15/06/2026
Estratégias promocionais ganham força em todos os canais, mas atacarejo é quem mais converte em vendas reais
POR Reportagem SA+ Conteúdo
EM 15/06/2026

Foto: Adobe Stock
O comportamento do consumidor no varejo alimentar vem redesenhando as estratégias de sell-out das grandes redes, conforme apontam os dados do mais recente Radar Scanntech. Todos os canais do mercado aumentaram a participação das promoções em suas vendas totais. Essa movimentação foi impulsionada por ofertas que agora permanecem em gôndola por mais tempo, embora os níveis históricos de descontos tenham sido mantidos.
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No consolidado do varejo, o peso promocional avançou 3,6 p.p, acompanhado por um crescimento de 4,1% na vigência média das promoções, que alcançou a marca de 5,4 dias. Como resultado, o indicador de venda incremental, conhecido como uplift, registrou uma alta de 2,3 p.p. No entanto, a eficiência dessa conversão variou de forma drástica entre os diferentes formatos de loja.
O Fenômeno do Atacarejo
O grande destaque do período foi o canal de Atacarejo, que provou ser o formato cujas vendas mais respondem aos estímulos promocionais, mesmo operando com o menor tamanho de desconto médio do mercado, situado em 19,0%. O canal registrou a maior expansão de peso promocional do varejo, com um salto de 5,4 p.p, fazendo com que as ofertas respondessem por 32,9% de seu faturamento total.
O Atacarejo também liderou o aumento do tempo de gôndola ao expandir a vigência média das ações em 5,4%, atingindo 5,9 dias. Esse conjunto de fatores resultou em uma disparada de 5,9 p.p no uplift de suas vendas incrementais.
Na contramão dessa eficiência, os formatos tradicionais de supermercados de médio e grande porte perderam tração. O formato Super 5-9 checkouts registrou uma queda de 4,1 p.p no uplift, enquanto o formato Super 10+ checkouts recuou 1,1 p.p. Os dados evidenciam uma clara fadiga no modelo de desconto desses canais. Já os pequenos mercados do formato Super 1-4 checkouts mantiveram uma dinâmica bem mais tímida. Esse canal registrou peso promocional de 13,3%, vigência média de 4,2 dias, desconto de 19,9% e uma leve alta de apenas 0,4 p.p na venda incremental.
Impacto da Inflação no Retorno das Campanhas
Essa oscilação de desempenho revela uma relação direta entre o bolso do consumidor e a eficiência das campanhas industriais e varejistas. Categorias que mais pesaram na inflação de curto prazo, como o arroz e o feijão, lideraram o retorno sobre o valor investido em descontos em praticamente todos os canais avaliados.
A alta de preços acelerada acabou por aguçar a sensibilidade do shopper, que passou a reagir de forma imediata quando esses produtos básicos entravam em oferta. Em contrapartida, o leite líquido apresentou a tendência inversa. Por estar em um momento de contribuição para a deflação, o produto reduziu a urgência de compra do consumidor, registrando queda expressiva em sua sensibilidade e eficiência promocional.
O item figurou entre os piores retornos nos formatos Super 5-9, Super 10+ e Atacarejo. Junto ao leite, o açúcar despontou como o principal detrator de performance promocional nos canais de supermercados, enquanto o frango perdeu eficiência nos formatos menores e o óleo vegetal no Atacarejo.
Desafios de Abastecimento: Ruptura vs. Não Venda
O equilíbrio logístico do mês trouxe dados igualmente contrastantes entre a eficiência de gôndola e a gestão dos estoques. Por um lado, o índice de ruptura geral apresentou uma redução expressiva em relação ao ano anterior, recuando para 5,4% (uma queda de 2,6 p.p). A cesta de Mercearia foi o grande motor dessa melhora, cortando sua ruptura pela metade com uma redução de 5,3 p.p, enquanto o mercado como um todo operou com os estoques enxutos, mantendo os dias de estoque estáveis em 44 dias.
No entanto, o avanço do indicador de Não Venda para 11,4% (uma alta de 2,3 p.p) acabou neutralizando parte desse ganho de disponibilidade. O problema ficou evidente na cesta de Perfumaria, onde a ruptura caiu para 5,5%, mas a Não Venda subiu para 12,6%. Esse avanço veio acompanhado por uma alta nos dias de estoque para 66 dias, sinalizando um desalinhamento de execução entre o estoque físico e a demanda real. Dividindo o cenário por canais, todos os formatos reduziram a ruptura, com destaque para o grupo Super 1-9 que despencou 5,6 p.p. Ao mesmo tempo, o Atacarejo manteve uma dinâmica isolada: operou com a maior ruptura do mercado, de 7,0%, mas registrou a menor taxa de Não Venda, de 9,7%, e o estoque mais enxuto do varejo, com 41 dias.
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