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20/09/2026
Marcas próprias ganham tração e viram eixo estratégico de redes regionais e atacarejos
POR Ismael Jales
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Foto: Adobe Stock
O primeiro trimestre do ano consolidou o avanço das marcas próprias no varejo alimentar. Impulsionados pela expansão dessa categoria nos atacarejos, grupos regionais têm acelerado parcerias com indústrias para ampliar seus portfólios de produtos. O movimento, que intensifica a concorrência nas gôndolas, reflete a estratégia do setor de utilizar as marcas exclusivas como alternativa para preservar as margens de lucro diante do negócio.
Embora a estratégia de marcas exclusivas não seja nova no varejo, o diferencial desse cenário está nos atores que agora lideram o movimento. O avanço agressivo do atacarejo e a rápida adesão de redes regionais transformaram a categoria em uma ferramenta de disputa imediata por market share. Para o setor, consolidar essa oferta tornou-se crucial para reter o consumidor antes que ele crie vínculos com os produtos próprios da concorrência local.
Na esteira dessa aceleração, a SA+ segue com sua série especial de reportagens sobre o tema, iniciada com a análise Além do preço: marcas próprias entram na “era do valor” e buscam maturidade no varejo alimentar brasileiro e o panorama Marcas próprias: como elas se tornaram gigantes no mundo e o que isso diz ao varejo brasileiro. Abaixo, o terceiro capítulo da nossa cobertura destrincha quem está acelerando de fato no mercado doméstico.
A ofensiva das potências regionais
O motor desse aquecimento vem de redes com forte capilaridade regional que entenderam que escala e marca própria caminham juntas. O Grupo Pereira, por exemplo, estruturou sua atuação para garantir que suas linhas exclusivas ocupem espaço tanto no Fort Atacadista quanto no varejo tradicional do Comper. A grande aposta da holding para este ano é a Aliatta, marca focada em giro nas gôndolas para brigar com líderes de mercado, enquanto o braço de alimentação pronta Trudy's ganha espaço dentro de seus complexos comerciais.
O movimento é replicado por outros gigantes regionais. No Norte, o Grupo Nova Era expande a marca Grabon com foco no paladar local, garantindo eficiência logística em uma região historicamente complexa para grandes conglomerados. Já em São Paulo, o Trimais exemplifica como redes de médio porte usam sua hiperfidelização para introduzir linhas exclusivas de alto giro, convertendo o fluxo das lojas em vendas de maior rentabilidade. Até players em reestruturação, como o Dia, revisitaram seu sortimento para resgatar o DNA do soft-discount com embalagens mais modernas e foco na rotina urbana.
Logística e parceria: o segredo da execução
Lançar centenas de produtos em poucos meses exige uma engrenagem industrial livre de atrito. As redes que estão vencendo essa corrida abandonaram a antiga barganha por preço baixo em favor de uma relação de parceria real com a indústria.
Como o fabricante precisa ajustar linhas de produção e embalagens exclusivas, a rede que garante contratos de longo prazo e volumes consolidados sai na frente. Essa sinergia elimina custos desnecessários de marketing e equipes de vendas da indústria, gerando uma operação enxuta que permite preços até 15% menores para o consumidor, sem sacrificar a rentabilidade do supermercado.
Otimização frente aos novos hábitos
A velocidade desses lançamentos é uma resposta direta à transformação nos hábitos de consumo. O mercado de marcas próprias tem se mostrado muito mais ágil que as multinacionais tradicionais para responder a mudanças, como a busca por saudabilidade e a retração no consumo de itens de alta indulgência, como doces e refrigerantes.
Utilizando a estrutura flexível de seus fornecedores, as redes estão transformando este semestre em um laboratório de nicho. Linhas focadas em alto teor de proteína, porções fracionadas e soluções de conveniência surgem com a assinatura do varejista, ocupando espaços vazios de mercado antes mesmo que a indústria tradicional consiga ajustar seu planejamento estratégico.
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