30/03/2026
Fim da Recuperação Judicial da Americanas pode trazer novos capítulos à venda do Natural da Terra
POR Reportagem SA+ Conteúdo
EM 30/03/2026

Foto: Divulgação
O desfecho da recuperação judicial (RJ) da Americanas S.A. traz mais do que apenas um alívio para os credores da gigante do varejo e do e-commerce. O ponto de maior atenção para o setor supermercadista é o impacto direto no futuro do Hortifruti Natural da Terra. A rede, cuja marca é uma das mais importantes do segmento varejista especializado em hortifrútis, agora entra em uma fase de "descompressão" que promete acelerar sua venda e, consequentemente, sua reestruturação operacional.
Por que o processo estava travado?
Até então, potenciais compradores — entre eles redes regionais e fundos de investimento — mantinham cautela devido às incertezas jurídicas da controladora. Mesmo operando como uma Unidade Produtiva Isolada, o que teoricamente protege o comprador de passivos da Americanas, o "ruído" da fraude contábil dificultava o valuation e o apetite por investimentos de longo prazo.
Com o fim da RJ, o cenário muda. A Americanas agora foca em sua operação core (lojas físicas e digital integrado), e a venda do Natural da Terra deixa de ser uma medida de sobrevivência desesperada para se tornar uma estratégia de liquidez e foco.
O que pode acontecer com o Natural da Terra?
A resolução do caso Natural da Terra passa por três pilares fundamentais que devem nortear os próximos meses:
1. Fatiamento por Praças (Oportunidade para Regionais): Fontes do mercado indicam que a venda em bloco (as mais de 60 lojas) pode ser substituída por uma negociação fatiada. Isso abre espaço para que players regionais de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais absorvam unidades que se encaixem em suas malhas logísticas, resolvendo o problema de escala que muitas vezes afasta grandes grupos nacionais.
2. Eficiência Operacional e Combate ao Desperdício: A rede já vem implementando o uso de Inteligência Artificial para mitigar quebras (com redução de 1,7 milhão de itens comprados em excesso no último ano). O novo proprietário precisará aprofundar essa agenda. No varejo de alimentos frescos, a margem está no detalhe do controle de perdas, e a Natural da Terra já provou ter tecnologia para isso, faltando apenas o investimento em Capex para expansão.
3. Recuperação da Proposta de Valor: A saída definitiva do Espírito Santo (estado de origem) foi um movimento de saneamento. Agora, a solução para quem assumir o ativo é o retorno ao básico: o foco no shopper que busca saudabilidade e conveniência. O varejista que adquirir a operação terá em mãos um banco de dados valioso de clientes de alta renda e uma marca que, apesar das turbulências da controladora, manteve sua força no PDV.
Fonte: Estadão
Notícias relacionadas
The Natural OneThe Natural One alcança marca de R$ 1 bilhão em faturamento e quer crescer 30%
Gestão e negóciosHortifruti Natural da Terra encerra última loja no ES e deixa estado de origem
ConsumoEl Niño e ajuste de safra devem elevar custo da alimentação
Fusões e Aquisições







