05/05/2026
Marcas Premium elevam volume da Ambev acima das expectativas no 1T26
POR Ismael Jales
EM 05/05/2026

Foto: Divulgação
A Ambev encerrou o primeiro trimestre de 2026 atingindo um novo recorde histórico de volume para o período no Brasil. Entre janeiro e março, o volume de cerveja comercializado no país chegou a 23,43 milhões de hectolitros, uma alta de 1,2% que superou a média da indústria e ocorreu sobre uma base de comparação já elevada do ano anterior. O desempenho no Brasil foi impulsionado pela estratégia de premiumização, com marcas como Stella Artois, Corona e Original, registrando um crescimento superior a 20% no período.
O resultado, que também teve boa contribuição do Carnaval, veio na contramão das projeções de analistas de mercado, que estimavam queda de até 2% no volume consolidado. O desempenho da categoria de cervejas no Brasil superou o "travamento" de consumo observado em outros segmentos, como o de bebidas não alcoólicas (NAB), que registrou recuo de 3,9% em volume no período.
No balanço financeiro consolidado da Ambev Global, a companhia reportou lucro líquido de R$ 3,88 bilhões, o que representa uma alta de 2,1%. Já o EBITDA ajustado atingiu R$ 7,55 bilhões, um crescimento orgânico de 10,1% em comparação ao mesmo período de 2025.
Desafios no segmento de não alcoólicos
O recuo de 3,9% dos não alcoolicos no período foi influenciado principalmente por um mix de temperaturas menos favoráveis em regiões estratégicas e uma base de comparação muito forte do ano anterior. No entanto, mesmo com o volume sob pressão, a Ambev conseguiu manter uma estratégia de valor, focando em marcas de maior rentabilidade e embalagens mais eficientes para mitigar o impacto no resultado financeiro da divisão.
A estratégia para reverter esse cenário tem passado pela aceleração de categorias como bebidas energéticas e águas saborizadas, que possuem maior valor agregado.
A companhia destacou que, apesar da queda no volume total de litros, a execução comercial no canal de vizinhança e o uso de dados via BEES têm ajudado a proteger a participação de mercado em categorias-chave.
Produtos de baixa caloria ou sem álcool crescem 70%
A diversificação do portfólio para atender novas demandas de consumo foi um dos principais motores de crescimento do trimestre. A categoria de "escolhas equilibradas" (balanced choices), que foca em produtos de baixa caloria ou sem álcool, apresentou um crescimento expressivo de aproximadamente 70%.
Dentro desse segmento, as marcas Stella Pure Gold e Michelob Ultra foram as protagonistas, chegando a mais do que dobrar seus volumes de venda no período, consolidando a tese de saudabilidade da companhia.
O avanço da cerveja zero álcool também se destacou como uma via de crescimento incremental. A Budweiser Zero e a recém-lançada Skol Zero Zero ganharam espaço tanto no varejo físico quanto nas plataformas digitais.
O crescimento desse segmento no Brasil é visto pela Ambev como estratégico para capturar ocasiões de consumo em que o álcool não é desejado, permitindo que a empresa mantenha a relevância em horários de almoço ou dias úteis, o que ajuda a explicar o volume recorde mesmo em um cenário macroeconômico de cautela.
Aceleração digital e ecossistema operacional
Um dos pilares que sustentou a rentabilidade foi o avanço do ecossistema digital. O BEES Marketplace viu seu faturamento (GMV) crescer de forma robusta, impulsionado pela expansão de parcerias com terceiros. Na frente de venda direta ao consumidor, o Zé Delivery consolidou-se como um hub de inovação e agilidade, sendo fundamental para o escoamento rápido dos lançamentos e produtos de maior valor agregado. A plataforma permitiu à companhia capturar tendências de consumo de forma ágil, especialmente entre o público jovem que busca conveniência.
Outros mercados
Apesar do sucesso no Brasil, a operação consolidada enfrentou dinâmicas distintas em outras regiões. Na América Central e Caribe, houve um sólido crescimento de volume de 7,7%. Já na América Latina Sul, o volume recuou levemente em 0,5%, impactado principalmente pelo ambiente de consumo complexo na Argentina, embora a empresa tenha reportado ganho de participação de mercado na região.
No Canadá, o volume caiu 2% devido a uma indústria enfraquecida, mas a operação conseguiu entregar crescimento de Ebitda de 6,7% através de gestão de preços e custos
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