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23/02/2026
Faturamento cresce 1% em novembro e setor perde força antes do fim do ano
POR Reportagem SA+ Conteúdo
EM 09/12/2025

Foto: Adobe Stock
O varejo alimentar encerrou novembro com o menor crescimento de faturamento do ano, segundo dados do Radar Scanntech. O período registrou alta de 1% na receita e retração de 2,9% no volume de unidades vendidas, comportamento semelhante ao observado em meses como junho, agosto e setembro.
O principal fator para o resultado foi o menor incremento do preço médio por unidade, que avançou 4%, abaixo dos patamares registrados ao longo do ano. O fluxo em lojas subiu no mês, mas não compensou a queda de 3,9% nas unidades por ticket. A desaceleração também aparece na comparação com outubro.
O mês registrou crescimento de 1,2% em faturamento e de 0,6% em unidades, desempenho distante do observado em 2024, quando essa mesma relação marcou altas de 4,2% e 2,3%.
Preços desaceleram e Mercearia Básica concentra perdas
A retração nos preços foi influenciada por duas dinâmicas: a queda de 3,5% na cesta de Mercearia Básica e a perda de ritmo em Perecíveis, cuja variação passou de 4,7% em outubro para 1,4% em novembro.
Mercearia Básica foi a única cesta com recuo no preço por unidade. Mesmo assim, registrou retração em unidades (–1,6%) e em faturamento (–5,1%).
Arroz, feijão e açúcar concentraram as maiores quedas. O arroz teve recuo de 35,6% no faturamento, o feijão, de 16,5%, e o açúcar, de 14,1%.
As três categorias também recuaram em unidades, mesmo com reduções expressivas de preço.
Perecíveis apresentou quedas relevantes em itens como legumes (–10,8%) e queijos (–8,8%). No sentido oposto, bovinos (+6,7%) e frango in natura (+3,6%) aumentaram.
Bebidas respondem pela maior retração em unidades
A cesta de bebidas foi o principal vetor da queda de unidades do mês, influenciada pela redução de 2% nas unidades por ticket e pelo recuo de 5,5% no fluxo em lojas. O segmento também registrou queda de 1% no faturamento, mesmo com aumento de 7% no preço por unidade, acima da média do mercado.
Cerveja e sucos responderam por mais de 90% da retração em unidades e por mais de 60% da queda do faturamento da cesta. Entre destilados, Gin (-31,9%), Rum (-28,2%), Tequila (-19,6%), Whisky (-16,7%) registraram reduções relevantes. A categoria de refrigerante contribuiu positivamente para o faturamento, mas reforçou a queda em unidades.
Desempenho por canal: supermercados seguem à frente do atacarejo
No acumulado do ano, os supermercados mantêm a melhor performance em mesmas lojas, com retração moderada de 0,9% em unidades e crescimento de 5,7% em faturamento, apoiado por maior variação de preços.
O atacarejo apresentou retração de 2,9% no volume, impactado pela queda nas unidades por ticket (–1,8%) e pelo menor fluxo em loja (–1,1%). O canal cresceu 3,4% em faturamento no acumulado, sustentado sobretudo por preço.
Em novembro, todos os canais registraram retração em unidades. O atacarejo foi o único formato com queda simultânea em faturamento e volume.
Desempenho regional
Todas as regiões registraram queda em unidades em novembro. Norte e Sudeste tiveram as retrações mais intensas e os maiores aumentos de preço por unidade. O Norte também foi a única região a apresentar queda no faturamento (–0,8%). O Sul ficou estável, enquanto as demais regiões avançaram em linha ou acima do total nacional.
Black Friday
A semana da Black Friday apresentou retração de 2% em faturamento e de 3,8% em unidades em relação ao ano anterior. O período teve descontos mais fortes que os de 2024, sobretudo em Mercearia Básica, mas sem impulsionar o volume. Os canais tiveram desempenhos distintos.
Os supermercados registraram crescimento de faturamento na semana e no dia do evento, impulsionados por preços mais altos. As unidades, porém, caíram. No comparativo com 2024, os supermercados tiveram avanço de 2% no valor tanto na semana quanto no dia, enquanto unidades recuaram 2,8% na semana e 2,6% no dia.
O atacarejo apresentou o pior desempenho. No dia da Black Friday, o preço por unidade caiu 12,5%, mas a redução não elevou o volume. O faturamento recuou mais que as unidades, refletindo o impacto direto das rebaixas. Na semana, o canal registrou queda de 8,4% no valor e de 5,6% em unidades.
As cestas de Mercearia Básica, Mercearia e Bebidas concentraram 77% da contribuição negativa da sazonalidade. Entre categorias, arroz, chocolate, cerveja, leite e uísque tiveram os maiores impactos negativos. Café, bovinos in natura, queijos, frutas in natura e refrigerantes contribuíram positivamente.
No consolidado da data, o desempenho da Black Friday foi 5,1% inferior ao de 2024. A data passou de contribuição positiva de 1,2 ponto percentual para o crescimento mensal no ano passado para impacto negativo de 0,4 ponto percentual em 2025.
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