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11/05/2026
Rede gaúcha fatura R$ 1,5 bi ignorando a guerra de preços só pelo volume e focando no "varejo de vizinhança qualificado"
POR Reportagem SA+ Conteúdo
EM 27/03/2026

Foto: Divulgação
Em um cenário no qual o atacarejo parece ser a resposta única para o crescimento no varejo alimentar, a rede gaúcha Asun decidiu dobrar a aposta no modelo convencional. Com um faturamento que rompeu a barreira de R$ 1,5 bilhão, o grupo prova que a diferenciação pelo serviço e a gestão rigorosa do frescor ainda são alavancas poderosas de rentabilidade.
A estratégia da companhia ignora a guerra de preços pautada exclusivamente pelo volume — marca registrada do cash & carry — para focar no que chama de "varejo de vizinhança qualificado". O objetivo é claro: ser o destino principal do consumidor que busca conveniência, mas não abre mão de uma padaria artesanal e de um hortifruti com padrão de feira.
Diferenciação no PDV
O grande trunfo da rede para enfrentar os gigantes do setor tem sido a curadoria do mix. Enquanto o atacarejo trabalha com sortimento reduzido e foco em grandes embalagens, a operação gaúcha investe em:
• Gestão de Perecíveis: O setor de FLV (Frutas, Legumes e Verduras) é abastecido diariamente, muitas vezes via compra direta com produtores locais, reduzindo a ruptura e garantindo o "frescor de hoje".
• Serviços Agregados: Açougue com cortes especiais e padaria própria funcionam como âncoras de tráfego, elevando o ticket médio e a frequência de visitas à loja.
• Experiência do Shopper: Diferente dos galpões de atacarejo, as lojas investem em iluminação, climatização e atendimento consultivo, fatores que justificam margens ligeiramente superiores.
Eficiência Operacional e Expansão
Apesar de ir na contramão do formato que mais cresce no Brasil, a eficiência não é deixada de lado. A rede mantém uma estrutura logística enxuta e investe pesado em tecnologia para monitorar o comportamento de compra. O crescimento de dois dígitos nos últimos anos é fruto de uma expansão cautelosa, ocupando nichos geográficos onde o serviço conta mais do que o preço nominal.
Para o varejista que observa o avanço do atacarejo com preocupação, o case gaúcho deixa uma lição: existe espaço para o supermercado tradicional, desde que ele entregue o que o atacarejo não consegue — proximidade, frescor absoluto e uma jornada de compra sem fricção.
Fonte: Exame
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