selic a 15%.
• Obter Agilidade: Como o acordo chega ao Judiciário praticamente "pronto" para homologação, o desgaste de imagem e a burocracia são significativamente menores.
• Focar na Operação: Ao resolver a questão financeira de forma direta, a varejista consegue manter o abastecimento das lojas e o atendimento ao cliente sem as interrupções comuns de processos judiciais longos.
Fonte: Gazeta do Povo
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