09/03/2026
Nova engenharia de consumo desafia a lealdade às marcas. Entenda em 4 aspectos essa transformação
POR Reportagem SA+ Conteúdo
EM 09/03/2026

Foto: Adobe Stock
O varejista brasileiro enfrenta um cenário de "lealdade volátil" em 2026. Segundo dados da última edição do Consumer Insights Latam, da Worldpanel by Numerator, o comportamento de compra consolidou-se no modelo High-Low: ou seja, uma busca implacável pelo menor preço em itens básicos para viabilizar gastos com produtos de maior valor agregado, como os de indulgência e bem-estar.
Para o setor de bens de consumo massivo (FMCG), que cresce timidamente em torno de 1%, um alerta importante vem da queda da fidelidade. Entenda os pontos cruciais dessa transformação:
1. O fim do hábito automático
A pesquisa revela que o consumidor está menos leal e mais disposto a experimentar. No corredor de limpeza e alimentos básicos (commodities), a troca por marcas mais baratas ou marcas próprias é imediata. Já em categorias de beleza e bebidas funcionais, embora o apelo emocional seja maior, a experimentação aumentou drasticamente. O brasileiro agora testa novas marcas constantemente em busca da melhor equação custo-benefício, rompendo com o histórico de fidelidade a grandes players tradicionais.
2. Felicidade remanejada
O orçamento doméstico tornou-se uma espécie de "engenharia de prioridades". O fenômeno mostra que o sacrifício feito no setor de limpeza é o que financia a cápsula de café premium ou o chocolate especial, para citar alguns exemplos. Enquanto categorias básicas sofrem pressão de volume, segmentos ligados a a cuidados pessoais e bem-estar parecem ignoram qualquer sinal de crise.
3. Premiumização Acessível é a saída estratégica
Com a inflação de insumos (como o cacau), o consumidor não abandonou o desejo pelo "luxo", mas adaptou o formato. O crescimento de categorias como biscoitos recheados premium em detrimento das barras de chocolate puro mostra que o varejo precisa oferecer alternativas de premiumização acessível para manter o fluxo de caixa nessas categorias.
4. O caso da Cerveja: De social a individual
Um dado de impacto para o setor de bebidas é a queda de 19,4% nas ocasiões de consumo de cerveja dentro do lar. O protagonismo nos fins de semana caiu, e o consumo tornou-se mais individual e contextualizado. A perda de consumidores frequentes sinaliza que, para parte do público, a categoria deixou de ser um hábito automático para se tornar uma escolha de ocasião, exigindo que o varejo reveja desde o mix de embalagens até a busca por exposição mais atrativa no PDV.
Momento pede adaptações do varejo
O desafio em 2026 não é apenas garantir o volume, mas manter-se relevante em um mix de marcas cada vez mais amplo. Se o consumidor está menos leal, o varejo precisa ser mais ágil na curadoria de sortimento, equilibrando a oferta de preços agressivos no básico com experiências diferenciadas nos momentos de auto-recompensa.
Fonte: Diário do Comércio
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